Brasileira na Itália ‘ameniza’ angústia relatando ‘novo’ cotidiano: ‘Luz no fim do túnel’


Após ficar em quarentena ‘extremamente rígida’ por 80 dias, a brasileira Nina Diniz diz que a vida está caminhando de volta à normalidade no país europeu. Brasileira na Itália relata país voltando à normalidade após pico da pandemia de Covid-19
“É maravilhoso ver a luz no fim do túnel”, afirma a brasileira Nina Diniz, de 27 anos, que mora na Itália e acompanhou o início e desenvolvimento da pandemia causada pelo novo coronavírus no país europeu. Ela, que é natural de São Vicente, no litoral de São Paulo, faz vídeos contando como está sendo a superação da doença na Itália para dar esperanças aos amigos brasileiros.
“Estamos voltando muito devagar para a normalidade, mas nada será como antes”, afirma a brasileira, que atua na Itália como advogada internacionalista e de imigração. Ela relata que a população da região onde mora passou cerca de 80 dias em quarentena rígida, saindo apenas para serviços essenciais, quando estritamente necessário.
“Sei que sou privilegiada em poder trabalhar em home office, mas quem também é não está fazendo nada mais que a obrigação ficando em casa”, diz em um dos vídeos publicados em seu perfil pessoal no Instagram.
Advogada tentou alertar amigos brasileiros sobre a dimensão dos estragos que poderiam ser causados pela Covid-19
Reprodução/Instagram
A advogada começou a gravar os vídeos a partir de perguntas de amigos brasileiros sobre a quarentena, enquanto o vírus ainda não havia se alastrado pelo Brasil, no início de março. “Eu queria alertar meus amigos de alguma forma, porque eu tinha certeza absoluta que essas coisas aconteceriam no Brasil”, diz.
“Sou brasileira e sei que nós temos mania de subestimar as coisas, achar que é exagero. Eu sabia que, em poucas semanas, no Brasil, ia começar tudo. Aqui [na Itália], tudo aconteceu bem rápido, não tínhamos noção do que estava acontecendo. Eu tentei fazer as pessoas verem que não era um ‘lance’ midiático”, explica.
A advogada relata que, na região onde vive, a vida estará ‘voltando ao normal’ nas próximas semanas. “Os primeiros dias [de quarentena] foram horríveis, mas fomos nos adaptando. O fato de ter sido extremamente rígida foi o que deixou a gente voltar para a nossa rotina e sair de casa agora”, conta.
Vaticano, na Itália, vazio durante a quarentena por conta da pandemia
Arquivo pessoal/Nina Diniz
A situação atual do Brasil causa tristeza à Nina pela ‘normalização’. “Me dá até vontade de chorar. Aqui, tudo nos chocava muito, mas parece que não faz diferença para quem está no Brasil”, diz.
“Eu não sei se o apreço pela vida que é tão pouco, se é a necessidade da economia girar ou a política, mas sei que a morte está sendo normalizada para vocês [no Brasil]. Não é brincadeira. Estão começando a reabrir tudo sem sequer chegar no pico”, desabafa.

By Tribuna ABC

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