O governo de São Paulo voltou a afirmar em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (1) que o estado se aproxima de um “platô” de números semanais de casos e mortes por coronavírus, mas não apresentou dados que sustentem essa afirmação. O platô ocorre quando os novos registros se estabilizam no ponto mais alto da curva, sem uma queda brusca seja verificada logo na sequência, que seria a definição de um pico.
Pelos dados apresentados pelo governo, a estabilidade contínua no ponto mais alto já foi observada na cidade de São Paulo, mas o mesmo ainda não pode ser dito no estado todo, já que o aumento do Interior ainda impede uma estabilização progressiva.
Mais cedo, em entrevista à GloboNews, o governador João Doria (PSDB) já havia afirmado que o estado “estava muito próximo do platô” e destacou uma queda de 144 novos registros de mortes na última semana epidemiológica, entre 21 e 27 de junho. No entanto, o valor total da semana permaneceu alto em mais 1,7 mil novas mortes, e a queda foi verificada após um recorde da semana anterior. Não é possível dizer, portanto, dizer que houve estabilidade. (leia mais abaixo)
1 de 3Novas mortes por coronavírus no estado de São Paulo nesta semana — Foto: Arte/G1
Novas mortes por coronavírus no estado de São Paulo nesta semana — Foto: Arte/G1
Em coletiva de imprensa, o governo apresentou gráficos que mostram o platô na capital, mas o coordenador do Centro de Contingência contra o Coronavírus, Paulo Menezes, destacou que a tendência ainda não foi verificada em todo o estado. Questionado se haveria indícios de quando o platô poderia ser alcançado em todo o estado, Menezes disse que essa previsão depende do “sucesso das medidas de quarentena” no interior.
“Em relação ao resto do interior, nós temos a maior parte hoje do interior na zona vermelha, e o platô vai depender do sucesso das medidas de quarentena nessas regiões. Nossa expectativa é a de que nesta semana ou na próxima semana nós já possamos assistir a uma estabilização no número de casos e de óbitos decorrentes de um aumento do distanciamento social, do aumento do uso de máscaras e consequente redução da transmissão do vírus nessas regiões”, disse Menezes.
O coordenador-executivo do comitê, João Gabbardo, apresentou dados que mostram o que ele considera um platô na capital. Gabbardo indica que a estabilidade no número de novos óbitos por semana ocorreu entre as semanas epidemiológicas 21 e 26, ou seja, entre 17 de maio e 27 de junho.
2 de 3Novas mortes por coronavírus na cidade de São Paulo, de acordo com as semanas epidemiológicas — Foto: Divulgação/Governo de SP
Novas mortes por coronavírus na cidade de São Paulo, de acordo com as semanas epidemiológicas — Foto: Divulgação/Governo de SP
Já os dados do estado apresentados por Gabbardo mostram que não houve nenhuma estabilidade nos novos óbitos. No mesmo período em que ocorreu a estabilização na capital, entre as semanas 21 e 26, ocorreu aumento nos novos óbitos por semana no interior.
A apresentação do coordenador-executivo destaca em azul esse período, em que as novos mortes vão de 658 por semana para 1.158 por semana, no interior.
Número total de mortes e casos por Covid-19 por semana:
Semana epidemiológica 23 (de 31/05 a 06/06)
- 1.526 novas mortes
- 33.406 novos casos
Semana epidemiológica 24 (de 07/06 a 13/06)
- 1.523 novas mortes
- 32.326 novos casos
Semana epidemiológica 25 (de 14/06 a 20/06)
- 1913 novas mortes
- 42.912 novos casos
Semana epidemiológica 26 (de 21/06 a 27/06)
- 1.769 novas mortes
- 49.788 novos casos
Estatísticas
O balanço de mortes semanal é importante para avaliar o avanço da doença. Há uma variação muito grande dos registros de um dia para o outro.
Os novos casos e mortes diários são contabilizados de acordo com o registro no sistema, e não com o dia em que ocorreram.
Nos finais de semana e às segundas-feiras, o número tende a ser menor, por conta da redução no número de profissionais que trabalham na tabulação dos registros aos sábados e domingos. Os valores ficam atrasados, e costumam atingir picos no meio da semana.
Os dados ajudam a compreender a forma como a doença avança no país, mas são um recorte da realidade, uma vez que o número total de casos é subnotificado como já admitiu o próprio secretário da Saúde, José Henrique Germann.
Flexibilizações
O governo estadual iniciou a flexibilização gradual da quarentena em 1º de junho, antes que houvesse queda sustentada de novas mortes ou casos confirmados da doença, o que não é recomendado por especialistas. A justificativa para a reabertura foi a desaceleração no crescimento dos novos registros. Especialistas avaliam que a reabertura do comércio, que já teve início em diversas regiões do estado e causou aglomerações em diversas cidades, pode começar a impactar negativamente os dados das próximas semanas.
O governador também afirmou que o maior legado da pandemia será na área da Saúde, já que o estado tinha 3.500 vagas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes do início da pandemia e agora tem mais que o dobro, mais de 7.200. “Os investimentos feitos na saúde pública serão permanentes. Exceto os Hospitais de Campanha, todas as demais instalações foram aprimoradas e melhoradas. Nós mais do que dobramos a quantidade de Unidades de Terapia Intensiva”, disse.
3 de 3Funcionários trabalham no enterro de vítimas da Covid-19 no Cemitério Vila Formosa, zona leste de São Paulo, na manhã desta terça-feira (30), durante a pandemia do novo coronavírus no Brasil — Foto: BRUNO ROCHA/ESTADÃO CONTEÚDO
Funcionários trabalham no enterro de vítimas da Covid-19 no Cemitério Vila Formosa, zona leste de São Paulo, na manhã desta terça-feira (30), durante a pandemia do novo coronavírus no Brasil — Foto: BRUNO ROCHA/ESTADÃO CONTEÚDO
