Após episódio de agressão, guardas municipais de Mogi das Cruzes pedem melhores condições de trabalho

Guardas Municipais de Mogi reclamam de condições de trabalho

Guardas Municipais de Mogi reclamam de condições de trabalho

Os guardas municipais de Mogi das Cruzes reclamam das condições de trabalho, como a falta de rádio de comunicação e armamento para atuar na segurança.

Para eles, o equipamento adequado poderia ter evitado uma agressão que dois agentes sofreram no fim de semana.

Todos os dias, os agentes da Guarda Civil Municipal recebem dezenas de chamados. Alguns para casos bem delicados, que expõem os agentes a situações de perigo. Para que o trabalho deles dê certo, é preciso autocontrole e muito treinamento.

“A gente recebeu treinamento de defesa pessoal durante nosso curso de formação. Depois, realizamos outras reciclagens. Estou no efetivo da Guarda Municipal desde 2011. Nesse período, realizei vários cursos pela Prefeitura, que envolvem defesa pessoal. Mesmo antes de sair o armamento, já tivemos orientação de como manipular arma, até para que, se encontrasse alguma arma durante uma ocorrência, a gente já saberia como lidar com esse equipamento”, explicou o guarda municipal Elias de Oliveira.

Na madrugada do último sábado (18), um agente da GCM foi espancado por mais de dez homens enquanto fazia uma abordagem. Ele tinha ido atender a um chamado por causa de uma aglomeração no Parque Botyra Camorin Gatti, em Mogi das Cruzes.

Na opinião do advogado Carlos Alberto Zambotto, que representa a Associação dos Guardas Civis Municipais de Mogi, episódios como esse e o que aconteceu em Santos, quando um desembargador ofendeu um agente, revelam que ainda falta respeito à corporação.

Guardas municipais de Mogi pedem melhores condições de trabalho — Foto: Reprodução/TV Diário 1 de 1
Guardas municipais de Mogi pedem melhores condições de trabalho — Foto: Reprodução/TV Diário

Guardas municipais de Mogi pedem melhores condições de trabalho — Foto: Reprodução/TV Diário

Nesta segunda-feira (20), a associação se reuniu com a Prefeitura e cobrou melhores condições e equipamentos de trabalho.

“A revisão dos processos administrativos disciplinares não depende de verba pública. Treinamentos não dependem de verba pública. Armamento, sim, que é a aquisição de equipamentos, os rádios também, mas muitas dessas coisas não dependem de verba pública. Então pedimos para que fosse criada essa comissão para discutir, inclusive, a revisão do estatuto da Guarda Civil Municipal de Mogi, que é de 2010. Já são dez anos. A sociedade evoluiu muito em dez anos. Talvez essa lei, em alguns pontos, seja defasada e mereça ser reparada, revista e aprimorada”, disse Zambotto.

Para o advogado falta um pouco mais de divulgação. “Talvez esse seja um papel importantíssimo da Prefeitura, do corpo da GCM, do comando da GCM, em fazer uma divulgação mais ostensiva do papel, dos direitos e dos deveres que o guarda civil municipal tem em relação à população”, completou.

A associação estuda processar o município, já que, em muitos casos, o perigo e as situações de tensão custam caro. Isso porque muitos agentes acabam afastados por problemas psicológicos e psiquiátricos.

“Além de todo o estresse do dia a dia, que é inerente à própria profissão deles, eles também têm aquele estresse da perseguição que sofrem de supervisores, do próprio comando, da Secretaria de Segurança de Mogi das Cruzes. Isso tem levado muitos a adoecerem. Temos quase 15% de guardas civis municipais afastados ou em tratamento psicológico ou psiquiátrico. Isso é muito ruim, uma pessoa que faz a segurança pública ter um problema desse. Ele tem que estar totalmente tranquilo e habilitado para fazer sua função”, falou o advogado.

Para o secretário de Segurança de Mogi, Paulo Roberto Madureira Sales, a atuação da GCM é fundamental para o município. Ele diz que a Prefeitura tem feito o possível para garantir melhorias para a categoria.

“Os cursos de capacitação e armamento estão entre os melhores. Estamos ainda na fase de regularização, formação e capacitação dos nossos profissionais. A nossa Guarda Municipal está capacitada para atuar junto com a Polícia Militar e demais órgãos em cima disso. Ocorre que temos que entender que isso é mais referente à educação e ao respeito de cada um, o cumprimento de deveres e de obrigações de cada cidadão”, disse Sales.

O homem, de 21 anos, autuado em flagrante pela agressão ao guarda municipal passou por audiência de custódia nesta segunda-feira e foi encaminhado ao CDP de Mogi. A Polícia Civil já conseguiu identificar mais três suspeitos de participação no caso, sendo que um deles é menor de idade.

By Tribuna ABC

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