Campinas tem irregularidades em 30% das calçadas em áreas urbanas, segundo levantamento

Dados da prefeitura indicam que 30% das calçadas da área urbana estão com problemas

Dados da prefeitura indicam que 30% das calçadas da área urbana estão com problemas

Dados divulgados pela Prefeitura de Campinas (SP) apontam que 30% das calçadas em áreas urbanas da cidade apresentam algum tipo de irregularidade. De acordo com um levantamento realizado pelo município, 639 multas já foram aplicadas pela administração nos seis primeiros meses de 2020, enquanto o número foi de 875 durante todo o ano de 2019.

Entre os problemas flagrados pela EPTV, afiliada da TV Globo, estão postes ocupando a passagem de pedestres, materiais de construção, buracos, matos altos e árvores.

“Muita gente faz caminhada aqui também, uma avenida importante, seria bom dar uma manutenção”, disse Leonardo Ziole, a respeito dos matos e dos buracos encontrados na Avenida Engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza.

Portadores de Necessidades Especiais

O desafio de passar por essas calçadas acaba se tornando ainda maior para quem possui alguma necessidade especial.

Cadeirante, Maria Raquel Costa consegue acesso à calçada na Rua Luzitana, mas logo se depara com um poste ocupando todo o espaço de passagem. Com isso, ela se vê obrigada a voltar à rua, para conseguir passar.

“Os cadeirantes andam pelas ruas, as pessoas não têm como andar, as calçadas são irregulares. É perigoso, mas o que eles [cadeirantes] podem fazer? Não tem outra alternativa”, disse.

Poste no meio da calçada impede a passagem de cadeirantes na Rua Luzitana, em Campinas — Foto: Reprodução/EPTV 1 de 3
Poste no meio da calçada impede a passagem de cadeirantes na Rua Luzitana, em Campinas — Foto: Reprodução/EPTV

Poste no meio da calçada impede a passagem de cadeirantes na Rua Luzitana, em Campinas — Foto: Reprodução/EPTV

Já no entorno do Hospital Mário Gatti, o problema é com as deformações da calçada. O autônomo Fernando Cunha tem dificuldades em percorrer o trajeto com a perna quebrada e revela que sua lesão também foi causada por irregularidades em calçadas.

“Horrível, horrível. Inclusive estou com a perna quebrada, com três parafusos e uma haste, através de uma calçada dessa.No meu bairro, não tem condições de andar nas calçadas, eu estava beirando a guias, o carro veio e me atropelou”, afirma.

Calçada no entorno do Hospital Mário Gatti está esburacada — Foto: Reprodução/EPTV 2 de 3
Calçada no entorno do Hospital Mário Gatti está esburacada — Foto: Reprodução/EPTV

Calçada no entorno do Hospital Mário Gatti está esburacada — Foto: Reprodução/EPTV

Para o ambientalista Paulo Oliveira Camacho, morador do Parque Jambeiro, os desafios são ainda maiores. Portador de deficiência visual, Paulo divide o espaço das calçadas com árvores de grande porte e entulhos.

“Não tem piso tátil, não tem piso direcional. A gente sofre com a mobilidade e com a acessibilidade. A gente fica muito perdido com isso”, destaca.

Entulhos em calçadas do Parque Jambeiro dificultam a passagem de pedestres — Foto: Reprodução/EPTV 3 de 3
Entulhos em calçadas do Parque Jambeiro dificultam a passagem de pedestres — Foto: Reprodução/EPTV

Entulhos em calçadas do Parque Jambeiro dificultam a passagem de pedestres — Foto: Reprodução/EPTV

Posicionamento

Secretário Municipal de Serviços Públicos, Ernesto Paulella explicou como é a atuação da Prefeitura diante das irregularidades. Ele destacou que, em caso de insistência no descumprimento por parte dos responsáveis pelo local, o órgão municipal pode realizar o serviço e mandar a conta para o proprietário.

“Diante da irregularidade, a lei diz que nós temos que notificar o proprietário do imóvel, mesmo sendo ele público, ele tem um prazo de 30 dias para tomar as providências. Em não tomando, ele sofre uma multa municipal. Mesmo com a multa, não tomando providências, a prefeitura pode, se quiser, tomar a providência e mandar a conta para o proprietário”, revela.

Sobre os problemas na Avenida Engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza, Paulella explicou que, como o local fica ao lado do cemitério municipal, a responsabilidade é da autarquia Serviços Técnicos Gerais (Setec), da própria Prefeitura.

A Setec foi procurada pela EPTV, mas não respondeu aos questionamentos até esta publicação.

Como o buraco no local está sinalizado com cavaletes da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), ela também foi questionada, mas disse que não tem responsabilidade pelo buraco e que apenas fez a sinalização.

A respeito do poste na calçada da Rua Luzitana, o Secretário garantiu que vai notificar a CPFL, responsável pelos serviços de energia, para que ela mude o poste de lugar. Já a empresa disse que ainda não foi notificada e que vai analisar o caso.

By Tribuna ABC

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