'Disseram que podia morrer em até 48 horas', diz mulher de paciente que se curou da Covid-19

Aristoclide precisou ficar internado para tratar a Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal 1 de 3
Aristoclide precisou ficar internado para tratar a Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal

Aristoclide precisou ficar internado para tratar a Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal

Para o auxiliar de serralheria Aristoclide Baptista Correa, de 46 anos, o versículo bíblico “a fé move montanhas” fez todo sentido depois que conseguiu vencer a Covid-19 mesmo após os médicos terem falado que ele só tinha mais 48 horas de vida.

Ary, como gosta de ser chamado, mora em Sorocaba (SP) e contou ao G1 que tudo começou no dia 8 de junho, quando ele apresentou os primeiros sintomas da doença.

“Estava com uma dor forte no corpo, na região das costas e também na cabeça. Foi quando decidi ir ao médico para ver o que era”, relata.

Com histórico de hipertensão e diabetes, Ary pertence ao grupo de risco do coronavírus e, por isso, as primeiras notícias dadas pelos médicos não foram animadoras.

“Quando cheguei à UPA da zona oeste, após passar pela triagem, falaram que o que eu sentia tinha 85% de chances de ser Covid-19.”

Ary precisou ficar internado e, em seguida, transferido a um hospital da cidade para receber o tratamento adequado.

“Na madrugada do dia 13 de junho, me transferiram para a UPA da zona leste e depois me levaram para o hospital de campanha localizado na Arena Sorocaba. No dia 14, constataram uma alteração no exame de sangue e na chapa do pulmão”, explica.

Internação

No hospital de campanha, Ary teve uma piora no quadro clínico e precisou de aparelhos para conseguir respirar melhor.

“Ninguém me falou se eu estava contaminado ou não. Comecei a ficar sem ar, fiquei muito agitado por conta disso, e me deixaram em um quarto especial, com aparelhos para ajudar na respiração. Precisava ficar virado com a barriga para baixo, e não fiquei bom, cheguei a ter uma parada respiratória”, conta o paciente.

Ary ficou sem se comunicar com a esposa Roseli até a melhora no quadro clínico — Foto: Arquivo pessoal 2 de 3
Ary ficou sem se comunicar com a esposa Roseli até a melhora no quadro clínico — Foto: Arquivo pessoal

Ary ficou sem se comunicar com a esposa Roseli até a melhora no quadro clínico — Foto: Arquivo pessoal

Incomunicável

Após a piora no estado de saúde e a baixa resposta ao tratamento, Ary foi transferido para a ala de Covid-19 da Santa Casa. Porém, segundo a esposa dele, a auxiliar de enfermagem Roseli Bittencourt Correa, de 40 anos, o hospital não comunicou a família sobre a mudança.

“Todos os dias eles me ligavam para passar um relatório de informações e, nesse dia, não me ligaram e não passaram nenhuma informação. Fiquei preocupada e decidi eu mesma ligar. Falaram que ele ia fazer uma tomografia para analisar a situação. No dia seguinte, me avisaram do resultado e disseram que o pulmão dele estava 80% comprometido”, comenta a auxiliar de enfermagem.

Por conta do tratamento, Ary ficou incomunicável no hospital. Então, Roseli passou a acompanhar a situação todos os dias apenas com os médicos e informações que recebia de dentro da ala hospitalar.

“No dia 17, a médica disse que ele tinha ficado 40 minutos acordado e, após essa melhora, ele estava respondendo bem ao tratamento e que provavelmente ele seria desentubado no dia 19”, conta.

“Infelizmente, no dia seguinte, não conseguiram acordá-lo. Me falaram que talvez ele saísse dos tubos de respiração no dia 21, mas, no dia 20, me disseram que ele tinha piorado e que não estava mais respondendo ao tratamento, com o pulmão quase 100% acometido. Disseram que em até 48 horas ele podia morrer”, lembra Roseli.

O G1 entrou em contato com a Prefeitura de Sorocaba para pedir um posicionamento sobre a reclamação de que a família não foi comunicada sobre a transferência do paciente, mas não conseguiu retorno até a publicação desta reportagem.

Após um dia inteiro sem informações dos médicos, Roseli finalmente teve uma boa notícia: uma nova previsão de alta de Ary.

“Quando cheguei ao hospital no dia 22, logo de cara perguntaram se eu estava nervosa e, logicamente, acabei confirmando. Para minha felicidade, disseram que o Ary tinha saído dos tubos um pouco antes de eu chegar lá para saber a situação dele”, diz Roseli.

Dois dias depois, o paciente foi transferido para a enfermaria da Santa Casa e, enfim, pôde receber alguns itens da esposa, como o celular.

“Quando ele foi transferido, levei algumas coisas para ele, como roupa, celular, e aí pudemos conversar bastante. Eu já tinha enviado mensagens para ele quando soube que ele podia ficar com o celular, e a primeira mensagem dele para mim foi pedindo para a gente se cuidar muito. Quase nem conversamos, porque ele estava muito emocionado. Teve dia em que ficamos a noite toda conversando por videochamada”, relata a esposa.

Segundo a auxiliar de enfermagem, como a situação do marido estava complicada, foi necessário pedir uma “ajudinha” divina.

“O médico disse que era um milagre, porque o Ary estava muito ruim. A melhora dele foi de repente, o quadro mudou totalmente. Eu tinha pedido para o pastor da nossa igreja orar por ele. Depois agradecemos a todas as pessoas que nos acompanharam nisso.”

Esposa conversou com Ary por videochamada até a alta do hospital — Foto: Arquivo pessoal 3 de 3
Esposa conversou com Ary por videochamada até a alta do hospital — Foto: Arquivo pessoal

Esposa conversou com Ary por videochamada até a alta do hospital — Foto: Arquivo pessoal

Nova visão

Ary teve alta hospitalar no dia 27 e foi recebido em casa com uma surpresa preparada pela família (assista abaixo).

“Tinha combinado com os familiares que todos iriam vê-lo de longe. Também contratei uma telemensagem para passar um recado de carinho para ele no portão de casa. Ele não aguentou e chorou”, revela Roseli.

Morador de Sorocaba recebe alta após superar a Covid-19

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Mas o paciente conta que não foram apenas os parentes que o apoiaram durante a internação por conta do coronavírus.

“No trabalho deram apoio total. Todos ali festeiros, mas mandei as fotos de como estava no hospital e alguns já ficaram em situação de alerta, pois, em 15 dias, cheguei a perder 11 quilos”, comenta.

Ary ganhou homenagem da família por se recuperar do coronavírus

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O casal confessa que também não acreditava na gravidade da doença, mas agora sempre busca ajudar àqueles que perguntam como foi passar por essa situação.

“Não acreditava que fosse grave. Achava que era tudo política, conversa fiada. Hoje não desejo para o meu pior inimigo”, destaca Ary.

“Hoje espalhamos para as pessoas se cuidarem, porque a doença é verdadeira. Até pela situação do meu marido, muita gente nos adicionou nas redes sociais perguntando se era tudo verdade. Procuramos passar o máximo de informação, mesmo com o exame constando negativo”, completa a esposa.

CORONAVÍRUS

*Colaborou sob supervisão de Ana Paula Yabiku.

By Tribuna ABC

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