1 de 3O videolaringoscópio criado pela parceria entre o Sírio Libanês, o HC e as empresas Forge e Ambev. — Foto: Divulgação
O videolaringoscópio criado pela parceria entre o Sírio Libanês, o HC e as empresas Forge e Ambev. — Foto: Divulgação
A parceria público-privada dos hospitais Sírio-Libanês e Hospital das Clínicas, em São Paulo, com duas empresas particulares, conseguiu desenvolver um videolaringoscópio brasileiro que ajuda profissionais de saúde a intubar pacientes com problemas respiratórios como os causados pela Covid-19, reduzindo os riscos de contaminação dos médicos.
O videolaringoscópio ajuda na introdução do tubo na traqueia de pacientes e é usado no momento da intubação. Ele fornece uma visão ampla da laringe e das cordas vocais dos pacientes, facilitando o processo de intubação. O equipamento já existe, mas é importado pelos hospitais porque não tem produção no Brasil.
O produto brasileiro foi criado a partir de impressoras 3D da start-up Forge, que faz parte do ecossistema de inovação da cervejaria Ambev em Guarulhos, na Grande São Paulo. Com o aparelho, é possível aos médicos realizarem o procedimento de intubação dos pacientes a uma distância segura, reduzindo os riscos de contrair doenças, diminuindo também os danos aos pacientes.
O preço do equipamento no exterior chega a US$ 2 mil. Porém, com a parceria idealizada por um grupo de médicos residentes do Hospital Sírio-Libanês, o equipamento pode ser fabricados aqui ao custo de R$ 40 por unidade, reduzindo o preço do produto 270 vezes, segundo os criadores.
“Neste momento estamos em fase final dos testes, com aprovações em provas do Inmetro, aguardando aprovação da Anvisa e no processo de aprovação do projeto clínico pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP)”, afirma a coordenadora do projeto, a médica Claudia Simões, do Serviço Médico de Anestesia (SMA) do Hospital Sírio Libanês.
Segundo a médica, a iniciativa foi testada em manequins e começará a ser avaliada em estudos clínicos no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e no Instituto Central (ICHC), ambos do complexo hospitalar do Hospital das Clínicas de São Paulo, assim que as aprovações saírem.
“Além do ICESP e do ICHC, que coordenarão o estudo clínico, estamos mapeando outras instituições públicas de saúde que podem beneficiar-se do equipamento”, afirma a médica.
2 de 3Médicos e enfermeiros cuidam de paciente em UTI para tratamento de Covid-19 em São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo
Médicos e enfermeiros cuidam de paciente em UTI para tratamento de Covid-19 em São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo
As empresas Forge e Ambev informaram que, assim que o equipamento for aprovado nos estudos clínicos, iniciarão a produção de 2 mil unidades, que serão doadas para hospitais de todo o Brasil.
“Quando as notícias da pandemia começaram a chegar de outros países, principalmente sobre a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), nós sabíamos que a impressora 3D seria uma ferramenta muito valiosa para o combate da COVID-19. Isso tudo devido à versatilidade e rapidez da tecnologia, que permitiu fazermos testes e adaptações com agilidade e sem custo. Uma vez validado o projeto, em poucos minutos começamos a produção”, afirma o fundador da Forge, Gabriel Domene.
O CEO da Ambev, Jean Jereissati, destaca que o videolaringoscópio é essencial para ajudar a proteger os médicos que, normalmente, precisam se aproximar muito dos pacientes para intubá-los e correm o risco de se expor ao vírus.
“Desde o início da pandemia no Brasil, dei um desafio claro para todo o time: usar nossa capacidade e recursos para ajudar o Brasil a enfrentar esse momento. O time buscou parceiros no nosso ecossistema e encontrou essa solução incrível que protege os médicos e médicas que estão na linha de frente”, afirma Jereissati.
De acordo com a Ambev, o videolaringoscópio desenvolvido pela parceria também possibilita a captação de imagem por meio de celular. Porém, ao invés de ter uma tela acoplada como os modelos importados, utilizou-se uma câmera que, conectada com o celular ou computador, serve como tela para reproduzir as imagens captadas pelo aparelho nos pacientes.
3 de 3Hospital Sírio Libanês, no Centro de São Paulo. — Foto: Reprodução/Rede Globo
Hospital Sírio Libanês, no Centro de São Paulo. — Foto: Reprodução/Rede Globo
