Coronavírus: setor de hotéis, bares e restaurantes de Campinas demite 13.450 trabalhadores em 100 dias de quarentena

Restaurante de Campinas fechado na quarentena coloca empregos em risco por causa da crise provocada pela pandemia — Foto: Sérgio de Simone/Arquivo pessoal 1 de 4
Restaurante de Campinas fechado na quarentena coloca empregos em risco por causa da crise provocada pela pandemia — Foto: Sérgio de Simone/Arquivo pessoal

Restaurante de Campinas fechado na quarentena coloca empregos em risco por causa da crise provocada pela pandemia — Foto: Sérgio de Simone/Arquivo pessoal

Nos primeiros 100 dias da quarentena contra o avanço do novo coronavírus em Campinas (SP), o setor de hotelaria, bares e restaurantes da cidade precisou demitir 13.450 trabalhadores. O levantamento feito pelo sindicato da categoria a pedido do G1 mostra, ainda, como evoluíram os desligamentos mês a mês diante da falta de perspectiva dos empresários em retomarem seus negócios.

Primeiro, foram semanas de expectativas pela abertura dos estabelecimentos. As semanas viraram meses e, com a região de Campinas na fase 1 – vermelha, a mais restrita do Plano São Paulo, os proprietários seguem sem saber como pagar as contas e manter seus funcionários nos próximos meses. Para alguns, a saída é encerrar as atividades.

A média da pandemia é de 134 novos desempregados por dia no setor.

“Fechar um restaurante é como perder um filho. Infelizmente, é a mesma dor. É muito sofrível. Você tem que olhar para a sua família, a família dos outros que estão aqui dentro”, lamenta Sérgio de Simone, 56 anos, dono de uma rede de restaurantes que existe há 30 anos em Campinas.

13.450 demissões em 100 dias no setor de hotéis e restaurantes de Campinas
Dados se referem ao período de 23 de março a 30 de junho
Fonte: Sinhotel

O Sindicato da categoria (Sinhotel) abrange desde hotéis, motéis, flats e pensões a lanchonetes, fast-foods, padarias, botequins e restaurantes. Diretor da entidade, Gustavo Domingos de Souza destaca que cerca de 20% do total de postos de empregos fechados se referem à rede hoteleira.

“Imagine que em hotéis, motéis e casas de repouso, foram 2.700 [demissões]. O restante pertence aos outros seguimentos”, detalha.

Auxílio difícil

Segundo ele, as demissões são fruto da demora em obter um auxílio do governo para lidar com o período de quarentena na pandemia. E a burocracia exigida pelos bancos ainda é grande.

“Quando o empréstimo ficou disponível, aconteceu dos bancos exigirem muitas garantias para efetivar o empréstimo, ao custo de juros exorbitantes. Estas dificuldades culminaram com as demissões, que foram se tornando reais a cada dia, pois não havia perspectiva dos empresários em manter os empregos”.

“Caso não aconteça uma flexibilização urgente, se confirmará o número previsto de demissões para Campinas de 30.000 empregos. Uma vez confirmado este número, multiplique por quatro, que é o número de familiares correspondentes a cada emprego perdido, ou seja, 120.000 pessoas desamparadas”, completa Souza.

Rede de restaurantes de Campinas terá que demitir metade dos funcionários por causa da crise do coronavírus — Foto: Sérgio de Simone/Arquivo pessoal 2 de 4
Rede de restaurantes de Campinas terá que demitir metade dos funcionários por causa da crise do coronavírus — Foto: Sérgio de Simone/Arquivo pessoal

Rede de restaurantes de Campinas terá que demitir metade dos funcionários por causa da crise do coronavírus — Foto: Sérgio de Simone/Arquivo pessoal

No que trabalhavam os demitidos?

Apesar do aumento da demanda por entregas na porta do estabelecimento ou por delivery, Souza afirma que estas vendas equivalem a cerca de 15% do faturamento total dos negócios. “Sequer conseguem pagar os funcionários e as outras obrigações”.

No geral, as funções que perderam profissionais no setor são:

  • Garçom
  • Maitre
  • Cumim
  • Cozinheiros
  • Chapeiros
  • Atendentes
  • Balconistas
  • Gerentes
  • Administrativos
  • Estoquistas
  • Compradores
  • Recepcionistas
  • Camareiras
  • Manutenção predial
  • Alguns seguranças do setor

“Apenas os mais consolidados do mercado ainda mantêm, de maneira equacionada, as vagas. Estas vagas dizem respeito a diversos setores, mas a que mais manteve foi a dos chapeiros e cozinheiros, para atenderem os 15% do delivery.”

A modalidade delivery não era explorada por todos os empresários do setor antes da pandemia, mas passou a ser a opção viável para muitos deles e, segundo o diretor, deve permanecer nos estabelecimentos que conseguirem se manter funcionando.

Sem plano B

Empresário de uma rede de restaurantes de Campinas, Sérgio de Simone conta que tentou desde o início da quarentena, em março, maneiras de evitar o pior. Mas, sem um horizonte de melhora nos negócios, afirma que metade dos 60 funcionários das duas lojas que mantém, no Cambuí – há 15 anos – e no Parque Industrial – aberta há 30 anos -, terá que perder o emprego.

“Todos os contratos de experiência e horistas, a gente interrompeu de imediato. No início, não deu 5% do quadro. Colocamos dois terços em afastamento por 60 dias e um terço ficou trabalhando com redução de horas. […] O faturamento médio caiu vertiginosamente para 15% a 20% do total. Foi aí o agravante. Quando passou os 60 dias, mesmo com a redução salarial, a conta não fecha”.

Restaurante de Campinas fechado há quase quatro meses por causa da pandemia da Covid-19 — Foto: Sérgio de Simone/Arquivo pessoal 3 de 4
Restaurante de Campinas fechado há quase quatro meses por causa da pandemia da Covid-19 — Foto: Sérgio de Simone/Arquivo pessoal

Restaurante de Campinas fechado há quase quatro meses por causa da pandemia da Covid-19 — Foto: Sérgio de Simone/Arquivo pessoal

“Hoje chegou o ponto em que tenho que decidir qual dos restaurantes vai funcionar, não consegui o auxílio do governo. Cada loja tem em torno de 30 funcionários. A nossa conta agora não está dando para manter. A gente está chegando perto do precipício. […] Se não houver um milagre, vamos ter que fechar uma das lojas”, lamenta.

O proprietário lembra que, mesmo reabrindo, as pessoas só vão a restaurantes se houver necessidade, e não mais como uma forma de lazer, num primeiro momento.

Coronavírus: por que a quarentena é importante?

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Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1 4 de 4
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1

Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1

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By Tribuna ABC

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