
Pneumologista é curada da Covid com técnica que ajudou a criar
A pneumologista Carmen Valente Barbas, de 60 anos, médica dos hospitais das Clínicas e Albert Einstein, foi curada de Covid-19 após usar a técnica de ventilação pulmonar mecânica controlada que ela mesma ajudou a criar.
A ventilação mecânica protetora é uma técnica iniciada no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo, onde Carmen fez graduação, residência, mestrado, doutorado e livre docência. A técnica consiste em fazer ventilação com volume de ar baixo nos pulmões. Essa técnica foi comparada com a outra mais usada da época e foi comprovado que melhorava a ventilação, a complacência do pulmão e melhorava significativamente a sobrevida do paciente, de acordo com a própria pneumologista.
“Fiquei uma semana intubada e ventilada com essa técnica. Já me recuperei, estou fazendo exercícios, voltei a trabalhar e estou zerada, inclusive ajudando na ventilação e atendimento de pacientes com Covid”, afirma.
Carmen conta que teve a doença em março, quando os hospitais estavam recebendo muitos casos de internação de rinovírus e começavam a aparecer os primeiros casos de coronavírus no Brasil. Ela sentiu dor de garganta, tosse e dores no corpo.
“Estava com um cansaço extenuante. Achei que estava acontecendo alguma coisa diferente porque qualquer coisa que eu fazia me dava cansaço”, relembra ela.
Diante dos sintomas, ela foi até a clínica do Hospital Albert Einstein, mas como os testes de RT- PCR eram escassos nessa época, de início ela não pode fazer o teste para saber se estava com coronavírus.
“No primeiro momento eu não passei no protocolo para fazer o teste porque naquela época tinha de ter tosse, falta de ar ou dessaturação de oxigênio”, relembra.
Como Carmen tem 60 anos e é hipertensa, ela faz parte do grupo de risco, então conseguiu fazer a coleta do exame e voltou para casa.
“Continuava muito cansada. Entrei no computador para ver os resultados e para minha surpresa estava com Covid-19 detectado. Telefonei para meus colegas do Albert Einstein e falei que achava melhor ser internada porque estava muito cansada, nunca tinha me sentido assim”, conta.
A pneumologista foi internada e os primeiros exames não eram de alerta, então ela ainda não precisava de oxigênio no primeiro dia.
“Após 24 horas internada, eu comecei a ter falta de ar. Eu mesma estava com meu oxímetro de dedo medindo a saturação e detectei que estava caindo. Pedi para um colega vir no meu quarto e me levaram para uma UTI onde inicialmente me colocaram na ventilação não invasiva, mas continuei dessaturando, com sinais de alerta. Meus colegas disseram que eu precisaria ser intubada e eu disse, ‘se precisa tudo bem’. Eu trabalho com isso há mais de 30 anos e a intubação é um procedimento normal quando você está com insuficiência respiratória para salvar sua vida. Então me intubaram”, relata.
A médica diz que percebeu que a situação era grave quando a equipe disse que a levaria para a UTI.
“Eu achei que seria mais grave do que eu estava pensando, mas fiquei me sentindo segura porque a equipe é acima da média, sabia que seria muito bem cuidada. Eles aplicaram a técnica que a gente idealizou, tem um protocolo muito bem estabelecido e fiquei muito feliz que deu certo. Nada como aplicar em você o que você acredita e dar certo”, conclui.
Para Carmen, o perigo do contágio ainda existe e é necessário usar máscara, lavar as mãos e evitar contato com pessoas com sintomas de problemas respiratórios. Ela lembra que, de cinco a sete dias depois de adquirir o vírus, 15 a 20% das pessoas podem desenvolver sintomas mais graves.
“É importante falar que de 80 a 85% das pessoas têm uma versão mais leve da doença, perdem o olfato e têm um pouco de febre e tosse, mas se revolvem de forma benigna. Apenas de 10 a 15% vão apresentar a versão mas grave e esses sim devem procurar hospital se sentir cansaço e falta de ar. Os outros casos ficar em casa para não disseminar a doença”, afirmou a médica.
