Fórum de blocos de rua diz que não foi ouvido por Covas sobre adiamento e nova data para carnaval de São Paulo

Os percussionistas do bloco Bangalafumenga durante desfile em São Paulo. — Foto: Divulgação/Soul em Cena 1 de 2
Os percussionistas do bloco Bangalafumenga durante desfile em São Paulo. — Foto: Divulgação/Soul em Cena

Os percussionistas do bloco Bangalafumenga durante desfile em São Paulo. — Foto: Divulgação/Soul em Cena

O Fórum de Blocos de Rua de São Paulo, entidade que reúne mais de 200 blocos de carnaval da capital paulista, afirmou nesta sexta-feira (24) que não foi chamado pela Prefeitura de São Paulo para negociar uma nova data de realização do carnaval da cidade. Em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, o prefeito Bruno Covas anunciou que, por causa da pandemia do coronavírus, o carnaval de 2021 foi adiado e não vai se realizar no início do ano.

“Estamos definindo tanto com os blocos quanto com as escolas e com as outras cidades a nova data que deve se dar a partir de maio do ano que vem. Muito dificilmente ocorrerá em junho porque coincide com os festivais de São João no Nordeste. Estamos definindo ou final de maio, ou começo de junho para realização do carnaval na cidade de São Paulo”, afirmou Covas.

Na coletiva, o prefeito disse que não há ainda uma data fechada para o carnaval de 202, mas informou que trabalha com o final de maio ou começo de junho para realização do evento.

O Fórum de Blocos de Rua afirma, porém, que, embora seja favorável ao adiamento do carnaval, as lideranças do grupo não foram consultadas oficialmente pela Secretaria Municipal de Cultura para falar do assunto e definir nova data para realização do evento.

Segundo lideranças do Fórum consultadas pelo G1, ao invés de marcar uma reunião com as lideranças, a prefeitura escalou o ex-secretário de Cultura, Ale Yousseff, que deixou a pasta em 20 de março e é ligado ao grupo Baixo Augusta, para falar com os blocos. Mas o mesmo conversou com poucos e grandes blocos da cidade, fazendo o que o fórum chama de “escuta seletiva”.

“O apoio mencionado na coletiva [pelo prefeito] não passou de uma coleta de opiniões no campo privado do relacionamento de assessores seus ligados ao Carnaval, e de nenhuma forma foi resultado de consultas oficiais que pudessem significar representatividade”, disse a carta do grupo.

Prefeitura de São Paulo adia o Carnaval

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As lideranças dos blocos de rua reivindicam que a Prefeitura de São Paulo, na figura do novo secretário de Cultura, Hugo Possolo, consulte o fórum da mesma forma como faz com as lideranças da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, que foram recebidas no gabinete do prefeito dois dias antes do anúncio de adiamento do carnaval, nesta sexta-feira (24).

“Quem faz o Carnaval de Rua de São Paulo são pelo menos 640 Blocos, das mais variadas matizes, e este Fórum existe para dar voz àqueles que fazem a folia para mil, dois mil, cinco mil pessoas, com o mesmo tom e alcance com que os blocos citados na coletiva. (…) É urgente que o Prefeito Bruno Covas coloque o atual Secretário da Cultura para coordenar uma articulação com os Coletivos de Carnaval de Rua já atuantes no nosso Carnaval o quanto antes, e deixe para trás essa “Escuta Seletiva”, que só serve bem à projetos pessoais daqueles que não conseguiram entregar o Carnaval de 2020 como qualquer carnavalesco isento poderia ter feito”, disse a carta do grupo.

O prefeito Bruno Covas se reuniu com integrantes da Liga Independente das Escolas de Samba de SP na última quarta-feira (22). — Foto: Divulgação 2 de 2
O prefeito Bruno Covas se reuniu com integrantes da Liga Independente das Escolas de Samba de SP na última quarta-feira (22). — Foto: Divulgação

O prefeito Bruno Covas se reuniu com integrantes da Liga Independente das Escolas de Samba de SP na última quarta-feira (22). — Foto: Divulgação

O G1 procurou o ex-secretário Ale Yousseff, que não quis gravar entrevista, mas confirmou que fez a interlocução da prefeitura com cerca de dez a doze blocos mais antigos, expressivos e simbólicos da cidade para falar sobre o adiamento do carnaval de rua. Ele informou que não há nenhuma definição sobre nova data da folia na cidade e que a prefeitura deve procurar os membros do fórum antes de qualquer decisão fechada.

A Prefeitura de São Paulo também foi procurada para falar sobre as críticas dos organizadores de bloco da cidade, mas não se manifestou ainda.

O carnaval de São Paulo é um dos maiores do país. Neste ano, cidade bateu recorde de público e do número de blocos: foram mais de 15 milhões de foliões nas ruas e 600 blocos. A prefeitura gastou R$ 36,6 milhões, e houve um retorno financeiro de R$ 2,3 bilhões para a cidade.

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By Tribuna ABC

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