1 de 1Médicos intensivistas estão em falta nas UTIs de Sorocaba durante pandemia — Foto: Reprodução/TV TEM
Médicos intensivistas estão em falta nas UTIs de Sorocaba durante pandemia — Foto: Reprodução/TV TEM
A pandemia de coronavírus mostrou a necessidade da estrutura hospitalar estar adequada para receber e tratar os pacientes. No entanto, os médicos intensivistas, que são os profissionais especializados no atendimento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), estão em falta em Sorocaba (SP).
É para este setor que são transferidos os doentes em estado crítico. Contudo, a pandemia lotou e na cidade, a taxa de ocupação na UTI tem sido alta nas últimas semanas, mesmo com o aumento de leitos.
Antes da pandemia, a Santa Casa de Misericórdia, por exemplo, tinha 40 leitos de UTI. Em pouco tempo, esse número dobrou: agora são 40 leitos de UTI para adultos com coronavírus.
Equipamentos, como respiradores mecânicos, são essenciais para o setor, mas encontrar profissionais qualificados para dar plantão em UTI é uma dificuldade.
Os médicos intensivistas atuam e também podem chefiar uma ala de UTI. São esses profissionais que acompanham a evolução dos pacientes e ajustam o tratamento com o passar dos dias.
Quando não há intensivistas suficientes, são os profissionais habilitados, com conhecimento e experiência, que dão suporte para a equipe.
Luis Frederico Gerbase é coordenador clínico da Santa Casa e disse que a unidade já contratou profissionais até de outros estados, como Minas Gerais, para dar conta da demanda.
“Está cada vez mais difícil recrutar estes profissionais. Entramos em contato com conhecidos e pessoas ligadas a hospitais, para termos profissionais que consigam dar conta de fazer uma unidade de terapia intensiva render o que esperamos dela”, disse.
Dos 74 médicos que trabalham na ala Covid da Santa Casa, somente dois são intensivistas. Vivian Jaqueline Lima Leoneza é uma das coordenadoras da UTI e conta que não é todo profissional que se adapta ao ambiente. A médica diz que trabalhar na UTI é ganhar tempo para que o organismo do paciente se recupere.
“Para um médico trabalhar em unidade intensiva ele precisa ter alguma experiência com pacientes críticos e situações de instabilidade. Já tínhamos previsto que nós iriamos ter dificuldade em recrutar profissionais”.

Médicos intensivistas estão em falta no Brasil durante pandemia
A Associação de Medicina Intensivista Brasileira (Amib) divulgou que uma equipe de UTI deve estar preparada para dobrar a capacidade de atendimento em uma situação de contingência, mas nem sempre há equipes para isso.
A associação ouviu mais de 300 profissionais que atuam em hospitais públicos e particulares de todos os estados. A pesquisa mostrou que havia menos de cinco médicos intensivistas em 55% das UTIs.
A maior preocupação dos profissionais é o receio de contaminação da equipe que está na linha de frente. Para cada 10 leitos de UTI, a associação diz que são necessários sete intensivistas, seguindo a resolução da Anvisa.
De acordo com o coordenador do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus no Estado de SP, Carlos Carvalho, médicos recém-formados estão trabalhando com casos de Covid-19 assim que finalizam a residência.
“Alguns médicos recém-formados, que estão ainda em formação como residentes, foram deslocados e capacitados para atender especificamente casos de Covid”, disse.
O Ministério da Saúde informou que, até a primeira quinzena de junho, 541 médicos intensivistas e emergenciais se cadastraram em uma plataforma do governo que ajuda a encontrar profissionais.
Além de médicos, uma UTI também precisa de uma equipe multidisciplinar, como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, técnicos de enfermagem e enfermeiros.
Profissionais que, muitas vezes, trabalham em mais de um hospital e estão sobrecarregados por oferecer o cuidado necessário para salvar a vida dos pacientes.
