
Pesquisa revela que pandemia vai impactar nas compras das famílias
O empresário Márcio Hércules Augusto, dono de uma franquia de roupas em Ribeirão Preto (SP), teve queda de 95% nas vendas desde o fechamento das lojas por causa das medidas sanitárias para conter o avanço do novo coronavírus. Mesmo atuando no sistema delivery e drive-thru, o prejuízo ainda não foi revertido.
“Foi uma bomba atômica”, lamentou.
Por duas semanas, Ribeirão Preto esteve na fase laranja no Plano São Paulo. Nessa etapa, comércio de rua e shoppings abriram por quatro horas diárias. Agora, rebaixada à fase vermelha, em que somente os serviços essenciais podem funcionar, as portas das lojas se fecharam novamente.
1 de 4Faturamento em franquia de roupas de Ribeirão Preto (SP) cai 95% na pandemia — Foto: Reprodução / EPTV
Faturamento em franquia de roupas de Ribeirão Preto (SP) cai 95% na pandemia — Foto: Reprodução / EPTV
Nesse período, as vendas do empresário tiveram ligeira melhora. O prejuízo passou para 80%, ainda longe do esperado para a retomada.
“Nosso trabalho é para que a gente atinja ao menos 50% da queda. Não acreditamos que volte os 100%, a demanda vai com certeza vai ser bem menor”, afirmou Hércules Augusto.
Quando tudo voltar ao normal, Hércules Augusto prevê uma mudança de comportamento do público. Ele acredita que as pessoas só vão comprar o que é extremamente essencial. Por isso, a empresa dele já se planeja para o novo normal e busca ações de marketing para ganhar a confiança e a fidelidade dos clientes.
‘‘Tem que trabalhar de uma forma certa, correta e honesta. Tem que entregar o que o cliente precisa. (…) O comportamento hoje de compra é consciente. As pessoas vão estar com menos recurso e vão comprar com mais consciência”, disse.
2 de 4Empresário de Ribeirão Preto (SP) lamenta queda de faturamento durante a pandemia — Foto: Reprodução / EPTV
Empresário de Ribeirão Preto (SP) lamenta queda de faturamento durante a pandemia — Foto: Reprodução / EPTV
Adaptação
Matues Bortolucci é dono de uma franquia de restaurante mexicano em Ribeirão Preto. Mesmo diante das incertezas da pandemia, resolveu abrir o estabelecimento no início de junho. Para a inauguração, muita coisa do planejamento inicial precisou mudar.
Houve redução de 70% no quadro de funcionários previstos para o começo das atividades. O aluguel do espaço precisou ser renegociado, assim como o preço dos insumos e do estoque. Mas apesar de tudo isso, os primeiros dias do novo negócio estão sendo positivos.
“Tem duas semanas com a loja aberta e temos consumidores que vieram três, quatro vezes. Isso é uma coisa muito boa para a marca. O pessoal realmente está gostando, está elogiando”, afirmou Bortolucci.
3 de 4Restaurante mexicano inaugurou durante a pandemia, em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Reprodução / EPTV
Restaurante mexicano inaugurou durante a pandemia, em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Reprodução / EPTV
Bares e restaurantes estão autorizados a funcionar durante a quarentena desde que os pedidos sejam feitos por telefone ou de forma online. Os clientes podem buscar o alimento e levar para casa ou esperar a refeição chegar por entrega.
O restaurante de Bortolucci aposta justamente nessa adaptação para se manter até a retomada do consumo com portas abertas. A demanda pelo aplicativo é alta, mas nada se compara com as projeções feitas em tempos normais.
“Com certeza seria bem diferente, teria em torno de até 60, 70% a mais de faturamento previsto do que está acontecendo agora” afirmou Bortolucci.
Retomada lenta
Uma pesquisa apontou que a queda de consumo em 2020 no estado de São Paulo deve chegar a 7,8% em relação ao ano anterior. Se por um lado, em 2019 a movimentação foi de R$ 1.279 trilhões, neste ano a estimativa é de R$ 1.179 trilhões.
O levantamento mostrou que os itens básicos do dia a dia, como gastos com habitação, alimentação e transporte, são os que os consumidores têm investido mais. Já o setor de comércio deve sofrer mais com a recessão, pois foi obrigado a fechar as portas durante a pandemia.
4 de 4Comércio e restaurantes no Calçadão de Ribeirão Preto estão fechados desde março — Foto: Alexandre Sá/EPTV
Comércio e restaurantes no Calçadão de Ribeirão Preto estão fechados desde março — Foto: Alexandre Sá/EPTV
Marcos Pazzini, sócio da empresa de consultoria que realizou a pesquisa, acredita que o perfil de consumo das famílias brasileiras com a pandemia de Covid-19 pode se igualar aos patamares de 2010 e 2012. Para ele, a retomada vai ser lenta.
“A gente está voltando agora a abrir o comércio com essa flexibilização parcial. Muita gente, principalmente pequenos empresários, não têm fôlego financeiro para segurar esse período fechado, sem vendas. Fechou, vai quebrar. Quem trabalha nesses comércios, com essas empresas pequenas, não vai ter emprego. O empresário que é dono de uma empresa pequena como essa não vai ter emprego e não vai ter empresa”, afirma.
