Mulher luta por cirurgia no coração após infartar: 'Batalha contra o relógio'

Renilda aguarda por vaga para cirurgia cardíaca urgente em Praia Grande, SP — Foto: Arquivo pessoal/Ana Maria Pereira Pinto 1 de 2
Renilda aguarda por vaga para cirurgia cardíaca urgente em Praia Grande, SP — Foto: Arquivo pessoal/Ana Maria Pereira Pinto

Renilda aguarda por vaga para cirurgia cardíaca urgente em Praia Grande, SP — Foto: Arquivo pessoal/Ana Maria Pereira Pinto

Uma mulher de 45 anos luta contra o tempo para conseguir sobreviver. Renilda Pereira de Souza é moradora de Praia Grande, no litoral paulista, e aguarda por uma vaga para uma cirurgia urgente de coração após infartar. Segundo a filha Ana Maria Pereira Pinto, de 25 anos, ela aguarda a transferência pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) há dois dias.

Em entrevista ao G1, a filha conta que a mãe começou a passar mal na noite da última quarta-feira (15). Quando a jovem chegou em casa, a mãe estava pálida, com dores no peito, enjoada e muito fraca, momento em que Ana decidiu levá-la para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Quietude. Antes de ir, Renilda chegou até a vomitar.

“Ela foi atendida na emergência e tomou medicação porque estava com a pressão muito alta. Fez um eletrocardiograma e deu alterado. Deram mais uma medicação e esperaram cerca de uma hora para fazer efeito e mediram a pressão novamente. Estava alta ainda”, conta. Apesar disso, o médico a liberou para ir para a casa.

Mulher está internada na UPA Quietura, em Praia Grande, SP — Foto: Divulgação/Praia Grande 2 de 2
Mulher está internada na UPA Quietura, em Praia Grande, SP — Foto: Divulgação/Praia Grande

Mulher está internada na UPA Quietura, em Praia Grande, SP — Foto: Divulgação/Praia Grande

“Ela estava bem mal. Nem dormiu a noite, porque estava passando mal”, explica a filha. Na manhã seguinte, a mãe voltou sozinha para a UPA para buscar o resultado de um exame de sangue, que havia feito na manhã anterior, e após pegar o resultado ficou direto no hospital. Ana só conseguiu falar com a mãe horas depois da internação e descobriu que ela estava na emergência.

“Fui para lá correndo. Foi quando a doutora me deu o diagnóstico falando que a minha mãe infartou e que precisa de uma vaga na UTI Cardíaca para fazer uma cirurgia urgente no coração”, afirma. De acordo com Ana, a equipe médica informou que a frequência cardíaca de sua mãe está bem fraca e ela corre risco de vida.

A jovem conta que conversou com os chefes da Secretaria de Saúde do município, que informaram que a vaga será viabilizada por meio da Cross, ou seja, pela Secretaria Estadual de Saúde. Ela afirma que tentará entrar com um pedido judicial para que a mãe seja transferida o mais rápido possível.

“Achei que se a pessoa estivesse precisando de transferência, conseguiria rapidamente. Não é problema do município e eles empurram para o estado. Eu me senti de mãos atadas, porque eu não consigo chegar até lá [Estado]. Pela Justiça, pode ser que eu consiga”, relata.

Ana conta que o irmão, de apenas quatro anos, pergunta toda hora pela mãe, diz que sente falta dela e questiona se ela voltará. “Sua mãe lá, cheia de aparelho, pedindo para levá-la embora. Ela pediu hoje, disse que não queria ficar ali, mas eu não posso porque ela está muito debilitada. É uma batalha contra o relógio. É como se uma bomba fosse estourar a qualquer momento”, finaliza.

Secretaria do Estado

Por meio de nota, o Núcleo de Regulação do Departamento Regional de Saúde (DRS) da Baixada Santista informa que, desde que recebeu a solicitação, está em contato com unidades de referência da região buscando atendimento para Renilda. Segundo o órgão, a ficha foi inserida somente na quinta-feira (16) no sistema de Regulação pelo serviço de origem.

O Núcleo ainda esclarece que aguarda a atualização da ficha com quadro clínico, sinais vitais, exames complementares para que a busca por leito de UTI ocorra em serviço apropriado para o caso. Essas informações são cruciais para garantir que a transferência ocorra para hospital apropriado e, sobretudo, para segurança da paciente.

Ainda de acordo com a nota, o Núcleo afirma que apenas a disponibilidade de vagas não é suficiente para que um paciente seja transferido. É necessário que ele apresente condições clínicas, com quadro estável e livre de infecções, por exemplo.

By Tribuna ABC

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