
Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba, continua com alta taxa de ocupação
A taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 do único hospital público de Itaquaquecetuba, o Santa Marcelina, continua alta e foi de 95% nesta quarta-feira (8), de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde.
Há uma semana, o Centro de Contingência do Coronavírus do Estado recomendou que Itaquaquecetuba voltasse à fase vermelha do Plano São Paulo, com funcionamento apenas dos serviços essenciais, o que não foi seguido pelo município.
Três vezes por semana, Juvenilda Bezerra chega cedo ao Santa Marcelina. Ela vai até o local para acompanhar o marido, que tem insuficiência renal e precisa fazer hemodiálise. Por conta da pandemia, a dona de casa espera do lado de fora.
“Ali estão passando pacientes infectados. A gente ficava lá dentro, mas agora eles falam que é melhor evitar. Então eu fico aqui”, falou ela.
O Santa Marcelina é o único hospital público do município, que tem quase 370 mil habitantes. Os leitos de UTI da unidade são fundamentais para tratar pacientes graves da Covid-19. Mas a unidade está no limite, uma vez que 95% dos 22 leitos de terapia intensiva estão ocupados.
1 de 1Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba — Foto: Alessandro Batata/TV Diário
Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba — Foto: Alessandro Batata/TV Diário
Para tentar aumentar a oferta de leitos na cidade, a Prefeitura de Itaquaquecetuba montou um hospital de campanha na UPA do Jardim Caiuby. São 20 leitos, sendo cinco de estabilização com respiradores. Mas a unidade, inaugurada em junho, não conta com nenhum leito de UTI e funciona apenas como uma central de triagem e de internação para casos menos graves.
A falta de leitos de UTI disponíveis na cidade levou o Governo do Estado a recomendar que Itaquaquecetuba voltasse à fase vermelha do plano de retomada econômica, o que permitiria apenas o funcionamento dos serviços essenciais. Mas a Prefeitura não cumpriu a recomendação e manteve o município na fase laranja, que permite a abertura do comércio de rua, dos shoppings, além de concessionárias de veículos, escritórios e imobiliárias, todos com restrições.
Para o especialista em gestão de saúde Marcello Cusatis, a decisão da Prefeitura de ir contra a recomendação é arriscada. Porém, ele pondera e diz que a responsabilidade de garantir mais leitos de UTI é do Estado e não da Prefeitura.
“As UPA’s têm uma capacidade, e isso é por legislação de UPA, de ficar com pacientes graves por até 24 horas. A UPA não foi concebida para se tornar um hospital de longa permanência, que é o caso de pacientes com Covid, que às vezes precisam ser entubados e têm uma permanência maior”, falou Cusatis.
“Todas as atitudes que vão contra um Centro de Contingência que tem todas as informações, obviamente, colocam a população em um risco maior. Por outro lado, é importante essa pressão da Prefeitura para que o Governo do Estado ofereça os leitos que foram acordados no Condemat, que contempla toda a nossa região”, completou.
Cusatis diz ainda que uma saída para desafogar o Santa Marcelina seria disponibilizar os leitos de dois outros hospitais da região. “Seriam o HC de Suzano e o Doutor Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, que são mais de 50 leitos de UTI que o Governo do Estado prometeu para o Condemat e ainda não cumpriu na prática.”
Nesta quarta-feira, a ocupação média em leitos de UTI para Covid-19 nos três hospitais estaduais do Alto Tietê foi de 68%. No Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi, que conta com 22 leitos de UTI para Covid-19, a ocupação era de 55%, enquanto no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos, que conta com 13 leitos de UTI destinados a pacientes com a doença, a ocupação era de 54%.
Posição do Estado
Vinte novos leitos de clínica foram abertos nesta quinta-feira (9) no Hospital das Clínicas de Suzano. O Consórcio dos Municípios do Alto Tietê esperava por leitos de UTI não só nesta unidade como em outras, conforme afirma ter sido divulgado pelo Estado anteriormente. O coordenador de regiões de saúde do Estado, Osmar Mikio Moriwak, afirmou que o Estado só vai abrir novos leitos se houver necessidade.
“O Estado está sim fazendo seu papel na região, como em todo o Estado de São Paulo. Desde o mês de fevereiro nós estamos trabalhando intensivamente na abertura de novos leitos de UTI para atender a população. Na grande maioria nós tivemos apoio das Prefeituras, a tal ponto que o município, principalmente Mogi das Cruzes e Suzano, outros municípios como Guarulhos, todos esses tiveram esforços, também com seus equipamentos, para ampliar a oferta de leitos de clínica, como também de leitos de UTI”, disse.
Segundo Moriwak, desde o início da pandemia foi feita uma varredura dos leitos disponíveis em todo Estado e foi feita a ampliação da oferta de leitos. “Nós estamos trabalhando dentro de uma lógica de regionalidade. Então nós temos um sistema, que é a Cross, que é a Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde, que tem a responsabilidade de, a medida que o serviço de saúde alcança um determinado número de leitos e precisa de leitos de UTI, esse serviço faz a regulação para enviar o paciente de um município para outro município”, afirmou.
“Posso lhe garantir, a todos os telespectadores da TV Diário, de que os munícipes da região do Condemat, todos terão acesso a um leito de UTI se assim precisar”, continuou.
A média de ocupação dos leitos de UTI do Estado nesta quarta estava em 68%. “Nesse momento a região não tem necessidade de mais leitos de UTI. Nós estamos trabalhando dentro do Plano São Paulo. A taxa de ocupação de alerta é 80%. A gente está trabalhando, tanto é que o Plano São Paulo não coloca vermelho, amarelo, verde, por município. Ele está fazendo a classificação por região, levando em consideração o total de oferta de leitos de UTI, número de pacientes internados, isso que estabelece o valor da chamada taxa de ocupação de leitos de UTI da região. E aí a gente sabe se está numa situação que tem necessidade de ampliar mais ou diminuir número de leitos de UTI”, afirmou o coordenador.
Moriwak afirmou que a lógica do Plano São Paulo é regional, já que a oferta de leitos segue critérios regionais, mas que o prefeito não deixa de ter responsabilidade. “
“É claro que cabe ao gestor estadual, neste caso, o governo do Estado está chamando a atenção particularmente do município de Itaquaquecetuba, de que hoje a sua taxa de ocupação, dos leitos disponíveis do município está acima do limite prudencial que nós trabalhamos, de 80%. Só que o Plano São Paulo trabalha com cinco indicadores e esses cinco indicadores que vão fazer a pontuação e vão estabelecer em qual fase o município e a região deveria estar. Se o município de Itaquaquecetuba não adota as medidas de isolamento social, a obrigatoriedade de uso de máscara, não obriga o distanciamento social, não adota os protocolos exigidos para que o comércio, para que os serviços funcionem normalmente, isso não pode ser uma responsabilidade que vai afetar toda região. O prefeito da cidade também tem a responsabilidade de garantir que o seu município obedeça a questão do isolamento, uso de máscara.”
