Com crescimento da violência contra a mulher, Patrulha Maria da Penha intensifica ações em Mogi das Cruzes

Patrulha Maria da Penha, em Mogi, deteve 11 agressores durante a pandemia

Patrulha Maria da Penha, em Mogi, deteve 11 agressores durante a pandemia

Desde o começo da pandemia, em março, 11 agressores foram detidos pela Patrulha Maria da Penha em Mogi das Cruzes. As equipes trabalham para proteger vítimas de violência doméstica que têm medidas protetivas determinadas pela Justiça.

Para as mulheres que sofrem com o isolamento imposto pela quarentena, já que muitas estão isoladas com os agressores, uma nova lei, sancionada nesse mês, determina que os serviços de atendimento às vítimas sejam ininterruptos e reconhecidos como essenciais.

Muitas mulheres ainda enfrentam o medo de denunciar a agressão e a insegurança de terem que sair de casa.

“O companheiro ele fala né? E a gente por ser um pouco mais submissa tem medo até da força masculina, eles acabam deixando mais assim com medo, né? O ápice de tudo foi no ano passado, no mês de abril, quando a gente teve uma discussão por causa da dependência química dele, né, que estava usando droga dentro de casa. Eu cheguei e aí coloquei ele para fora de casa e ele foi tirar a chave que estava no meu braço e meu braço, deslocou, saiu do lugar. Eu fui parar no hospital. Tive que fazer uma anestesia geral e tudo para colocar o braço no lugar. Aí desse dia para frente eu decidi que não ia mais voltar para casa com ele lá, eu decidi dar um basta, procurar ajuda para cessar essa situação de violência na minha vida porque já estava partindo mais para o físico, né?”, contou uma mulher que foi vítima de violência e, por medo, prefere não se identificar.

Rosana Pierucetti é advogada e presidente da ONG Recomeçar. A entidade atende a mulheres vítimas de violência doméstica. Ela explica que neste período de quarentena essa realidade tem sido ainda mais dura.

“A violência aumentou, se intensificou, os agressores ficando com elas o tempo todo. Controlando as atitudes dessa mulher, controlando os passos dela, ficou mais difícil ela acessar. Por isso é importante, a gente dar outros canais de acesso a elas, como fizemos na instituição. Mudando o que a gente vinha fazendo para que elas acessem através do WhatsApp. Quando ela não vai ter que falar, ter que demonstrar de arrumar uma maneira de ir para outro local mandar a mensagem. A gente consegue se comunicar com ela e fazer a denúncia pela instituição”.

A lei que já prevê registros de ocorrências de enfrentamento à violência doméstica e familiar teve as medidas reforçadas por causa da pandemia.

“Tornou os serviços essenciais. Então, elas podem através do boletim de ocorrência on-line, de um telefone disponibilizado, o que não exclui o atendimento presencial que é importante para as mulheres. As medidas protetivas podem ser citadas por meio desses canais, inclusive do boletim de ocorrência on-line. A partir do momento que é cometido esse crime de violência doméstica, os crimes que estão na lei, todos eles. Ela pode requerer a medida protetiva que é o que vai dar segurança para essa mulher e tem que ser garantido e se tornou agora essencial”, completa Rosana.

Um estudo feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no Estado de São Paulo, mostra que o número de chamadas de violência doméstica para a Polícia Militar aumentou 49% durante a pandemia.

Em Mogi das Cruzes, o número de ocorrências contra as mulheres também aumentou no primeiro semestre deste ano comparado ao mesmo período que no ano passado. “Nesse período de janeiro até julho, nós tivemos entre 80 medidas recebidas. E, neste ano, no mesmo período tivemos 130 medidas”, esclarece a comandante da Patrulha Maria da Penha de Mogi das Cruzes, Gabriela Avelar.

Para trazer mais segurança para essas mulheres, as ações da Patrulha Maria da Penha em Mogi das Cruzes foram intensificadas durante esse período de restrições sociais. Desde março, 11 agressores já foram detidos em flagrante pela Guarda Municipal.

Além de fazer o acompanhamento de mais de 520 mulheres com medidas protetivas determinadas pela Justiça, a patrulha sabe da importância do trabalho preventivo e periódico.

“Durante a ronda que a gente está fazendo entre as vítimas, somos solicitados por mulheres na rua, querendo saber mais informações, orientações de como conseguir medida protetiva ou até mesmo acompanhamento da patrulha. Porque as vezes ela tem a medida protetiva, mas não tem o acompanhamento da patrulha. Então a gente orienta para que ela busque seus direitos.”

As denúncias de casos de violência contra a mulher podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal, que funciona 24 horas por dia. Já a Central Integrada de Emergências Públicas (Ciemp) de Mogi atende pelo 153. O WhatsApp da ONG Recomeçar para denúncias é o 9 9948-3695.

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By Tribuna ABC

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