
Prefeitura cria selo para empresas que celebram a inclusão
As inscrições para as empresas paulistanas receberem o selo de Direitos Humanos e Diversidade estão abertas até o dia 16 de agosto. O selo foi criado pela Prefeitura de São Paulo para incentivar as empresas a promover a inclusão, seja contratando população de rua, estrangeiros ou qualquer pessoa que, por causa do preconceito, tenha maiores dificuldades de conseguir emprego.
Uma mulher, negra, que foi imigrante por 4 anos na Itália. A empresária Maíra Costa conhece mais do que gostaria a palavra preconceito. E transformou a mágoa em luta. Ela fundou uma empresa que faz comida para eventos e fez questão de contratar estrangeiras.
“A gente já teve funcionárias angolanas, haitianas, da República Dominicana, venezuelanas, congolesas. E o que elas trouxeram? Receitas, vivências, possibilidade, muita possibilidade de troca”, afirma Maíra.
Foi essa troca que a cozinheira Ariana Marcondes de Oliveira vivenciou no dia a dia da cozinha. Com avó mineira e avô do interior de São Paulo, ela contou os truques do Brasil e recebeu o mundo.
“A gente aprende muito. Tanto na parte de cultura, na parte de línguas. Do mesmo jeito que eles se adaptam a nós, a gente acaba se adaptando, provando, o que a gente de repente pode achar estranho no começo se surpreende com sabores diferentes”, conta.
Na cozinha, no meio dos utensílios, estão os dois selos que a empresa já conquistou por ajudar na luta por inclusão. Eles servem pra lembrar que essa é uma batalha contínua que tem um começo, mas não pode ter um fim.
Até porque todos os dias a capital recebe gente como a Katheryn Georges. Ela nasceu no Haiti, morou na República Dominicana, mas é o Brasil que ela chama de casa.
“Nossa, muito grata. Muito, muito mesmo. Nossa [me emociono] bastante. Se eu fico falando muito eu vou chorar.”
O selo de Direitos Humanos e Diversidade, criado em 2018, quer estimular mais acolhidas como essa e não só de imigrantes, de acordo com Cláudia Carletto, secretária municipal de Direitos Humanos e Cidadania.
“A gente tem 11 categorias do selo que vão desde a inclusão de mulheres, da população LGBTI, de igualdade racial, população em situação de rua, ou seja, sempre preconizando esses públicos mais vulneráveis que por um motivo ou outro não conseguem ingressar no mercado de trabalho”, afirma.
A expectativa da Prefeitura é que 200 empresas de candidatem a receber o selo, o dobro do ano passado. hamburgueria do empresário Luiz Granata está de olho no prêmio de novo.
“A gente fez desde a primeira vez, fomos convidados e participamos e todas as vezes que a gente puder continuar apoiando a iniciativa. Falar sobre diversidade tem que ser de dentro pra fora”, afirma ele.
Foi pensando assim que ele contratou a Rafaela Miranda Gomes. Ela é trans e, por dois anos, só encontrou portas fechadas nas empresas.
“Nossa, senti que um peso saiu das minhas costas, porque eu cheguei aqui, me acolheram tão bem. Foi tão verdadeiro que eu falei é aqui que eu quero ficar. Nós somos pessoas comum, somos pessoas como qualquer outra. As pessoas precisam estudar um pouco mais e entender q a trans é uma coisa natural, não foi inventada agora de modinha, é algo natural que já nasce com o ser humano, não tem como mudar.”
