1 de 3Hospital da Campanha do Pacaembu começou a operar em 6 de abril e foi desativado dia 29 de junho — Foto: Reprodução/TV Globo
Hospital da Campanha do Pacaembu começou a operar em 6 de abril e foi desativado dia 29 de junho — Foto: Reprodução/TV Globo
O prefeito de Campinas (SP), Jonas Donizette (PSB), afirmou nesta sexta-feira (3) que recebeu e afastou a oferta do Estado de transferir para a cidade do interior a estrutura do hospital de campanha que estava montado e foi desativado no Pacaembu, na capital paulista.
O chefe do Executivo disse que, por conta do tempo que demandaria esta operação, é mais efetivo que o Estado envie recursos para custear a operação dos leitos já ampliados e a compra de vagas da UTI da rede privada. Ele também cobrou tratamento igual ao interior em relação à capital.
O secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marcos Vinholi, afirmou que as duas possibilidades – transferência do hospital de campanha e compra de leitos privados – ainda estão sendo discutidas com o prefeito como alternativas para ampliar a capacidade de atendimento na cidade, que registrou 20 dias consecutivos de 100% de ocupação nos leitos SUS municipais.
“Não tem batido o martelo sobre essa questão de levar o hospital de campanha para Campinas. E até ressalto que a possibilidade maior é da contratação de leitos privados”, disse.
A compra de leitos, segundo o prefeito, seria uma boa alternativa, sobretudo, no momento em que, segundo ele, a ocupação na rede privada está diminuindo. “Não é algo tão visível aos olhos como é uma tenda montada, mas é algo mais efetivo para resolver o problema”, falou.
Hospital de campanha do Pacaembu
O prefeito disse que recebeu uma mensagem de Vinholli, oferecendo a estrutura do Pacaembu, que foi desativada na segunda-feira (29) sob a alegação de falta de demanda em São Paulo. No entanto, o secretário municipal de saúde, Carmino de Souza, fez as ponderações.
“Eu acho que o momento de pensar no hospital de campanha já passou. Acho que não daria tempo de desmontar lá, trazer pra cá, montar aqui, operacionalizar o funcionamento, contratar pessoal, etc… Isso realmente não daria. Eu tenho conversado [com o Estado], assim como o senhor, no sentido de que o governo do estado nos ajude com recursos. Porque você sabe que o custo desses pacientes, particularmente os de UTI, é um custo muito alto. A gente consome recursos materiais, pagamento de recursos humanos, etc e esta seria uma boa ajuda”, disse o secretário.
Hospital de campanha ativo
Campinas já possui um hospital de campanha que começou a operar no dia 15 de maio. São atualmente 84 leitos que, nesta sexta, estavam todos ocupados segundo a Saúde. Durante a coletiva de imprensa, o prefeito exibiu imagens da estrutura e foram feitas comparações com outras unidades. O chefe do Executivo pontuou, por exemplo, o fato do hospital ser em área coberta, em referência às goteiras registradas na capital.
“Queria só explicar que o nosso hospital de campanha não é uma enfermaria, com leitos um do lado do outro. Todos os leitos aqui eles são individuais. […] São leitos quase semi-intensivos. São leitos seguros pra quem trabalha, seguro para o paciente e seguro para a natureza. Então, é um hospital de campanha completamente diferente dos que a gente tem visto, que são estruturas provisórias”, disse Souza.
2 de 311/05: Hospital de campanha de Campinas começou a operar em 15 de maio — Foto: Bianca Rosa/EPTV
11/05: Hospital de campanha de Campinas começou a operar em 15 de maio — Foto: Bianca Rosa/EPTV
R$ 12 milhões gastos em leitos adicionais
Ao reivindicar suporte financeiro do Estado, prefeito e secretário de Saúde falaram que fizeram a “rapa do tacho” nos cofres públicos para as últimas ampliações de leitos. Ele pontuaram o gasto de R$ 12 milhões referentes a dois meses de operação do hospital de campanha já existente e também da ampliação que está sendo feita no Hospital Ouro Verde.
Sobre isso, o Estado afirmou que já repassou R$ 14 milhões ao município no início da pandemia e que só pode garantir que a população não ficará sem atendimento.
“Evidente que ele [o prefeito] tem mais pleitos, os municípios da região também tem… o que nós podemos garantir é que nenhuma pessoa da região ficará sem atendimento.”, disse Vinholi.
Tratamento desigual
Donizette reclamou, durante pronunciamento, que o Estado não estaria dando ao interior a mesma atenção e tratamento destinados à capital no período mais dramático da pandemia.
“O interior não está tendo o mesmo tratamento que São Paulo teve quando passou pela dificuldade. Então, pode gostar, pode não gostar, mas eu vou falar a verdade. Sempre buscando diálogo, sempre buscando resolver as coisas.”, afirmou.
O secretário estadual de Desenvolvimento Regional negou essa diferenciação. “Eu vou ser muito objetivo. Nós fizemos um repasse para os municípios. Campinas recebeu R$12 por habitante enquanto São Paulo recebeu R$ 8 reais por habitante. Então já fica aí claro que não houve esse favorecimento para São Paulo”, afirmou.
3 de 3O secretário de Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi — Foto: Divulgação/Governo do Estado
O secretário de Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi — Foto: Divulgação/Governo do Estado

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