Equipes tiram 130 mil litros de água de navio histórico abandonado em SP

Navio Professor W. Besnard corre o risco de afundar no Porto de Santos — Foto: Santos Port Authority 1 de 4
Navio Professor W. Besnard corre o risco de afundar no Porto de Santos — Foto: Santos Port Authority

Navio Professor W. Besnard corre o risco de afundar no Porto de Santos — Foto: Santos Port Authority

Uma operação emergencial está sendo realizada dentro do navio oceanográfico Professor W. Besnard, que está abandonado e em péssimas condições estruturais, no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. O navio histórico foi um dos recursos utilizados pelo Brasil em operações na Antártica. Uma vistoria apontou que a embarcação histórica poderia afundar ou tombar. Com a operação de retirada de água, óleo e sedimentos, o risco de naufrágio fica afastado, mas ainda há possibilidade de complicações para o meio ambiente e para a navegação.

O navio está atracado em Santos desde 2008. O Prof. W. Besnard foi doado para Ilhabela, que queria afundá-lo e transformá-lo em recife artificial. Em 2019, a Prefeitura de Ilhabela decidiu doar a embarcação ao Instituto do Mar (Imar), presidido por Fernando Liberalli, com a intenção de transformá-lo em museu flutuante. O navio, porém, continua atracado no Porto de Santos sem muitos cuidados.

No dia 4 de julho, a Santos Port Authority (SPA) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) fizeram uma vistoria na embarcação e constaram que ela poderia tombar, se movimentar e afetar a navegação no Porto de Santos, ou até mesmo afundar, colocando em risco também o meio ambiente. A embarcação estava enferrujada e, dentro dela, havia muita água, óleo e resíduos.

A Autoridade Portuária determinou ao Instituto do Mar (Imar), entidade proprietária da embarcação, a tomada de providências urgentes. Como o Imar alegou não possuir recursos financeiros para a adoção das medidas necessárias, a SPA mobilizou seus recursos de atendimento a emergências.

Autoridade Portuária de Santos e Ibama realizaram vistorias no navio — Foto: Ibama 2 de 4
Autoridade Portuária de Santos e Ibama realizaram vistorias no navio — Foto: Ibama

Autoridade Portuária de Santos e Ibama realizaram vistorias no navio — Foto: Ibama

A operação de retirada da água da casa de máquinas do navio começou no início da semana passada e, parte dela, foi concluída nesta terça-feira (14). Segundo a SPA, foram retirados aproximadamente 130 mil litros de água acumulados devido ao estado de abandono da embarcação. O serviço, que contou com o apoio do Ibama e da Marinha do Brasil, foi realizado pela SPA.

De acordo com o Superintendente de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho da SPA, Mauricio Bernardo Gaspar Filho, “esta etapa da operação foi bem-sucedida devido à competência e dedicação das equipes da Autoridade Portuária e Ibama, responsáveis pela condução dos trabalhos, que atuaram de forma tempestiva e acertada mesmo diante dos riscos envolvidos.”

A agente ambiental federal Ana Angélica Alabarce, chefe do Ibama em Santos, acompanha todo o trabalho. Ela diz que, agora, a embarcação não está causando mais nenhum risco de naufrágio ou tombamento. “A empresa colocou amarras bem fortes. Então, nesse ponto o navio está aparentemente seguro”, disse.

Porém, segundo ela, existem outras preocupações. A agente explica que as equipes conseguiram tirar a água de dentro do navio e, nos próximos dias, serão efetuadas tentativas de remoção da camada fina de óleo que sobrou no interior da casa de máquinas. Cerca de 3 mil litros de óleo já foram retirados, mas ainda há muito mais.

“Chegou uma bomba pneumática que vai puxar o óleo que está em uma vala, que é de difícil acesso. Se caso não conseguirem, a retirada vai ser realizadas manualmente com canecas e baldes. Mas, tirar ao máximo porque esse óleo não pode ficar nessa embarcação para não correr risco nenhum de vazamento ou algo parecido que possa ter um impacto ambiental”, disse a agente ambiental.

Autoridade Portuária de Santos colocou uma barreira de contenção em volta do navio abandonado, no Porto de Santos — Foto: Santos Port Authority 3 de 4
Autoridade Portuária de Santos colocou uma barreira de contenção em volta do navio abandonado, no Porto de Santos — Foto: Santos Port Authority

Autoridade Portuária de Santos colocou uma barreira de contenção em volta do navio abandonado, no Porto de Santos — Foto: Santos Port Authority

Ana Angélica também diz que foram encontrados 16 galões de 50 litros com óleo junto às máquinas. O navio possui alguns orifícios que eram utilizados para o descarte de água e de material sanitário. Com o navio fora de operação, esses locais permanecem abertos.

“Por esses orifícios pode entrar água do mar e ainda pelas escotilhas. Elas estão um pouco acima do nível do mar, mas elas apresentam ainda risco porque estão abertas, danificadas”, comenta Ana.

No dia 7 de julho, o Ibama autuou o Instituto do Mar para que apresente uma comprovação documental que tomou todas as providências para a retirada de todo o resíduo que estava na embarcação. Caso não haja o cumprimento, será aplicada uma multa diária de R$ 1 mil.

Os recursos dispendidos para a operação, bem como a retirada da embarcação do cais, serão cobrados do Instituto do Mar. A entidade também deverá se responsabilizar pela adequada destinação de todos os resíduos gerados.

“Vamos ter uma reunião com a Capitania dos Portos. Essa embarcação está neste local apresentando risco de um acidente tanto ambiental como para o tráfego do porto e até para as embarcações de travessia de pessoas. É um conjunto de situações que não podem ser colocadas em risco por causa de uma embarcação abandonada”, afirmou a agente do Ibama.

Com 49,3 metros de comprimento, o Besnard foi construído por encomenda do governo paulista e foi lançado ao mar em 1966. A embarcação passou pela costa brasileira, fez expedições no arquipélago de Cabo Verde e realizou mais de 260 viagens para a formação de pesquisadores passando por mais de 10 mil pontos para coletas para estudos científicos.

O navio levou as primeiras equipes de pesquisa brasileiras à Antártica. Depois disso, passou por duas reformas na década de 90 e um grande incêndio em 2008, que o deixou inoperante.

Vistoria foi realizada por órgãos no Porto de Santos (SP) — Foto: Ibama 4 de 4
Vistoria foi realizada por órgãos no Porto de Santos (SP) — Foto: Ibama

Vistoria foi realizada por órgãos no Porto de Santos (SP) — Foto: Ibama

By Tribuna ABC

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