O Brasil reúne características que, em tese, permitiriam um crescimento econômico muito mais robusto: mercado interno amplo, abundância de recursos naturais, matriz energética relativamente limpa, setor agroexportador competitivo e sistema financeiro sofisticado. Ainda assim, o país cresce menos do que seu potencial há décadas, especialmente quando comparado a outras economias emergentes.
Para Ernani Rezende Kuhn, esse desempenho abaixo do potencial não é resultado de um único fator, mas de um conjunto de entraves estruturais que limitam produtividade, investimento e competitividade.
Crescimento abaixo do potencial: um problema estrutural
O baixo crescimento brasileiro não pode ser explicado apenas por crises pontuais ou pelo cenário internacional. Trata-se de um fenômeno recorrente, marcado por:
ciclos curtos de expansão seguidos de longos períodos de estagnação;
dificuldade em sustentar crescimento acima de 3% ao ano;
baixa convergência com economias mais dinâmicas;
perda de participação relativa no crescimento global.
“O Brasil não cresce pouco por falta de recursos, mas por ineficiência estrutural.”
— Ernani Rezende Kuhn
Produtividade: o principal gargalo
O maior entrave ao crescimento brasileiro é a baixa produtividade. Enquanto outras economias emergentes avançaram em eficiência, o Brasil permaneceu praticamente estagnado.
Entre os fatores que explicam isso estão:
baixo investimento em inovação e tecnologia;
educação de qualidade desigual;
dificuldade de difusão tecnológica entre setores;
ambiente de negócios complexo;
excesso de burocracia.
Segundo Kuhn:
“Sem produtividade, o crescimento vira voo de galinha: curto e instável.”
Infraestrutura deficiente e custo econômico elevado
A infraestrutura insuficiente eleva custos e reduz competitividade:
logística cara e ineficiente;
gargalos em transporte e energia;
mobilidade urbana precária;
baixa integração regional.
Esses fatores aumentam o chamado “custo Brasil”, impactando desde a indústria até o agronegócio.
“Infraestrutura ruim funciona como imposto invisível sobre toda a economia.”
— Ernani Rezende Kuhn
Complexidade tributária e ambiente de negócios
O sistema tributário brasileiro é frequentemente apontado como um dos mais complexos do mundo. Isso gera:
insegurança jurídica;
custos elevados de conformidade;
desestímulo ao investimento produtivo;
penalização de empresas mais eficientes.
Para Kuhn:
“Tributar mal reduz investimento, produtividade e crescimento.”
A falta de previsibilidade afasta capital e inibe decisões de longo prazo.
Investimento baixo e instabilidade macroeconômica
O crescimento sustentado depende de investimento — público e privado. No Brasil, esse investimento é historicamente baixo, afetado por:
instabilidade fiscal;
juros elevados por longos períodos;
incerteza regulatória;
baixa confiança institucional.
“Sem estabilidade macroeconômica, o investimento não vem — e sem investimento, o crescimento não acontece.”
— Ernani Rezende Kuhn
Desigualdade, capital humano e desperdício de talento
A desigualdade social também limita o crescimento econômico ao:
restringir acesso à educação de qualidade;
reduzir mobilidade social;
limitar a formação de capital humano;
diminuir o consumo sustentável.
Segundo Kuhn:
“Desigualdade elevada não é só injustiça social, é ineficiência econômica.”
O país acaba desperdiçando talentos que poderiam impulsionar inovação e produtividade.
O que poderia destravar o crescimento brasileiro
Na avaliação de Ernani Rezende Kuhn, destravar o crescimento exige um conjunto de ações coordenadas:
• Aumento da produtividade
Investimento em educação, inovação, digitalização e tecnologia.
• Infraestrutura estratégica
Planejamento de longo prazo e foco no desenvolvimento regional.
• Ambiente de negócios mais simples
Regras claras, sistema tributário racional e segurança jurídica.
• Estabilidade fiscal e institucional
Confiança como ativo econômico.
• Inserção internacional mais estratégica
Agregação de valor às exportações e integração às cadeias globais.
“O Brasil cresce menos do que poderia porque não transforma seu potencial em eficiência.”
— Ernani Rezende Kuhn
Conclusão: potencial existe, falta execução
O Brasil não carece de oportunidades, mas de execução consistente. O crescimento abaixo do potencial reflete escolhas estruturais, falta de continuidade em políticas públicas e dificuldade em enfrentar gargalos históricos.
A avaliação de Ernani Rezende Kuhn sintetiza o desafio:
“Crescer mais não exige mágica, exige produtividade, infraestrutura, estabilidade e visão de longo prazo. O potencial está dado — falta transformá-lo em resultado.”
