1 de 4Funcionários de bar na Vila Madalena, em São Paulo, utilizam máscara durante a reabertura — Foto: Marcelo Brandt/G1
Funcionários de bar na Vila Madalena, em São Paulo, utilizam máscara durante a reabertura — Foto: Marcelo Brandt/G1
Uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revelou que 59% dos bares e restaurantes da cidade de São Paulo não pretendem reabrir as portas com as atuais regras que proíbem mesas na calçada e limitam o horário de funcionamento até as 17h, entre outras. Se considerados somente os os bares, o índice de estabelecimentos que não pretende reabrir chega a 80%.
A capital paulista foi classificada na fase amarela do plano estadual de flexibilização gradual da economia na sexta-feira (3). A reabertura destes setores tem uma série de protocolos de higiene e restrições.
Para 55% dos empresários ouvidos pela pesquisa, realizada entre os dias 6 e 7 de julho, a proibição de mesas na calçada prejudica o negócio. Outros 53% dizem que o horário das 11h até 17h inviabiliza a abertura. Oito em cada dez bares afirmam não ser possível abrir com este horário.
O regulamento da Prefeitura de São Paulo previa reabertura de bares e restaurantes até as 22h, mas neste caso predomina a regra do governo estadual, que limitou o horário para até as 17h. “Isso nos parece injusto e pouco racional”, disse em nota o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci.
Cerca de 70% das vendas do setor se dá à noite, segundo a associação. “Quando você limita também parte dessas vendas, deixa de fora todo o setor de bares e um conjunto enorme de restaurantes que só abrem à noite. A medida inviabiliza grande parte do setor”, diz Solmucci.
As praças de alimentação de shoppings são exceção. A Prefeitura conseguiu vincular seu horário ao dos shoppings, que estão autorizados a funcionar das 6h às 12h ou das 16h às 22h.
2 de 4Estabelecimentos da cidade de SP decidem não reabrir portas apesar de autorização da Prefeitura — Foto: Reprodução/Instagram
Estabelecimentos da cidade de SP decidem não reabrir portas apesar de autorização da Prefeitura — Foto: Reprodução/Instagram
‘Ainda é cedo’
Outro motivo para comerciantes se recusarem a reabrir suas portas apesar da autorização da Prefeitura é a possibilidade de contaminação de coronavírus por clientes e funcionários.
Um dos estabelecimentos que não vai reabrir é o restaurante Casa Jaya, em Pinheiros, Zona Oeste. Nas redes sociais, o estabelecimento destacou que não concorda com a decisão do governo estadual de flexibilizar o isolamento na capital.
“Os dados dizem que o Brasil está na vice-liderança dos rankings mundiais de mortes e de casos de coronavírus e São Paulo é o estado mais afetado. Portanto não concordamos com a decisão do governo em flexibilizar o isolamento. Não abrir nos traz um prejuízo ainda maior, mas consideramos a vida acima de tudo”, diz um post em rede social.
O caso do Café no Jardim, localizado na Zona Norte da cidade, é parecido. Inaugurado em 25 de janeiro, o local ficou poucos meses aberto até fechar as portas em 19 de março. “Reabriremos quando houver garantias de segurança sanitária avalizadas pelas autoridades”, anunciou a casa na época do fechamento temporário. Nesta segunda-feira (6), quando os restaurantes e cafés tiveram autorização da Prefeitura de SP para reabrir, o estabelecimento voltou a se manifestar nas redes sociais.
“Apesar da flexibilização da quarentena, permitindo a reabertura de bares e restaurantes, nós do Café no Jardim optamos em continuar fechados por mais algum tempo. Pela segurança de nossos funcionários e clientes. Não é fácil essa atitude, mas a saúde dos que nos cercam, será sempre mais importante do que a movimentação econômica do negócio”, disse a proprietária.
A mesma conduta foi adotada pelo restaurante Mapu, na Vila Mariana, Zona Sul da capital.
“Neste momento, não sentimos que a atual situação nos permite voltar com a devida segurança”, anunciou o local nas redes sociais.
A segurança de clientes e funcionários é destacada como um dos principais motivos para não aderir à reabertura. Os proprietários do restaurante Museo Verônica, em Moema, na Zona Sul, dizem que não se sentem “seguros em expor nossos colaboradores, clientes e toda a população”, por meio de postagem no Instagram.
O discurso é similar ao do premiado Mocotó, na Zona Norte. “Abriremos quando nos sentirmos seguros. Estamos zelando pela nossa equipe e pelos clientes”, anunciou a casa.
3 de 4Estabelecimentos de SP decidem não reabrir portas — Foto: Reprodução/Instagram
Estabelecimentos de SP decidem não reabrir portas — Foto: Reprodução/Instagram
4 de 4Restaurante bloqueia mesa para fazer separação social entre clientes — Foto: Fábio Tito/G1
Restaurante bloqueia mesa para fazer separação social entre clientes — Foto: Fábio Tito/G1
