1 de 1Moradores de Santos (SP) precisam utilizar máscaras para sair de casa — Foto: Vanessa Rodrigues/Jornal A Tribuna
Moradores de Santos (SP) precisam utilizar máscaras para sair de casa — Foto: Vanessa Rodrigues/Jornal A Tribuna
O índice de mortalidade pelo novo coronavírus é, em média, três vezes maior em Santos e Cubatão, na Baixada Santista, em São Paulo, do que no Brasil. O dado refere-se à proporção de óbitos de pessoas infectadas por Covid-19 no total da população da região analisada. Os números constam nos boletins epidemiológicos mais atualizados, divulgados pelas prefeituras nesta quarta-feira (1º).
Em Santos, cidade com o maior número de mortes registradas pelo novo coronavírus na região, o índice de mortalidade chega a 86,3 óbitos a cada 100 mil habitantes. Na média nacional, esse número é cerca de 28,89 mortes. Já Cubatão detém o maior índice de mortes por 100 mil habitantes de toda a Baixada Santista, 90,2.
Índices da Covid-19 a cada 100 mil habitantes (01/07)
| Local | Mortes a cada 100 mil | Mortes por Covid-19 | Habitantes |
| Brasil | 28,8 | 60.713 | 210.147.125 |
| São Paulo (Estado) | 32,7 | 15.030 | 45.919.049 |
| Santos | 86,3 | 374 | 433.331 |
| Cubatão | 90,2 | 118 | 130.705 |
Na gestão de Luiz Henrique Mandetta, o Ministério da Saúde atribuía a classificação de emergência a estados e municípios que tinham coeficiente de incidência de casos de coronavírus 50% superior à média nacional. A pasta deixou de divulgar essa informação no mês de abril.
O coordenador de Controle de Doenças de São Paulo, Paulo Rossi Menezes, explica que, no caso de Santos, o índice de idosos na cidade pode ser um fator que contribui para a alta taxa de mortalidade. “O fato de a população ter uma proporção de idosos maior que a média do estado é um fator importante, já que o risco de óbito em idosos é bem maior que em adultos”, afirmou.
Em Cubatão, uma das explicações poderia estar nas comunidades do município. “Não há uma estrutura etária com uma proporção tão envelhecida quanto Santos, então, é possível que haja uma maior proporção de pessoas de baixa renda, vivendo em condições de aglomeração”, afirma o epidemiologista.
As cidades com os menores índices de mortalidade na Baixada Santista são Mongaguá, Peruíbe, Bertioga e Itanhaém, que concentram os menores números de casos de infectados na região.
“Embora pareçam números bem distintos, na verdade, a instabilidade desses números é razoável”, afirma o epidemiologista sobre a diferença dos índices de mortalidade por Covid-19 entre as cidades da Baixada Santista. “Em Peruíbe, por exemplo, mais uma dezena de casos faria o número dobrar”.
Mesmo assim, o especialista ressalta a importância dos dados. “Sem dúvidas, há uma diferença importante entre os municípios na Baixada Santista que refletem nesses números”, afirma. “Mas, mais importante, é a variação de casos de um dia para o outro e novas internações. Por isso, usamos esses dados no ‘Plano São Paulo’, para ver se há uma progressão ou instabilidade”.
Atualmente, a Baixada Santista encontra-se na zona laranja do Plano São Paulo, plano estadual de retomada econômica. Nesta fase, ainda não será autorizada a reabertura de outros setores, além de atividades imobiliárias, concessionárias, escritórios, shopping centers e comércio no geral, que estão abertos com restrições.
Segundo o Governo do Estado, a Baixada Santista não obteve uma melhora suficiente nos índices semanais de variação de casos confirmados, internações e mortes por Covid-19, fato que permitiria a mudança para a fase amarela. Apenas a capital paulista e algumas cidades da Grande São Paulo conseguiram passar para a terceira fase.
Casos na Baixada Santista
A Baixada Santista registrou 371 novos casos de Covid-19 nesta quarta-feira. Com as notificações das nove cidades, a região soma 24.052 casos confirmados e 995 óbitos causados pelo vírus, segundo boletins divulgados pelos municípios. São 3.270 casos suspeitos, 73 mortes sob investigação e 16.684 pacientes que se recuperaram da doença.
