
Maioria absoluta dos entrevistados disse aos pesquisadores do IBGE que não procurou nenhum estabelecimento de saúde. Cerca de 800 mil pessoas ficaram desempregadas durante a pandemia em SP
Em todo o estado de São Paulo, 11,5 milhões de pessoas tiveram sintomas sugestivos de Covid-19, como febre, tosse seca, falta de ar ou perda do olfato ou paladar. No entanto, apenas 3,1 milhões de pessoas no estado foram submetidas a exames para diagnosticar a presença do coronavírus. Os dados são da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em maio, quando o estudo começou, quase 5,2 milhões de pessoas relataram algum sintoma. Em junho, foram 3,2 milhões de pessoas e, em julho, mais 3,1 milhões. Mas a maioria absoluta dessas pessoas disse aos pesquisadores do IBGE que não procurou nenhum estabelecimento de saúde.
Segundo o IBGE, mais da metade das pessoas que fizeram o teste de Covid-19 tem entre 30 e 59 anos. Os idosos, pessoas com mais de 60 anos, fizeram menos de 400 mil testes.
Números do IBGE mostra moradores que tiveram sintomas sugestivos de Covid-19 nos últimos três meses.
Reprodução/TV Globo
Além disso, a maior parte dos exames foi feita em pessoas brancas, ainda que todas as pesquisas feitas no estado mostrem que pretos e pardos são os mais infectados pelo novo coronavírus.
Esses estudos também mostram que a taxa de infecção é maior entre as pessoas com menor escolaridade. Agora, os dados do IBGE mostram que essas pessoas são as que menos foram testadas.
Perfil dos testes
Dos 3,1 milhões de testes feitos no estado, só 1 milhão de testes foram aplicados em pretos e pardos, enquanto 2,1 milhões foram aplicados em brancos.
As pessoas com ensino superior completo fizeram três vezes mais testes do que aquelas que possuem apenas o ensino fundamental completo.
Para o epidemiologista Carlos Magno Fortaleza, membro do centro de contingência do governo de SP, para combater o avanço da epidemia é preciso testar qualquer pessoa com sintomas com o exame do tipo RT-PCR que detecta se a pessoa está com o vírus ativo no corpo.
“Em maio e junho, a gente tinha problema grande de disponibilidade dos testes. Mas, mais recentemente, há uma disponibilidade grande de teste, embora ainda haja problemas operacionais, de como levar as pessoas a testagem. Então é importante ter local de testagem perto do domicilio para atrair essas pessoas que têm poucos sintomas”, explica.
Magno também avalia que populações mais vulneráveis, como pretos e pardos, precisam ser mais testados do que estão sendo atualmente.
“Nós precisamos interpretar esse dado como uma crítica ao SUS. O sistema de saúde tem sido heroico tanto em identificar quanto em tratar as populações vulneráveis. No entanto há reconhecidamente uma dificuldade maior de acesso a saúde em pretos e pardos, assim como como nas classes sociais menos favorecidas. Já as pessoas de maior poder aquisitivo vão na farmácia e compram o próprio testes”, disse.
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11,5 milhões de pessoas tiveram sintomas sugestivos de Covid-19 em SP e 3,1 milhões foram testadas, diz pesquisa do IBGE
