Caminhoneiro morto em ‘ciclone bomba’ ia se aposentar em um mês: 'Nunca sofreu acidente', diz nora

Sérgio era de Bariri, tinha 59 anos e trabalhava como caminhoneiro — Foto: Arquivo pessoal 1 de 4
Sérgio era de Bariri, tinha 59 anos e trabalhava como caminhoneiro — Foto: Arquivo pessoal

Sérgio era de Bariri, tinha 59 anos e trabalhava como caminhoneiro — Foto: Arquivo pessoal

O caminhoneiro Sérgio Idalgo, de Bariri (SP), que foi uma das vítimas da tempestade causada pelo “ciclone bomba” no sul do país, morreu a apenas um mês da aposentadoria que estava programada para agosto. Até a noite desta quarta-feira (1º) foram confirmadas 10 mortes em decorrência do fenômeno climático.

Segundo familiares, o caminhoneiro de 59 anos trabalhava para uma transportadora de Santa Catarina e estava na empresa na região do Vale do Itajaí quando foi atingido por um muro que desabou. Segundo a Defesa Civil local, ele ficou preso entre um caminhão e a estrutura que desabou.

Segundo Viviane Rodrigues Idalgo, nora de Sérgio e mãe das duas netas do caminhoneiro, a tão sonhada aposentadoria chegaria dentro um mês, após cerca de 40 anos de trabalho nas estradas.

“Ele [Sérgio] estava na profissão que amava havia 40 anos, sem nunca ter sofrido um acidente sequer. Era responsável e honrava com muito amor a bandeira ‘Sou Caminhoneiro’. O mundo perdeu um grande homem pra uma tragédia imensurável”, disse Viviane.

Segundo Viviane, a aposentadoria era esperada com ansiedade pelo caminhoneiro, que planejava passar mais tempo com a família no interior de SP, em especial com netas Mariah Eduarda, de 9 anos, e Antonella Valentinna, de 2.

O caminhoneiro Sérgio Idalgo com as netas Antonella Valentinna (no carrinho) e Mariah Eduarda: festa de aniversário sem o "vovô Marrom" — Foto: Arquivo pessoal 2 de 4
O caminhoneiro Sérgio Idalgo com as netas Antonella Valentinna (no carrinho) e Mariah Eduarda: festa de aniversário sem o “vovô Marrom” — Foto: Arquivo pessoal

O caminhoneiro Sérgio Idalgo com as netas Antonella Valentinna (no carrinho) e Mariah Eduarda: festa de aniversário sem o “vovô Marrom” — Foto: Arquivo pessoal

Ela lembra que, mesmo longe, todos os dias ele ligava para a esposa e os filhos, e sempre queria falar com as netas, pedindo fotos e vídeos.

“Este mês a Antonella fará 3 aninhos e o ‘vovô Marrom’ não estará aqui pra comemorar com princesinha dele”, disse, em referência ao apelido que o caminhoneiro tinha desde criança.

Sérgio Idalgo com as netas, a nora Viviane Rodrigues Idalgo e a esposa Edleuza: família já contava os dias para a aposentadoria — Foto: Arquivo pessoal 3 de 4
Sérgio Idalgo com as netas, a nora Viviane Rodrigues Idalgo e a esposa Edleuza: família já contava os dias para a aposentadoria — Foto: Arquivo pessoal

Sérgio Idalgo com as netas, a nora Viviane Rodrigues Idalgo e a esposa Edleuza: família já contava os dias para a aposentadoria — Foto: Arquivo pessoal

O corpo de Sérgio Idalgo foi liberado na tarde desta quarta-feira e chegou em Bariri na madrugada desta quinta-feira (2), onde é velado. O enterro está previsto para às 10h no Cemitério Municipal.

Segundo a família, Sérgio saiu de Bariri no último domingo (28) para trabalhar em Santa Catarina. A empresa onde Sérgio trabalhava informou que está prestando toda a assistência à família e que ajudou nos trâmites para liberação do corpo.

Morador de Bariri morre vítima do 'ciclone bomba' que atingiu Santa Catarina

Morador de Bariri morre vítima do ‘ciclone bomba’ que atingiu Santa Catarina

O temporal

Santa Catarina foi o estado mais afetado pelo fenômeno na terça. Fortes temporais atingiram o estado. Árvores foram derrubadas e muitas casas destelhadas.

Os ventos chegaram a 120 km/h, de acordo com a Defesa Civil. Nove pessoas morreram no estado. O interior do Rio Grande do Sul também registrou estragos pela forte chuva. Um homem morreu soterrado.

No Paraná, ventos de quase 100 km/h derrubaram árvores e deixaram imóveis de Curitiba sem energia elétrica. Em São Paulo, o “ciclone bomba” trouxe frente fria e provocou rajadas de vento de mais de 50 km/h na capital paulista. Duas lanchas e sete barcos afundaram em Peruíbe, no litoral paulista. Em Itapeva (SP), as rajadas de vento chegaram a 91 km/h, derrubando árvores. Ninguém ficou ferido.

O estado ainda pode registrar rajadas de vento em torno de 80km/h nesta quarta-feira por conta dos reflexos ciclone extratropical, conhecido por ciclone bomba, que continua atuando em Santa Catarina.

Estragos causados em Itajaí pelo 'ciclone bomba' — Foto: Paulo Tomio/ Arquivo pessoal 4 de 4
Estragos causados em Itajaí pelo ‘ciclone bomba’ — Foto: Paulo Tomio/ Arquivo pessoal

Estragos causados em Itajaí pelo ‘ciclone bomba’ — Foto: Paulo Tomio/ Arquivo pessoal

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By Tribuna ABC

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