1 de 1Hospital de Campanhado Ibirapuera — Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Hospital de Campanhado Ibirapuera — Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Após reclassificar a região de Piracicaba em fase mais permissiva de abertura da quarentena na última sexta-feira (10), o governo de São Paulo afirmou nessa terça-feira (14) que a região foi colocada em alerta devido à piora nos indicadores que medem a evolução da pandemia do novo coronavírus.
Segundo o governo, pacientes de Piracicaba poderão ser transferidos para o Hospital de Campanha do Ibirapuera, na Zona Sul da cidade de São Paulo. Além disso, também anunciou a criação de 12 novos leitos de UTI em hospitais da região de Piracicaba.
“Na região de Piracicaba observamos um aumento de internações de UTI que nos preocupa porque pode chegar a uma situação próxima da ocupação total nos próximos dias. A situação em relação aos indicadores epidemiológicos também indica crescimento de uma semana para a outra. Vamos monitorar a situação com todo cuidado até o fim da semana”, afirmou o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus do estado, Paulo Menezes.
Embora o Centro de Contingência tenha alertado para a situação da região, ainda não houve rebaixamento para fase mais restritiva. A atualização da classificação das regiões no Plano São Paulo de reabertura gradual da economia será feita nesta sexta-feira (17) pelo governo estadual.
“Nós incluímos Piracicaba como região de encaminhamento preferencial para o Hospital de Campanha do Ibirapuera. Recentemente, nós direcionamos Campinas como origem preferencial pro Hospital de Campanha do Ibirapuera e agora estamos incluindo Piracicaba nesta diretriz. Adicionalmente e de forma imediata nós implementamos mais 12 leitos de UTI no Hospital Regional Zilda Arnes, de Piracicaba, que é estadual”, disse Eduardo Ribeiro, secretário executivo da SES.
Na semana passada, o governador João Doria (PSDB) já havia anunciado a transferência de pacientes de Campinas, que estava com taxa de ocupação de UTI acima de 80%, para o hospital de Campanha do Ibirapuera. Ao contrário do que afirmou o governador na ocasião, no entanto, a estrutura não possui leitos de UTI, sendo possível apenas o atendimento de pacientes de casos menos complexos. (leia mais abaixo).
Reclassificação de Piracicaba
A região de Piracicaba mudou de classificação no Plano São Paulo nesta segunda-feira (13). O anúncio de flexibilização da região, que estava na fase vermelha do plano e passou para a etapa laranja, foi feito na última sexta (10). A principal mudança da fase laranja é a abertura do comércio de rua e shoppings por 4 horas diárias e de alguns setores de serviços não essenciais.
Apesar disso, a Prefeitura de Piracicaba informou que não vai seguir a orientação e manteve a determinação para que os comércios não essenciais sigam fechados. Outros municípios da região, no entanto, já permitiram a reabertura.
Questionado sobre a piora da situação da região um dia após a flexibilização, o coordenador do comitê de saúde estadual, Paulo Menezes, disse que a situação se agravou ao longo do final de semana e da segunda-feira.
“Na sexta-feira utilizando os dados das últimas duas semanas, a região de Piracicaba foi classificada, de acordo com os critérios do Plano São Paulo, em laranja. Mas, de lá pra cá, um indicador tem se mostrado mais preocupante, especialmente a taxa de ocupação de leitos de UTI”, disse Menezes.
Promessa de leitos de UTI
Durante coletiva de imprensa no início da tarde da última quarta-feira (8), o governador João Doria (PSDB) afirmou que o hospital de Campanha do Ibirapuera contava com 28 leitos de UTI. A declaração foi dada durante o anúncio de que pacientes da região de Campinas, que estava com taxa de ocupação acima de 80% nas UTIs, começariam a ser transferidos para o local.
No entanto, conforme anúncio anterior do próprio governo, o Hospital de Campanha do Ibirapuera foi criado e preparado para atender pacientes de baixa e média complexidade, com 240 leitos de enfermaria e 28 de estabilização.
Apesar de possuírem respiradores e equipe especializada capaz de controlar certo agravamento do quadro da doença de pacientes da enfermaria, os leitos de estabilização não possuem a mesma estrutura de uma UTI. Caso o paciente apresente piora mais complexa, com a necessidade de passar por um intervenção cirúrgica ou hemodiálise, por exemplo, ele ainda precisa ser transferido para outro hospital.
Após a Secretaria Estadual de Saúde ter confirmado ao G1, por telefone, que ainda não houve reforma da estrutura e nem adaptação dos 28 leitos de estabilização para que fossem transformados em leitos de UTI, a Secretaria de Comunicação da gestão João Doria (PSDB) afirmou, por e-mail, que foi definido em reunião que os leitos de estabilização serão transformados em leitos de UTI.
Em nota enviada na noite da última quinta-feira (9), o governo afirmou que a adequação inclui, por exemplo, a colocação de equipamentos de diálise (leia nota completa abaixo).
Publicado no dia 30 de abril no Diário Oficial do Estado, o contrato emergencial firmado com a OSS Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP) no valor total de R$ 61,377 milhões prevê que o hospital “deverá utilizar toda a capacidade operacional de seus 240 leitos clínicos e 28 leitos de estabilização para internação dos pacientes relacionados à Covid-19″. O documento não prevê a criação de leitos de UTI.
Não houve nova publicação no Diário Oficial que alterasse os termos do contrato e os valores de empenho mensal dos gastos disponíveis no Portal da Transparência do governo continuam iguais aos previstos inicialmente.
Das quatro estruturas temporárias criadas na cidade de São Paulo para ajudar no enfrentamento da Covid-19, apenas o Hospital de Campanha de Heliópolis possui leitos de UTI, devido à adaptação de uma ala do AME Barreiras, local onde foi montado. Os outros hospitais – incluindo o Pacaembu, que já foi desativado – foram projetados para atender apenas pacientes com menor complexidade.
Leia a íntegra da nota enviada em 9/7
“A Secretaria de Estado da Saúde informa que o Hospital de Campanha do Ibirapuera tem, desde o início de seu funcionamento, equipe completa e multidisciplinar prevista em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), incluindo intensivistas, fisioterapeutas, psicólogos, farmacêuticos, além de estrutura técnica apropriada, com leitos, ventiladores pulmonares e equipamentos de monitorização.
A unidade já está recebendo pacientes mais complexos por possuir todo o aparato tecnológico, garantindo atendimento com qualidade e humanização.
Além disso, os 28 leitos estão em adequação, com incremento de serviço de diálise, procedimentos diagnósticos e definição de fluxo para encaminhamento de casos cirúrgicos a serviços de referências através da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross).
O contrato firmado com a OSS Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP), publicado em 30 de abril no Diário Oficial do Estado, permanece válido, sem necessidade de retificação uma vez que apenas a nomenclatura do leito está sendo alterada, mas não há mudanças nas metas e no orçamento definidos em contrato”.
*Sob supervisão de Cíntia Acayaba
