
Hospital Cidade Tiradentes está com UTI lotada
O hospital de Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, está praticamente lotado nesta quarta-feira (15) Dos 20 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), exclusivos para pacientes com Covid-19, 19 estão ocupados. O número representa 95% do total.
O bairro é um dos que têm o maior número de mortes pelo coronavírus na capital e é responsável por uma população de 500 mil pessoas, 200 mil só de Cidade Tiradentes, além da população dos bairros vizinhos.
Não é difícil ver moradores sem máscara em Cidade Tiradentes, inclusive em frente ao hospital, que é referência para Covid-19.
“Tem muita gente fazendo pouco caso ainda… Muita gente fazendo pouco caso. Não se protege, não usa máscara. A maioria quase não usa né?”, diz a dona de casa Rosa Silva.
O hospital vai na contramão de outras unidades, que conseguiram baixar a taxa de ocupação. A dona de casa Ivanete Fernandes dos Santos teve Covid-19 e ficou internada lá. Ela se curou, mas viveu uma experiência que marcou a vida dela.
“Morria pessoas a todo momento. Perto da gente mesmo, ali onde a gente estava. No meu quarto tinha 4, 5 pessoas e teve um momento que eu fiquei sozinha. Durante 9 dias eu perdi todo mundo que estava do meu lado. Nessa hora eu pensava ‘Meu deus, será que eu vou ser a próxima?’ Porque é isso que você pensa né… Se é isso que vai acontecer comigo”, relembra.
O hospital é administrado pela Organização Social Santa Marcelina t Também é referência para atenção básica de saúde. Por isso, o movimento de ambulâncias revela o tamanho da procura. Uma delas chegou com mais um paciente do Hospital Geral de Guaianases, bairro vizinho.
Muitas pessoas não conseguiram vencer a doença. E o problema é que o número de mortes informado pela Prefeitura não bate com o levantamento do hospital.
O último boletim da Organização Santa Marcelina, de segunda-feira (13), dizia que eles tinham registrado 48 mortes suspeitas, 93 confirmadas, 141 no total.
Já os dados da Prefeitura, de quinta- feira (9) passada, mostram que foram 110 mortes suspeitas, 101 confirmadas, 211 ao todo.
O município usa o Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade (Pro-Aim), que é a fonte oficial de registro de óbitos na capital. Os dados foram atualizados pela última vez no dia 9.
Esses números são divulgados semanalmente. O hospital faz o balanço no começo da semana e a Prefeitura divulga sempre às quintas-feiras. Mas essa diferença mostra que pode haver uma subnotificação de mortes no hospital de Cidade Tiradentes.
A dona de casa Sônia Maria Lopes Emídio está com a filha internada por causa de um problema na perna. Além de se preocupar com a inflamação, elas também têm medo do coronavírus.
“Tenho medo que ela contraia, mas ela vai ficar muito tempo ai. Enquanto não acabar essa infecção ela não pode sair… Eu quero que ela saia boa daqui, não importa o tempo que ela vai ficar, eu espero que ela saia boa. Na emergência o bicho está pegando… Eu vi, eu estou falando pra você porque eu vi sábado.
1 de 1Mapa das mortes por coronavírus entre os 96 distritos da capital paulista até 29 de julho. — Foto: Divulgação/SMS
Mapa das mortes por coronavírus entre os 96 distritos da capital paulista até 29 de julho. — Foto: Divulgação/SMS
Prefeitura da capital disse que o hospital Cidade Tiradentes atende pacientes da Covid-19 e de outras doenças. Na região, o Tide Setúbal também é referência no combate ao novo coronavírus e está com 63% de ocupação.
Sobre o número de óbitos, a Prefeitura disse que usa os registros do Pro-Aim, somando mortes confirmadas e suspeitas. Os dados repassados pelo hospital, são de boletins internos, atualizados em datas diferentes do que é informado oficialmente no sistema.
Ao SP1, o secretário de Saúde Edson Aparecido reconheceu a gravidade da situação e disse que o hospital está sobrecarregado, mas que os hospitais de Itaquera e São Miguel Paulista estão recebendo pacientes transferidos para desafogar o Cidade Tiradentes.
