Pesquisa que avalia potencial de consumo da população indica mudanças no Alto Tietê diante da crise provocada pela pandemia

Pandemia muda características de consumo no Alto Tietê

Pandemia muda características de consumo no Alto Tietê

Ao longo do ano, as pessoas fazem contas: são gastos com moradia, transporte, alimentação, lazer, entre outros. Alguns ficam no “vermelho”, enquanto outros conseguem poupar.

Em um período de pandemia, a questão financeira também fica em evidência. Uma empresa de consultoria fez uma pesquisa para avaliar o potencial de consumo da população, que incluiu dados do Alto Tietê e que mostrou mudanças de gastos das pessoas em determinadas áreas.

O padrão de vida foi uma das coisas que mudaram. De 2019 para cá, pessoas que faziam parte da classe A, por exemplo, migraram para a B. Mas muitas conseguiram manter o padrão de vida, gastando só o necessário.

“A gente está gastando o mínimo possível, com alimentos, e pagando as contas, porque você não sabe o dia de amanhã. A insegurança está muito grande. Se sobra, a gente tenta guardar para o mês seguinte”, disse a artesã Ana Lúcia.

Todos os anos, uma empresa de consultoria faz uma pesquisa no país para avaliar o potencial de consumo da população. Trata-se de um levantamento que analisa a maneira como as pessoas usam o dinheiro e quais são os principais gastos dentro do orçamento familiar, por exemplo.

Para este ano, na região do Alto Tietê, a pesquisa mostrou que, entre os gastos, o maior será com habitação. Pagamentos de aluguel e de contas de água e luz podem chegar a R$ 10,6 bilhões. Manutenção com veículos e combustível serão o segundo maior gasto no Alto Tietê, com R$ 3,9 bilhões. A alimentação dentro de casa é o próximo item da lista: R$ 3,2 bilhões. Mesmo durante a pandemia, com as pessoas ficando mais tempo dentro de casa, a previsão deste ano é quase R$ 1 bilhão menor do que a de 2019.

“A gente costuma ir naqueles que sempre temos costume de usar. Não tem aquela coisa de usar porque é a marca famosa. A gente usa aqueles que temos o costume porque gostamos. O sabão em pó, por exemplo, não é o da marca famosa, mas sim aquele com que estamos acostumados e que para nós está bom”, comentou o administrador de empresas Ricardo Mendrone.

Do outro lado da lista, as pessoas vão deixar de gastar com alimentação fora de casa (redução de R$ 138 milhões), com o fumo (menos R$ 205 milhões) e com a compra de livros e material escolar (R$ 235 milhões a menos).

“No alimentar, as pessoas não estão consumindo menos em volume. Elas estão começando a consumir produtos mais baratos. Um exemplo: se você consumia uma marca de arroz que era líder de mercado e você passou a consumir uma segunda marca, você consome o mesmo pacote de cinco quilos de arroz, mas você consome, em reais, 10% a menos. Então não é simplesmente um volume menor de consumo”, explicou o presidente de uma rede de supermercados no Alto Tietê, Sandro Benelli.

Pandemia mudou o perfil de consumo de muitas pessoas no Alto Tietê — Foto: Reprodução/TV Diário 1 de 1
Pandemia mudou o perfil de consumo de muitas pessoas no Alto Tietê — Foto: Reprodução/TV Diário

Pandemia mudou o perfil de consumo de muitas pessoas no Alto Tietê — Foto: Reprodução/TV Diário

Para ele, 2020 era visto como um período de retomada, mas a pandemia mudou os planos. “A gente estava preparado para fazer um crescimento significativo. Agora, nossa expectativa é fazer estratégia para que a gente pelo menos mantenha nossa meta inicial de crescimento, mas é lógico que não está fácil. O desemprego está aumentando, a queda de consumo está aumentando. Provavelmente, podemos ter alguma dificuldade no terceiro e no quarto trimestre para atingirmos nossas metas”.

Em todo o Brasil, o potencial de consumo neste ano vai encolher 5,39%, menor valor desde 1995, quando a pesquisa começou a ser feita. O cenário deve ser muito parecido com o que a economia viveu em 2010 e 2012.

Mesmo com o cenário de incertezas, a participação do Alto Tietê no índice nacional cresceu de um ano para o outro. No ano passado foi de 0,80%, e neste ano subiu para 0,84%. Das dez cidades analisadas, só três não conseguiram contribuir para esse número: Ferraz de Vasconcelos, Biritiba Mirim e Itaquaquecetuba. Mesmo com esse desempenho positivo, os analistas alegam que isso não significa que a região está melhor que o país diante da pandemia do novo coronavírus, mas sim que o impacto de tudo isso tem sido menor na região.

“As previsões que fizemos para o Brasil são as piores desde que fazemos esse estudo, em 1995. Uma queda do PIB de 5,89%, que ainda pode ser revisada para uma queda maior, e no consumo uma queda de 5,39%. Essa queda Brasil está refletida nos números do Alto Tietê. O que acontece é que, por conta dessa quantidade de domicílios por classe econômica e valores de renda da região, houve esse aumento de participação em relação ao total do Brasil. Não é porque está melhor do que outras regiões. É que, de repente, os impactos no Alto Tietê foram menores do que se verificou, por exemplo, na região Nordeste, onde houve uma queda grande de potencial de consumo de capitais”, explicou Marcos Pazzini, sócio-diretor da IPC Marketing.

No ranking nacional desta pesquisa, Mogi das Cruzes aparece na posição 49. No estado, ficou em 13º, dois lugares acima do registrado em 2019.

“É uma região que teve um crescimento entre 2019 e 2020. De repente passou melhor por esse momento de crise, e com certeza será analisada em um momento de investimento em uma unidade própria, ou eventualmente na abertura de um shopping center, dado o potencial de consumo da região. Esse material serve tanto para indicar esse tipo de investimento para investidores, como para abertura de lojas de franchising”, completou.

By Tribuna ABC

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