Pesquisadora exonerada de cargo no Inpe diz que não sabe motivo de demissão do posto

Lubia Vinhas é pesquisadora do Inpe; página mostra informações de formação acadêmica dela — Foto: Reprodução/ Inpe 1 de 2
Lubia Vinhas é pesquisadora do Inpe; página mostra informações de formação acadêmica dela — Foto: Reprodução/ Inpe

Lubia Vinhas é pesquisadora do Inpe; página mostra informações de formação acadêmica dela — Foto: Reprodução/ Inpe

A pesquisadora Lubia Vinhas, exonerada da coordenação-geral de Observação da Terra do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), disse que não sabe o motivo da demissão do cargo.

A exoneração dela no cargo, assinada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, foi publicada na edição desta segunda-feira (13) do “Diário Oficial da União” e vem após um alerta de desmatamento recorde na Amazônia.

Procurada pelo G1, a pesquisadora informou que não foi comunicada do desligamento do posto, mas ressaltou que é servidora concursada do Inpe há 23 anos e, além da carreira técnica, assumiu alguns cargos de gestão.

Entre eles, a partir de março de 2018, a Coordenação Geral de Observação da Terra, núcleo do Inpe (CGOBT), que tem diversos programas sobre sua coordenação, entre eles o Programa de Monitoramento da Amazonia.

De acordo com a pesquisadora, ela não era responsável diretamente pelo Monitoramento da Amazonia, mas o programa era um dos que estavam ligados ao CGOBT.

Lubia Vinhas tem mestrado e doutorado em computação aplicada pelo Inpe.

Procurado, o instituto informou em nota que “desde o início das conversas sobre a reestruturação, já estava prevista a relocação da Dra. Lubia Vinhas do cargo de Coordenadora-Geral da CGOBT para o cargo de Chefe da Divisão de Projeto Estratégico, que tratará implementação da nova Base de Informações Georreferenciadas (“BIG”) do INPE, uma demanda do Ministro Pontes. Esta, por sinal, é a área primária de formação e expertise da Dra. Lubia Vinhas”.

“A Direção do Instituto reforça que as atividades associadas ao monitoramento do desmatamento da Amazônia, bem como as demais atividades operacionais do Instituto continuarão sendo realizadas e tendo como premissas os critérios técnicos e científicos de praxe”, conclui a instituição no comunicado, que foi disponibilizado no site.

Após recorde de alerta de desmatamentos na Amazônia, governo exonera coordenadora do Inpe

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Exoneração

A Observação da Terra é a área do Inpe responsável, entre outras atribuições, pelo monitoramento da devastação da Amazônia, por meio do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter).

No acumulado do semestre, os alertas indicam devastação em 3.069,57 km² da Amazônia, aumento de 25% em comparação ao primeiro semestre de 2019. Só em junho, a área de alerta foi de 1.034,4 km².

Os dados servem de indicação às equipes de fiscalização sobre onde pode estar havendo crime ambiental. Os números não representam a taxa oficial de desmatamento, que é medida por outro sistema, divulgado uma vez ao ano.

Em nota divulgada pouco após a exoneração, o Greenpeace afirmou que a demissão “não supreende” em razão de decisões anteriores tomadas pela gestão Jair Bolsonaro, mas “dá novamente a entender que o governo é inimigo da verdade”.

Alertas de desmatamento na Amazônia em 2020, em km²
Índices indicam que, mesmo na pandemia, a derrubada de árvores no bioma não foi interrompida
Fonte: Deter/Inpe
Sede do Inpe, em São José dos Campos — Foto: Pedro Melo/TV Vanguarda 2 de 2
Sede do Inpe, em São José dos Campos — Foto: Pedro Melo/TV Vanguarda

Sede do Inpe, em São José dos Campos — Foto: Pedro Melo/TV Vanguarda

By Tribuna ABC

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