Moradores denunciam abandono de apartamentos em conjunto habitacional de Piracicaba

Moradores de rua de Piracicaba ocupam apartamentos vazios de conjunto habitacional

Moradores de rua de Piracicaba ocupam apartamentos vazios de conjunto habitacional

Enquanto famílias de baixa renda precisam de casa, moradores do Residencial Vida Nova, em Piracicaba (SP), denunciam apartamentos vazios e alguns ocupados irregularmente. A situação é alvo de reclamações também de quem aguarda na fila para morar no local.

Com 1,2 mil apartamentos, o conjunto é o maior empreendimento imobiliário da cidade e foi construído numa parceria entre Caixa Econômica Federal (CEF) e Prefeitura de Piracicaba para beneficiar pessoas com renda mensal de até R$ 1,8 mil.

Conjunto Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV Conjunto Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

Conjunto Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

A produção da EPTV, afiliada da TV Globo, verificou que os moradores tentam conter as invasões nos apartamentos vazios – alguns deles, inclusive, em extrema situação de abandono.

“Faz um tempo que mudei aqui, e ela veio só uma vez, depois não veio mais”, afirma uma moradora sobre a proprietária de um dos apartamentos vazios.

Sujeira denuncia abandono no Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV Sujeira denuncia abandono no Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

Sujeira denuncia abandono no Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

Para evitar invasões, a síndica de um dos condomínios pregou tábuas em algumas portas. “Eles [invasores] vêm e estouram a porta na intenção de voltar com alguma coisa”, conta Viviane Leme.

Porta com tábuas no Residencial Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV Porta com tábuas no Residencial Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

Porta com tábuas no Residencial Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

A situação causa medo, e alguns andares têm até grade de ferro para impedir o acesso de desconhecidos. Já nos apartamentos vazios, os proprietários deixam móveis para disfarçar a irregularidade, mas a sujeira denuncia que a área está sem morador há bastante tempo.

Grade colocada em andar do conjunto Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV Grade colocada em andar do conjunto Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

Grade colocada em andar do conjunto Vida Nova, em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

“A proprietária que ganhou até hoje não quer saber, deixou abandonado. Alguém tinha que tomar uma providência, investigar melhor e realmente entregar para quem precisa”, reclama outra pessoa que mora no Vida Nova.

Desde 2018, o aposentado Samuel Corrêa é suplente do programa Minha Casa Minha Vida e aguarda ser chamado para morar em um dos imóveis. Atualmente, ele vive com a família nos fundos da casa da avó, um local apertado e que está à venda por conta de partilha.

“A gente vem esperando há muito tempo. Vivemos em uma situação complicada, desabafa.

Revoltado com a demora em ser chamado, Corrêa diz que não sabe como resolver o impasse. “A gente cobra da Emdhap, a Emdhap joga para a Caixa, e a Caixa joga para a Emdhap”.

Samuel Corrêa vive em imóvel pequeno em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV Samuel Corrêa vive em imóvel pequeno em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

Samuel Corrêa vive em imóvel pequeno em Piracicaba — Foto: Reprodução/EPTV

O que dizem Caixa e Emdhap

A Caixa informou que analisa denúncias contra apartamentos do Vida Nova e adota procedimentos cabíveis, sendo que os apartamentos com irregularidades comprovadas são vistoriados e destinados às famílias suplentes. De acordo com a instituição, as queixas de ocupação irregular, venda, invasão ou abandono dos imóveis podem ser feitas pelo canal Contato Seguro ou pelo telefone 0800 512 6677.

Já a Empresa Municipal de Habitação de Piracicaba (Emdhap) disse que os apartamentos do conjunto habitacional deviam ser ocupados pelos moradores até janeiro de 2019, com exceção de contratos assinados posteriormente ou de desistências.

A autarquia também afirmou que tem conhecimento dos casos denunciados em seu site e por meio de síndicos ou empresas de pós-ocupação, que vistoriam as unidades residenciais e encaminham relatórios para a Caixa. A Emdhap informou que não tem legitimidade para outras providências.

By Tribuna ABC

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