
USP cria canal para dar voz às mulheres cientistas
Preocupadas com a posição das mulheres na ciência, quatro professoras da faculdade de medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP) criaram um canal no YouTube para discutir sobre igualdade de gênero na carreira científica.
Às sextas-feiras, elas se reúnem virtualmente para conversar sobre trabalhos científicos desenvolvidos por mulheres. As primeiras lives serão focadas em pesquisas relacionadas à Covid-19, desde o sequenciamento do vírus até às vacinas que estão sendo testadas.
“Mulheres mudam o mundo todos os dias, criando cidadãos, e tem mulheres que, além disso, estão descobrindo formas de melhorar a saúde das pessoas, a situação socioeconômica e a maneira como convivemos em sociedade”, diz a professora Alline Campos.
1 de 3Professoras de medicina de Ribeirão Preto fazem live sobre a posição da mulher na ciência — Foto: EPTV/Reprodução
Professoras de medicina de Ribeirão Preto fazem live sobre a posição da mulher na ciência — Foto: EPTV/Reprodução
O grupo foi batizado de “Virgínias da Ciência”, em homenagem à escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941), uma das primeiras autoras a discutir a desigualdade entre homens e mulheres na sociedade, assunto que também será abordado durante as lives.
“As mulheres sempre estiveram na ciência e, por algumas questões sociais da posição da mulher como sendo um sexo em segundo plano, a gente não tinha conseguido ganhar voz. Embora a gente tenha avançado muito, ainda tem algumas entraves”, avalia Aline.
2 de 3Professoras de medicina de Ribeirão Preto fazem live sobre a posição da mulher na ciência — Foto: EPTV/Reprodução
Professoras de medicina de Ribeirão Preto fazem live sobre a posição da mulher na ciência — Foto: EPTV/Reprodução
Importância da universidade
Outro objetivo do programa é aproximar a sociedade das universidades públicas. Durante as lives, as professoras planejam atualizar os espectadores sobre pesquisas que estão em desenvolvimento, com potencial de melhorar a vida em sociedade.
“A gente só mostra quando chega a um medicamento, numa nova forma de tratar. Precisa ser notícia o que está sendo feito também, mesmo que não tenha resultados que cheguem em um ponto final. As pessoas precisam saber o que se faz dentro da universidade”, diz a professora Vânia Luiza Bonato.
Com o passar do tempo, as professoras ampliarão a discussão além do coronavírus, promovendo entrevistas com pesquisadoras que trabalham em projetos nas áreas de ciências exatas e humanas, além de biológicas.
“A gente tem o dinheiro do contribuinte sendo empregado para fazer as pesquisas acontecerem. A nossa ideia é transmitir esse conhecimento de forma que a sociedade entenda que aquele dinheiro está sendo muito bem empregado”, acrescenta a professora Katiuchia Sales.
3 de 3Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto — Foto: EPTV/Reprodução
Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto — Foto: EPTV/Reprodução
