
Especialistas apontam que, apesar do bom indicativo, a população não deve ‘relaxar’ nos cuidados para prevenir o contágio. Blitz em Santos aplica testes de Covid-19 na população
Leandro Ordonez/Prefeitura de Santos
A transmissão do novo coronavírus desacelerou na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, nos últimos 30 dias, apesar do início da flexibilização das atividades econômicas. A reportagem analisou os dados divulgados diariamente pelas nove prefeituras da região. Mesmo sendo um bom indicativo, especialistas garantem que a população não pode ‘relaxar’ e deve manter os cuidados recomendados.
No dia 9 de junho, havia 12.769 casos confirmados de Covid-19 na região. Nos 15 dias seguidos, esse número cresceu 57% e chegou a 20.106 em 23 de junho. Porém, nas duas semanas seguintes, o crescimento foi menor (37%), chegando a 27.689 casos nesta terça-feira (7). Os dados de mortalidade apresentam a mesma tendência nos dois períodos, aumentando 47% e 22%, respectivamente (veja tabela abaixo).
Para o infectologista Marcos Caseiro, esses dados mostram uma clara estabilidade da doença na Baixada Santista. Porém, de acordo com ele, também é possível perceber que a desaceleração acontece nas cidades mais próximas, como Santos, São Vicente, Praia Grande e Cubatão. Esse não é o caso do litoral sul, composto por Peruíbe, Itanhaém e Mongaguá, que apresenta dados contrários. Entre 9 e 23 de junho, os casos cresceram 47%. Já de 23 de junho a 7 de julho, aumentaram 55%.
“Essa é uma doença que está se interiorizando. Enquanto as cidades mais próximas de Santos estão entrando em um período de estabilidade, os municípios do litoral sul estão registrando um maior crescimento. Mesmo assim, totalizando a região, temos uma diminuição no número de internações/leitos ocupados”, explica.
Para Caseiro, além de analisar o crescimento no número de casos, é muito importante verificar a mortalidade, que será o indicador mais fiel. “Independente de estar tendo muito caso ou não, o maior problema são as pessoas que estão morrendo. Isso porque a população vai continuar transmitindo, mesmo em menor velocidade. Temos que observar que a mortalidade também desacelerou”.
Crescimento dos casos na Baixada Santista
Para o infectologista Evaldo Stanislau, apesar do crescimento ter diminuído, o que representa uma estabilidade da doença, é muito importante deixar claro que o número de casos ainda não começou a cair. Isso significa que o vírus continua circulando pela Baixada Santista e infectando as pessoas, só que em menor proporção.
“Estão sendo infectadas pessoas suficientes para manter a região no nível que está. Enquanto alguns se curam ou acabam falecendo, outros são contaminados. Os números da Covid vinham ‘engordando’ muito e, de repente, deram uma estabilizada, mas ainda não ‘emagreceram’. Precisamos observar nas próximas semanas, para entender a situação da doença”.
De acordo com o médico, essa desaceleração ainda não deve ser atribuída à população ou aos governantes, visto que não foi tomada nenhuma medida extrema para controlar o contágio. A única ação capaz de diminuir verdadeiramente a circulação viral seria um ‘lockdown’, o que não foi implantado na Baixada Santista em nenhum momento.
“Parte das pessoas aderiu ao distanciamento, mas outra parte continuou indo para a rua. Ficamos em um meio termo e, nas últimas semanas, [a quarentena] perdeu adesão. Estou estudando uma hipótese de que a população, de alguma forma, desenvolveu uma imunidade ligada aos linfócitos, o que não tem relação com os anticorpos, é um outro mecanismo de defesa do corpo. Isso teria dificultado o vírus de se expandir”.
Subnotificações
Outra preocupação do infectologista é a demora para saírem os resultados dos exames laboratoriais, o que gera um atraso nas notificações. Por isso, segundo o caseiro, não é possível ter uma visão imediata da situação do coronavírus na Baixada Santista, visto que os números divulgados diariamente representam um momento passado.
“Voltamos a enviar os testes para o Instituto Adolf Lutz, que leva cerca de 15 dias para dar um resultado. Quando esses dados forem sendo notificados, será de forma retroativa. De qualquer forma, analisando os dados, acredito que já passamos pelo pico da doença no meio de junho, como estava previsto no estudo epidemiológico. Esse é um excelente indicativo”.
Mesmo com a desaceleração no crescimento do número de casos, os especialistas garantem que é fundamental manter os cuidados para evitar o contágio. A população deve continuar usando máscaras de proteção, sair de casa apenas quando for extremamente necessário, manter o distanciamento social recomendado e se atentar à lavagem de mãos com frequência. “Temos uma nova realidade e não podemos nos esquecer disso. Apenas os cuidados farão a região melhorar”.
Baixada Santista tem desaceleração na transmissão do novo coronavírus
