Mulher agredida por PM diz em depoimento que ficou trancada em sala fedida e escura em delegacia de SP

Dona de bar agredida por policial militar em Parelheiros dá novos detalhes do caso

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A dona de bar que foi agredida por policiais militares em Parelheiros, no extremo da Zona Sul de São Paulo, disse que ficou trancada em uma sala fedida e escura no 101º Distrito Policial após ser levada pelos agressores. As imagens divulgadas pelo Fantástico neste domingo (12) mostram um policial militar pisando no pescoço de uma mulher negra de 51 anos para imobilizá-la.

O governador João Doria (PSDB) disse que as cenas da violência policial contra uma mulher em Parelheiros, no extremo da Zona Sul de São Paulo, “causam repulsa” e que é “inaceitável a conduta de alguns policiais”.

Ela disse que não pretende voltar a trabalhar tão cedo, pois está com a perna quebrada e ainda se recupera da agressão sofrida no dia 30 de maio e revelada pela reportagem do Fantástico.

A dona do bar foi levada para o 101º DP, onde o caso foi registrado. Ela disse que passou a noite sentada em uma cadeira numa sala escura e fedida.

“Passei por uma recepção que a frente é de vidro. Aí eles me levaram pra uma celinha pequena, no qual estava muito fedida, entendeu? E lá me colocaram lá dentro e mandaram sentar. Aí policial falou ‘ela não tem condições de sentar no chão, porque ela está engessada. Aí o outro foi e me trouxe uma cadeira de escritório e uma caixa de isopor grande na qual coloquei a perna e fiquei na cadeira de escritório e me fecharam no escuro, numa porta com cadeado e fiquei lá até 08h20 da manhã”, disse ela.

Ainda de acordo com a dona do bar, o tratamento só mudou quando a vítima foi levada para o 89º DP, onde os policiais a orientaram a procurar um advogado.

Para o ex-ouvidor da polícia de São Paulo, a agressão policial em Parelheiros não é um caso pontual. “Quem mora na periferia, quem mora nas regiões periféricas sabe que esse tipo de ação acontece sistematicamente nas regiões periféricas. Então tem que mudar a formação e mudar a formação é assumir que existe um preconceito histórico das policiais em relação a pobres e negros”, disse Benedito Mariano.

O porta-voz da PM disse que os dois policiais envolvidos na ação foram afastados e o caso está sob investigação.

“A gente tem que deixar claro que essas imagens não são erros de procedimentos. Houve violação de normas. Os procedimentos são vistos, estudados e apurados. No caso das imagens demonstra que não é um procedimento adotado pela Polícia Militar. Ali é um erro, ali é a ação do policial que foi errada”, disse o capitão Osmário Ferreira, porta-voz da PM.

O Ouvidor das Polícias quer formar uma câmara de discussão para debater casos como esse. “Porque uma pessoa que pisa no pescoço de outra não é uma atitude humana, não é atitude de um bom policial. Policial é pra proteger a vida das pessoas, não pra fazer o que nos vimos”, disse Elizeu Lopes.

PMs são afastados após policial pisar em pescoço de mulher negra em SP

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A reportagem do SP2 não encontrou a delegada que prendeu em flagrante a mulher agredida e os dois rapazes que estavam no carro. No Boletim de Ocorrência, ela disse que os três deveriam ser presos por lesão corporal, desacato, resistência à prisão e desobediência.

Os três foram soltos no dia seguinte por um juiz, após passarem por audiência de custódia.

Sobre o fato de a mulher ter passado a noite presa numa sala escura com a perna quebrada, a Secretaria da Segurança Pública disse que ela ficou na unidade o tempo necessário para trâmites legais.

By Tribuna ABC

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