
Produtores de cambuci do Alto Tietê estimam prejuízo de R$ 100 mil por causa da pandemia
Os produtores de cambuci do Alto Tietê preocupados porque quase toda a safra deve ir para o lixo e o prejuízo pode chegar a R$ 100 mil. A pandemia do novo coronavírus afetou a venda da fruta.
Na propriedade do agricultor Antonino Pedro Santos, em Salesópolis, a colheita da fruta foi bastante prejudicada. O cambuci, que seria vendido para escolas e restaurantes, está apodrecendo no chão.
“Não teve a saída do cambuci. Enchemos o freezer que cabe mais ou menos 500 quilos e fico parado. Não tem como colher e achamos melhor deixar no chão. Para não perder de tudo fizemos xarope que pode colocar na pinga e várias coisas. Fizemos 400 litros de xarope e aguenta de 2 a 3 anos. Temos 2 anos para vender esse xarope”, explica o agricultor.
Ele conta que há três anos a colheita do cambuci já vem enfrentando dificuldades. A pandemia só fez piorar a situação. Sem ter a quem vender, o agricultor preferiu não colher os frutos esse ano, porque não daria conta de armazenar e distribuir toda a produção.
1 de 1Safra de cambuci do Alto Tietê encalha por causa de pandemia do novo coronavírus — Foto: Fábio Tito/G1
Safra de cambuci do Alto Tietê encalha por causa de pandemia do novo coronavírus — Foto: Fábio Tito/G1
O mesmo motivo levou outros produtores da região a fazerem o mesmo. Só em Salesópolis, a safra de cambuci deste ano estava estimada em 35 toneladas. Mas desse total, apenas 2 toneladas foram vendidas. “O cambuci de primeira eu vendo a R$ 6, e de segunda vende a R$ 5. Como perdemos umas 3 toneladas. dá uns R$ 18 mil. Fora o xarope que não sabe se vai vender ou não. Perigoso ter mais prejuízo.”
O freezer novinho é uma conquista que Antonino Pedro Santos exibe com orgulho. Como o fruto apodrece muito fácil, o freezer não é um luxo, mas uma necessidade. Ele veio graças a uma parceria do Instituto Auá com a Fundação Banco do Brasil, que investe nos pequenos produtores através de equipamentos e palestras de capacitação. “Esse ano felizmente conseguimos parceiros indústrias, prefeituras, merenda escolar, restaurantes, lanchonetes e outros comércios que garantiriam o escoamento da maioria absoluta da safra de Salesópolis e outros municípios do Alto Tietê e Vale do Paraíba. Mas infelizmente o efeito da pandemia sobre a economia começou no início da safra do cambuci em março. E esses parceiros comerciais suspenderam as compras. E 90% da safra não foi colhida”, explica Gabriel Menezes que é presidente do Instituto Auá.
A produção de cambuci encalhada entristece Leonardo Fonseca que faz parte da Cooperativa Agrícola Mista do Alto Tietê (Camat). A entidade reúne 200 cooperados, a maioria formada por produtores de eucalipto da região. Só agora, 30 anos depois de fundada, a entidade está se abrindo para os produtores de outras culturas, a exemplo do cambuci.
O núcleo de diversificação da cooperativa é o setor responsável por integrar os produtores. A ideia é deixar de lado a monocultura e diversificar cada vez mais a produção. Fonseca diz que a pandemia mudou todos os planos. Mas ele mantém o otimismo. “A cooperativa é trabalhar juntos, cooperativismo sempre na frente com transparência e prestação de contas.”
