1 de 4Leni Peroto Pereira, de 63 anos, perdeu a luta contra a Covid-19 após 38 dias internada em Mogi Mirim — Foto: Mara Goldim/Arquivo Pessoal
Leni Peroto Pereira, de 63 anos, perdeu a luta contra a Covid-19 após 38 dias internada em Mogi Mirim — Foto: Mara Goldim/Arquivo Pessoal
A enfermeira Leni Peroto Pereira, de 63 anos, é mais uma vítima do novo coronavírus em Mogi Mirim (SP). Internada no Hospital 22 de Outubro há 38 dias, ela morreu neste sábado (18), 16 dias após a morte da irmã gêmea, Luci. O marido de Leni, Luis Carlos Pereira, também morreu em decorrência da Covid-19.
Segundo familiares, Leni era conhecida pelo altruísmo. Antes da última ocupação, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Mogi Mirim, a enfermeira trabalhou durante cerca de 14 anos no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), da Unicamp.
“Era impressionante. As pessoas vinham em casa para ela ajudar, sabe? Tinham pessoas que não tomavam injeção se não fosse com ela. […] Quando ela estava de plantão, as pessoas ligavam pra saber se era ela que estava de plantão”, conta a filha de Leni, Mara Goldim.
Além de atuar nas unidades de saúde, Leni Peroto era voluntária em diversas unidades assistenciais de Mogi Mirim, bem como diretora do Centro Comunitário Badi e do Sindicato dos Servidores Municipais Públicos de Mogi Mirim (Sinsep).
‘O espírito prevalece’
Para a filha, ver a mulher guerreira que a mãe se tornou é o maior motivo de orgulho. “Mesmo com um vírus tão agressivo desses, com um vírus tão desgraçado, ela lutou 38 dias. Ela provou para todo mundo que a matéria não é nada, que o espírito ainda prevalece”, afirma Mara.
Há três dias, Leni acordou do coma após passar 30 dias sedada e entubada e pôde ver os familiares por chamada de vídeo.
“Ela disse pra mim e pra minha irmã: ‘eu amo vocês, fiquem bem’ […] Ela não falava, mas a expressão labial e o jeito que ela se expressava, a gente entendeu muito bem”, relembra.
2 de 4Leni (à esquerda) e Luci Peroto, irmãs gêmeas vítimas da Covid-19 em Mogi Mirim — Foto: Mara Goldim/Arquivo Pessoal
Leni (à esquerda) e Luci Peroto, irmãs gêmeas vítimas da Covid-19 em Mogi Mirim — Foto: Mara Goldim/Arquivo Pessoal
Marido e irmã
No dia 2 de julho, a família enfrentou a perda da irmã gêmea de Leni, Luci. A atendente de enfermagem foi a primeira profissional da saúde do Hospital de Clínicas da Unicamp a morrer devido à Covid-19. “A minha mãe e a irmã dela eram muito unidas. Elas nasceram juntas. O que uma sentia, a outra sentia”, afirma Mara.
Duas semanas depois, o bombeiro aposentado Luis Carlos, casado com Leni há 45 anos, foi o segundo membro da família a perder a luta contra a doença.
“Eles sempre falavam que se um fosse embora, o outro ia também. […] Ela falava: ‘não, bem, eu não vou ficar sem você e nem você sem eu. Até na morte nós vamos juntos’. E foram mesmo”, diz.
3 de 4O bombeiro aposentado Luis Carlos Pereira, marido de Leni, morreu há cerca de um mês com a doença — Foto: Mara Goldim/Arquivo Pessoal
O bombeiro aposentado Luis Carlos Pereira, marido de Leni, morreu há cerca de um mês com a doença — Foto: Mara Goldim/Arquivo Pessoal
Amor ao próximo
Segundo Mara, a pandemia reafirmou a importância da união familiar. “Esse vírus não está contaminando as pessoas que a gente não conhece e que a gente não dá importância. Ele está contaminando pessoas que a gente conhece, que são da família da gente. Que a gente ama”, ressalta.
“Vamos amar mais o próximo, sabe? Vamos fazer caridade, vamos fazer o bem sem ver a quem. Eu penso que esse vírus mutante veio para alertar: vamos amar o próximo. […] O vírus venceu a matéria, mas não venceu o amor”, completa.
*Sob a supervisão de Marcello Carvalho.
4 de 4Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1
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