Motoristas de ônibus municipais anunciam nova paralisação em Bertioga, SP

Motoristas paralisaram atividades durante a manhã desta sexta-feira (10) — Foto: G1 Santos 1 de 1
Motoristas paralisaram atividades durante a manhã desta sexta-feira (10) — Foto: G1 Santos

Motoristas paralisaram atividades durante a manhã desta sexta-feira (10) — Foto: G1 Santos

Motoristas da empresa Viação Bertioga, que opera o transporte público em Bertioga, no litoral paulista, entraram em greve por tempo indeterminado na manhã desta sexta-feira (10). Segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Santos (Sindrod), que representa a categoria, há funcionários com salário atrasado desde maio.

Os profissionais da Viação Bertioga já seguiam determinação de uma liminar da Justiça que os obrigava a manter frota de, pelo menos, 80% dos veículos em circulação em horários de pico e 60% durante o restante do dia. A decisão veio após paralisação no dia 15 de junho.

A classe alega falta de pagamento do salário, do vale-refeição e de cestas básicas que deveriam ter sido entregues em maio para alguns funcionários e em junho para todos. No começo da tarde desta sexta, representantes da empresa, da Prefeitura de Bertioga e dos motoristas se reuniram para conversar sobre a situação financeira da concessionária e as condições da greve.

A prefeitura informou, por meio de nota, que vem acompanhando atentamente as questões que envolvem o transporte público coletivo. Por questões legais e contratuais, a administração municipal não tem qualquer ingerência em assuntos trabalhistas, muito embora se solidarize com o sofrimento da força de trabalho da empresa, bem como se preocupa sobremaneira com a população bertioguense, que sofre com a falta de transporte.

A licitação do transporte já foi publicada, e está seguindo seu trâmite e prazos legais. A prefeitura só poderá atuar em caso de uma ausência total do transporte público, legalmente comprovada, por meio de uma renúncia da empresa concessionária ou qualquer outro meio legal.

Também em nota, a Viação Bertioga afirmou que o transporte coletivo foi um dos setores que mais sofreram com a pandemia da Covid-19, não só no Brasil como no mundo. A perda de passageiros, segundo a empresa, passou de 80%, somado à suspensão do transporte escolar.

De acordo com a concessionária, no último ano, a empresa perdeu aproximadamente um milhão de passageiros, situação também decorrente da participação do transporte ilegal na cidade de Bertioga. Neste cenário, o faturamento diário da empresa não ultrapassa a marca de R$ 8 mil, valor pífio diante do quadro de funcionários ativos.

Durante a pandemia, a empresa não desligou nenhum funcionário sem justa causa. Mesmo com as aulas suspensas e sem nenhuma previsão de retorno, manteve o quadro de motoristas e monitoras. Além disso, informa que não existem verbas de subsídios para a Viação Bertioga por parte do governo.

A empresa afirma, ainda, que há uma defasagem tarifária que se arrasta há anos, com o não cumprimento do que é acordado no contrato de concessão que preconiza reajustes anuais para permitir o equilíbrio financeiro.

By Tribuna ABC

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