Prefeito de Sertãozinho, SP, anuncia uso de cloroquina para tratar pacientes com sintomas de Covid-19

O prefeito de Sertãozinho (SP), Zezinho Gimenez (PSDB) — Foto: Reprodução/Facebook 1 de 2
O prefeito de Sertãozinho (SP), Zezinho Gimenez (PSDB) — Foto: Reprodução/Facebook

O prefeito de Sertãozinho (SP), Zezinho Gimenez (PSDB) — Foto: Reprodução/Facebook

Em pronunciamento na tarde desta terça-feira (21), o prefeito de Sertãozinho (SP), Zezinho Gimenez (PSDB), anunciou que a cloroquina será implantada na rede municipal de saúde para tratamento preventivo da Covid-19. O remédio será utilizado em associação com a azitromicina.

O uso da cloroquina é alvo de estudos e, apesar das primeiras evidências positivas nos testes in vitro, não há resultados que comprovem a eficácia da droga no tratamento ou na prevenção da Covid-19.

Segundo o prefeito, a adoção do medicamento, a partir de quinta-feira (23), seguirá o protocolo do Ministério da Saúde. Em maio, o governo federal liberou o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no Sistema Único de Saúde (SUS) até para casos leves de novo coronavírus. Antes disso, a recomendação previa o remédio para casos graves.

Durante o pronunciamento, o próprio prefeito admitiu já ter feito uso da medicação. “Eu mesmo fiz uso dos remédios por recomendação medica quando tive sintomas da Covid-19.”

De acordo com Gimenez, o uso da cloroquina tem sido discutido pela equipe médica da Secretaria Municipal de Saúde, mas a autorização não foi dada sob a justificativa da falta de evidências científicas para utilização.

“Fica aqui registrado o nosso respeito à equipe médica, principalmente aos infectologistas. Nós até entendemos os seus argumentos e considerações, mas com todos esses desencontros de opinião, optamos por adotar esse protocolo na rede pública municipal com o intuito de salvar vidas”, disse.

Na opinião do prefeito, decisões para a rede pública têm afetado o enfrentamento da doença no município. Zezinho afirmou que a discussão sobre o tratamento foi politizada.

“Estamos vivenciando um embate entre ciência e medicina com duas vertentes, uma a favor e outra contra, chegando a influenciar a parte política. Também estamos presenciando a utilização da cloroquina e da azitromicina em planos de saúde, medicina privada, em várias cidades do país.”

Imagem mostram cloroquina manipulada em laboratório — Foto: Dirceu Portugal/Fotoarena/Estadão Conteúdo 2 de 2
Imagem mostram cloroquina manipulada em laboratório — Foto: Dirceu Portugal/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Imagem mostram cloroquina manipulada em laboratório — Foto: Dirceu Portugal/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Protocolo municipal

O prefeito informou que a prescrição será feita por orientação médica após avaliação clínica e exames complementares.

“O paciente só fará uso da medicação de acordo com sua vontade declarada por escrito ou de seu responsável”, disse.

Ainda segundo Gimenez, a avaliação médica e a prescrição pela rede municipal só terão validade se feitas por especialistas da Unidade Básica de Saúde do Jardim Helena, do Polo Covid da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e do complexo de saúde do distrito de Cruz das Posses.

Os medicamentos serão retirados nas unidades da farmácia do município, com exceção da cloroquina, que será retirada com receita em farmácia de manipulação contratada pela Prefeitura.

O último boletim epidemiológico divulgado na segunda-feira (20) aponta que Sertãozinho tem 1.935 casos confirmados de Covid-19 e 39 mortes por complicações da doença.

Debates sobre tratamento

Na quinta-feira (16), o Ministério da Saúde enviou um ofício à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, pedindo que a instituição dê ampla divulgação ao tratamento com uso de cloroquina e hidroxicloroquina como medicamentos que podem ser utilizados nos primeiros dias de sintomas de Covid-19.

Pesquisas já apontaram que a droga não trouxe benefícios para diferentes perfis de pacientes, sejam os casos leves ou hospitalizados, e ela foi até mesmo associada à piora da situação dos pacientes.

Os médicos alertam para os efeitos colaterais do medicamento, como a arritmia cardíaca. A Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu os testes com o medicamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), no último dia 10, ao ser questionada sobre as afirmações do presidente Jair Bolsonaro sobre o uso de cloroquina, afirmou que não indica o uso para pacientes infectados com o novo coronavírus.

“A OMS não indica o uso da cloroquina em pacientes de coronavírus porque não conseguimos demonstrar um benefício claro a eles”, afirmou diretor de Emergências da OMS, Michael Ryan.

CORONAVÍRUS – CLOROQUINA

By Tribuna ABC

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