1 de 3Pacientes aguardam retomada de tratamentos médicos suspensos por conta da pandemia — Foto: Reprodução/TV TEM
Pacientes aguardam retomada de tratamentos médicos suspensos por conta da pandemia — Foto: Reprodução/TV TEM
Por conta da pandemia, todo atendimento não urgente foi suspenso nas Unidades Básicas de Saúde. Os profissionais da saúde, então, adotaram novas regras para o acompanhamento de pacientes.
Nas 32 Unidades Básicas de Saúde de Sorocaba (SP), por exemplo, as consultas e exames que não são de urgência foram suspensos para evitar aglomerações. Com isso, pacientes que precisam fazer exames ou passar com especialistas estão preocupados.
O comerciante Joaquim Mariano Neto contou que marcou exames de rotina em fevereiro, como de sangue e próstata. Porém, ele explicou que por conta da pandemia tudo foi adiado e que está até agora sem fazer os exames que faz todo ano.
“Eu marquei meus exames em fevereiro, mas em março paralisou tudo. No mês seguinte eu também tinha um exame e me falaram que não teriam previsões. Já estamos em julho e eu preciso fazer esses exames”, explica.
E a orientação para quem está bem de saúde é esperar a pandemia passar. Assim como Joaquim, milhares de pessoas tiveram as consultas e os exames suspensos.
A Secretaria de saúde informou que o número de consultas diminuiu 30% desde março. Antes da pandemia, a média era de 40.945 atendimentos por mês nas UBSs. Agora, a média é de 27.659 consultas. De março a junho, quando as novas recomendações estavam valendo, foram feitos 82.977 atendimentos.
2 de 3Pacientes aguardam retomada de tratamentos médicos suspensos por conta da pandemia — Foto: Reprodução/TV TEM
Pacientes aguardam retomada de tratamentos médicos suspensos por conta da pandemia — Foto: Reprodução/TV TEM
Segundo a Gestora de Atenção Básica da prefeitura Tatchia Garcia, gestantes, crianças menores de um ano ou com um quadro de risco, continuam passando por exames e consultas. Pacientes com hipertensão e diabetes, por exemplo, que fazem parte do grupo de risco, são acompanhados a distância.
Ela contou que a chamada “busca ativa” funciona por meio de telefonemas para saber se o paciente está com a doença controlada, se apresentou alguma sintoma diferente, ou se precisa de uma receita para medicamentos.
“Os pacientes que estão com sintomas de quadro crônico podem sim entrar em contato com as UBSs, de preferência por telefone para tirar dúvidas num primeiro momento. Caso as dúvidas persistam, pedimos que procurem sim uma Unidade de Saúde”, explica.
Ter o tratamento interrompido preocupa ainda mais quando o paciente tem uma doença grave. Esse é o caso do pai do Arnaldo da Silva, de 75 anos, que mora em Sorocaba.
Arnaldo foi diagnosticado com câncer no esôfago há quase um ano e precisa fazer cirurgia. Mas agora, a família está temendo que essa espera possa ser mais longa.
“Ele chegou a ser internado para fazer cirurgia em novembro, mas depois de duas horas de espera no centro cirúrgico, foi informado que não seria operado porque não tinha leito de UTI. Na semana seguinte passou por consulta, descobriram que ele estava no centro cirúrgico com exames de outro paciente”, contou.

Pacientes aguardam retomada de tratamentos suspensos por causa da pandemia
A situação gerou insegurança para toda a família e, segundo Ana Paula, o médico pediu outros exames depois do acontecido. Para agilizar, a família pagou tudo, mas desde março não tem resposta.
O atendimento do Arnaldo seria no Conjunto Hospital de Sorocaba. Para agilizar o processo antes da cirurgia, a família explicou que gastou R$ 1 mil com exames em um laboratório particular, e agora, Ana Paula diz que estão com receio dos exames perderem a validade.
Por e-mail, Ana Paula disse que cobrou uma resposta sobre o andamento do processo para cirurgia no CHS. Em abril, o hospital informou que o idoso estava na fila para uma consulta com o especialista, e que em maio a família deveria enviar outro e-mail.
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Pacientes aguardam retomada de tratamentos médicos suspensos por conta da pandemia — Foto: Reprodução/TV TEM
Em junho, ela entrou novamente em contato, seguindo a orientação anterior. Dias depois, a resposta foi que o atendimento estava suspenso e que era para esperar uma ligação da central de agendamento. Em letras maiúsculas, mais um recado: “não enviar mais e-mails, o serviço será desativado no início de agosto”.
“As pessoas não podem morrer de Covid-19, mas elas podem morrer de câncer? Porque no caso do meu pai, o tempo é tudo pra ele”, desabafa Ana Paula.
A Secretaria de Saúde do Estado informou que vai entrar em contato com a família para programar atendimento e dar orientações.
Rebateu, ainda, que o cancelamento da cirurgia, em dezembro, foi por decisão do paciente e não por falta de leito de UTI. A secretaria informou também que os procedimentos são realizados de acordo com a gravidade e urgência seguindo normas do SUS.
