
Moradores de Biritiba questionam estrutura de posto de atendimento de pessoas com Covid-19
Há duas semanas Biritiba Mirim começava as atividades no Posto de Atendimento e Isolamento da Covid-19. De acordo com a Secretaria de Saúde, desde o início dos atendimentos, mais de 500 pacientes passaram pela unidade. Alguns moradores estão satisfeitos com o atendimento, no entanto, há quem questione a estrutura e a quantidade de profissionais disponibilizados para atender a população.
Com cerca de 30 mil habitantes, Biritiba tem atualmente uma taxa de mortalidade pelo novo coronavírus de 10%. Até essa segunda-feira (3) , eram 19 mortes e 183 casos confirmados no município, números que, na dúvida, fizeram o operador de máquina Everton Oliveira ir logo cedo ao posto de atendimento da cidade.
Everton teve contato com um colega que testou positivo para a doença. Há dois dias começou a sentir dor no corpo. Foi até a unidade e, em 40 minutos, saiu mais tranquilo.
“Por questão do pouco tempo que teve, não cheguei a fazer o teste, mas tudo está indicando que é o Covid sim e minha rinite que atacou, coisa parecida. [O médico] falou que, se caso permanecer, para mim vir. Pode ser também. Mas conforme só tem dois dias que está dando sintomas, não dá pra fazer nenhum exame”, afirma.
A estrutura foi montada no Ginásio Municipal. Ao todo são 10 leitos, sendo sete pra isolamento e três de estabilização, equipados com respiradores.
Desde o dia 22 de julho, o espaço concentra o atendimento de pessoas com suspeitas do novo coronavírus. A estrutura custa R$ 350 mil por mês e é administrada por uma organização social. O atendimento é realizado 24 horas com um médico por plantão.
Moradores de Biritiba Mirim questionam estrutura de posto de atendimento à Covid-19 — Foto: Reprodução/TV Diário
Moradores de Biritiba Mirim questionam estrutura de posto de atendimento à Covid-19 — Foto: Reprodução/TV Diário
O local ainda conta com auxiliares de enfermagem, farmácia e enfermeiros. Uma equipe, segundo a secretária de Saúde Vera Lucia Reno Nhan, suficiente para atender a necessidade do município.
“Lógico que um dia ou outro teve um dia atípico, mas está sendo suficiente. Todos os dias nós temos aqui o médico, o enfermeiro e os técnicos de enfermagem, controladores de acessos que são os recepcionistas. Nós temos um médico diurno e um noturno. Foi contratado com um quadro reduzido e se houver a necessidade nessa demanda, nós vamos ampliar”, diz.
O local atende, em média, 43 pessoas por dia, segundo a administradora. Em pouco mais de duas semanas de funcionamento, 512 pacientes passaram pelo local. Foram realizados 250 testes, sendo 79 positivos.
Diabética e com pressão alta, a professora Márcia Aparecida de Almeida fez o exame na última sexta-feira (31). Mesmo sem sintomas, ela decidiu procurar ajuda depois de ter tido contato com a vizinha, uma senhora de 72 anos, que acabou morrendo pela doença.
“Por volta das 18h20, eu abri ficha. Fiquei aguardando para fazer a triagem e passar no médico. Eu só fui atendida para fazer a triagem às 22h07. [Minha vizinha] estava com dificuldade para respirar. Ela foi internada aqui, ficando no respirador, das 15h às 23h, por volta, que ela foi a óbito”, afirma a moradora.
O teste da professora deu negativo, mas ela reclama da demora do atendimento. “Nós tínhamos apenas duas pessoas para fazer ficha, um auxiliar de enfermagem para fazer a triagem, outro para coletar o sangue e um médico apenas para atender todas as pessoas que estavam aqui e as pessoas que estavam no respirador. A ambulância do Samu veio chegar por volta de 23h, para levar. Quando chegou, minha vizinha estava em óbito”, completa Márcia.
A secretária de saúde comenta o caso e afirma que o atendimento foi realizado, mas que a paciente tinha um estado delicado. “Nesse dia nós tínhamos um caso que estava aqui precisando de um atendimento médico, embora nós tenhamos todos os aparelhos para estabilizar esse paciente. Naquele momento ela estava precisando mais, então nós priorizamos o atendimento por conta desse motivo”, diz
“Todos os pacientes que necessitam de transferência por nós não termos um hospital municipal, não termos uma UTI, nós temos que colocar no sistema a Cross. As vezes isso demora um pouquinho essa transferência, mas não foi o caso, porque o a transferência dela tinha saído, nós tínhamos ambulância. Ela estava com um quadro bem delicado”, conclui Vera,
O Diário TV pediu uma posição da Secretaria de Saúde do Estado sobre o caso da vizinha da Márcia, que não resistiu e estava aguardando no posto de Biritiba por uma vaga terapia intensiva (UTI) pela Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde (Cross), mas ainda não houve resposta.
