Prefeitura de SP nega pedido para construção de muro em divisa do Parque Paraisópolis com condomínios no Morumbi

Parque Paraisópolis irá ocupar área verde de quase 70 mil metros quadrados. De um lado, a 2ª maior comunidade de São Paulo, do outro, imóveis de alto padrão em condomínios fechados — Foto: Rodrigo Sanches/G1 1 de 4
Parque Paraisópolis irá ocupar área verde de quase 70 mil metros quadrados. De um lado, a 2ª maior comunidade de São Paulo, do outro, imóveis de alto padrão em condomínios fechados — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Parque Paraisópolis irá ocupar área verde de quase 70 mil metros quadrados. De um lado, a 2ª maior comunidade de São Paulo, do outro, imóveis de alto padrão em condomínios fechados — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Após receber um pedido de permissão para construir um muro de três metros na divisa do futuro Parque Paraisópolis com condomínios de alto padrão, revelado pelo G1, a Prefeitura de São Paulo informou que o projeto vai seguir como estava previsto, sem muro e com dois acessos.

Outra reivindicação da Associação dos Amigos do Jardim Vitória Régia, moradores do Morumbi vizinhos à área verde, era que o parque tivesse apenas uma entrada – por uma rua de Paraisópolis, o que foi negado. O projeto também prevê um acesso pelo lado dos condomínios.

A associação enviou uma carta no final de junho ao secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo de Castro, com as seguintes reivindicações:

  • Cercamento de todo o entorno do parque, com um único acesso pela Rua Silveira Sampaio (em Paraisópolis), eliminando o acesso pela Rua Dona Maria Mesquita de Mota e Silva;
  • Aprovação de Regulamento de Uso que prevê horário de funcionamento de 7 às 19h, proibição de piquenique, proibição de entrada de carros, motos e bicicletas, proibição de pessoas com animais e proibição de “pessoas cujas atitudes agridam a moral e os costumes dos usuários do Parque”.
  • Análise da permissão de eventual construção de um muro de 3 metros de altura ao longo da divisa, acompanhando o gradil.

Quanto a proibição de piqueniques e horários de funcionamento, a Prefeitura informou que essas questões ainda serão definidas pelo Regulamento de Uso. “O regulamento é elaborado após a implantação pela Divisão de Gestão de Parques Urbanos de SVMA junto com o Conselho Gestor do Parque”.

Após a divulgação da reportagem, o presidente da União de Moradores e do Comércio de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, contou que vários moradores do Jardim Vitória Régia o procuraram para dizer que eram contra o pedido feito pela associação. Segundo Gilson, a associação do Vitória Régia é uma das que mais ajuda Paraisópolis.

Previsto para ficar pronto em outubro de 2020, o Parque Paraisópolis vai ocupar 68.150 metros quadrados de área verde, entre a favela de Paraisópolis e casas de alto padrão do Jardim Vitória Régia. Segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, as obras já foram contratadas ao custo de R$ 2,4 milhões e prevêem a construção de guarita, administração, deck e parquinhos.

Gilson disse que a comunidade pleiteia a abertura do parque há mais de 10 anos. O objetivo seria finalmente oferecer alguma área pública de lazer à segunda maior favela de São Paulo, que tem mais de 100 mil habitantes.

A construção do parque estava prevista em lei desde 2008, mas só começou a sair do papel em 2019, quando teve o projeto finalizado. O parque integra o Plano de Metas 2019/2020 da gestão Bruno Covas. Em dezembro de 2019, uma ação policial deixou 9 mortos em um baile funk, e mais uma vez a prefeitura prometeu sua entrega para 2020.

Limites da área do futuro Parque Paraisópolis hoje são acompanhados por um gradil verde nas ruas do Morumbi — Foto: Paula Paiva Paulo/G1 2 de 4
Limites da área do futuro Parque Paraisópolis hoje são acompanhados por um gradil verde nas ruas do Morumbi — Foto: Paula Paiva Paulo/G1

Limites da área do futuro Parque Paraisópolis hoje são acompanhados por um gradil verde nas ruas do Morumbi — Foto: Paula Paiva Paulo/G1

A associação representa cerca de 250 imóveis. A diretora, Claudia Rodrigues Leme, afirma que a intenção é o diálogo e todos os pedidos feitos pelo grupo podem ser discutidos. “Não temos nada contra [o parque], pelo contrário. Paraisópolis merece uma área de recreação”, afirmou.

Claudia explicou que os moradores estudavam a construção do muro por preocupação com uma possível poluição sonora após a implantação do parque. “Se houver retirada de árvore, o som que vier, ou baile [funk] que geralmente tem, esse som vai propagar muito mais facilmente para o Vitória Régia do que antes, com as árvores que existiam”.

Segundo a Prefeitura, a obra prevê a retirada de 19 árvores. Como compensação, serão plantadas 111 novas mudas, informou a administração municipal.

Para o professor de Arquitetura e Urbanismo e coordenador do laboratório de políticas públicas da Universidade Mackenzie, Valter Caldana, fazer um muro de 3 metros não tem “nenhum efeito positivo, nem acusticamente, nem ambiental, nem comportamental, nem social, nem econômico”.

“É a pior solução, mas é a mais óbvia, mais barata e mais rápida”, afirmou. Para a professor, muros agravam as contradições e problemas que querem resolver, e passam a falsa sensação de segurança.

“O grande problema do muro é que a sociedade não vê o que está acontecendo do outro lado. A tendência é que as áreas muradas virem território de ninguém, o que aumenta a necessidade de segurança ativa, vigilância, guardas, etc”.

Outros parques de São Paulo, como o Villa Lobos, na Zona Oeste de São Paulo, e o Ibirapuera, na Zona Sul, têm gradis na divisa com condomínios e outros imóveis.

Placa da obra do Parque Municipal Paraisópolis na Rua Silveira Sampaio informa que obras começaram em março de 2020 — Foto: Paula Paiva Paulo/G1 3 de 4
Placa da obra do Parque Municipal Paraisópolis na Rua Silveira Sampaio informa que obras começaram em março de 2020 — Foto: Paula Paiva Paulo/G1

Placa da obra do Parque Municipal Paraisópolis na Rua Silveira Sampaio informa que obras começaram em março de 2020 — Foto: Paula Paiva Paulo/G1

Obras de implantação do Parque Paraisópolis, prometido há mais de 10 anos para os moradores da comunidade — Foto: Paula Paiva Paulo/G1 4 de 4
Obras de implantação do Parque Paraisópolis, prometido há mais de 10 anos para os moradores da comunidade — Foto: Paula Paiva Paulo/G1

Obras de implantação do Parque Paraisópolis, prometido há mais de 10 anos para os moradores da comunidade — Foto: Paula Paiva Paulo/G1

Associação de moradores do Jardim Vitória Regia pede cerco ao Parque Paraisópolis

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By Tribuna ABC

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