Os bichos-paus têm grande importância ecológica já que ajudam a compor a base da cadeia alimentar de vários outros animais e também auxiliam no controle de crescimento das plantas. — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Os bichos-paus têm grande importância ecológica já que ajudam a compor a base da cadeia alimentar de vários outros animais e também auxiliam no controle de crescimento das plantas. — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Você sabia que os bichos-pau são os maiores insetos do planeta e podem ultrapassar os 60 centímetros? As mais de três mil espécies descritas no mundo têm características em comum: corpo alongado, pernas compridas e alimentação exclusivamente herbívora. Mas também apresentam diferentes particularidades.
No Brasil, 230 espécies de bichos-pau foram descritas pela ciência, mas pesquisadores acreditam que este número não represente nem metade da diversidade do país.
Como modo de defesa. A camuflagem, de fato, garante proteção à medida que fica quase impossível reconhecer o animal escondido no ambiente. Você, por exemplo, consegue encontrar o bicho nas fotos abaixo?
Os bichos-pau são mestres na arte do mimetismo. — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Os bichos-pau são mestres na arte do mimetismo. — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Mas há outras maneiras de enganar ou evitar predadores. “Alguns são capazes de expelir substâncias que irritam a mucosa dos predadores, outros podem se jogar no chão se fingindo de mortos, alguns abrem as asas e exibem cores no interior delas para assustar, outros ainda têm espinhos na perna e alguns até são capazes de soltar membros para conseguir fugir e regenerá-los com as trocas de pele futuras”, explica o estudante de biologia Phillip Watzke Engelking.
A reprodução também é bastante variada. O dimorfismo sexual é presente nas espécies sendo a fêmea quase sempre maior e mais robusta. Segundo o especialista em bichos-pau Edgar Blois Crispino, há casos onde fêmeas são fecundadas por vários machos, como também há casos em que apenas um macho acopla na fêmea e passa a vida inteira em cima dela para garantir a exclusividade.
Você sabia que os bichos-pau são um dos grupos de animais que possuem os ovos com a maior diversidade de formas e ornamentações? — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Você sabia que os bichos-pau são um dos grupos de animais que possuem os ovos com a maior diversidade de formas e ornamentações? — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Outra situação é partenogênese : “Existem populações de bichos-paus, que a gente chama de partenogenéticas, onde você encontra somente fêmeas. Elas não precisam de machos para gerar ovos viáveis, nascendo apenas fêmeas, sendo praticamente clones. De grosso modo, é como se elas se autofecundassem”, explica Crispino
As fêmeas do bicho-pau lançam os ovos com o abdômen ou simplesmente deixam-os cair no chão. Eles se desenvolvem em um processo que pode demorar de dois a 12 meses, até que a ninfa esteja pronta para sair do ovo.
Os bichos-pau são os maiores insetos do planeta. — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Os bichos-pau são os maiores insetos do planeta. — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Estes curiosos animais estão distribuídos ao redor do globo, mas a maior diversidade pode ser encontrada em áreas de floresta tropical. No Brasil, a Amazônia e a Mata Atlântica são os biomas que abrigam mais espécies de bichos-pau que, por fatores de alimentação e deposição de ovos, normalmente vivem em locais específicos no ambiente .
A necessidade de descobrir mais sobre as espécies de bichos-pau fez com que um grupo de biólogos apaixonados por esses animais criassem um projeto para pesquisá-los e melhor entendê-los, já que o durante o século XX inteiro praticamente não houve especialistas em bichos-pau no Brasil.
Curiosidades sobre os bichos-pau. — Foto: Arte Nicolle Januzzi
Curiosidades sobre os bichos-pau. — Foto: Arte Nicolle Januzzi
Projeto Phasma
O Projeto Phasma começou a ser idealizado em 2015, mas foi em 2019 que se tornou de fato oficializado. Atualmente os biólogos Edgar Crispino, Pedro Ivo Machado, Pedro Alvaro Neves, Victor Ghirotto e o estudante de biologia Phillip Engelking se dedicam a estudar esses insetos ainda tão desconhecidos pela comunidade científica.
Segundo os integrantes, a maior dificuldade é a falta de informação. “A taxonomia é muito precária, temos casos de uma mesma espécie que foi descrita três vezes com nomes diferentes . Para complementar, as coleções científicas em museus, que permitem um conhecimento da fauna dos bichos-pau, são muito pequenas no Brasil pela falta de estudos prévios”, explica Pedro Ivo .
Esta impressionante espécie de bicho-pau recebe o nome científico de ‘Ceroys cristatus’ — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Esta impressionante espécie de bicho-pau recebe o nome científico de ‘Ceroys cristatus’ — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Justamente por isso, uma das ações do projeto vem sendo organizar e aumentar a coleção destes insetos no Museu de Zoologia da USP. Os integrantes vão a campo e realizam a coleta dos animais, prática possível já que o Phasma possui autorização do Ibama.
Essas expedições permitem um estudo maior sobre as espécies, com fotografias dos bichos e a análise do ambiente onde vivem, do que se alimentam e, muitas vezes, até como se reproduzem. Todas essas informações já renderam publicações científicas internacionais e participações em congressos.
Os bichos-paus também podem ser coloridos. — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Os bichos-paus também podem ser coloridos. — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
Antes da pandemia do novo coronavírus, além das idas a campo e dos estudos em cativeiro com os animais, o grupo promovia palestras e realizava projetos em parceria com instituições de ensino. Com a Covid-19, a ideia de se consolidar nas redes sociais surgiu para que o contato com o público não fosse perdido e a divulgação dos estudos continuassem. Hoje o perfil “ProjetoPhama” nas redes sociais quer aproximar as pessoas da ciência e dos animais.
“Recebemos fotos através das redes sociais de pessoas do Brasil inteiro perguntando sobre as espécies e sobre as características dos bichos-pau. Respondemos passando o máximo de informações possíveis e ainda, com a autorização do autor da imagem, submetemos o material a uma plataforma online para aumentar o conhecimento sobre a fauna do bicho-pau. É uma troca que deixa a gente muito feliz”, comenta Edgar.
O grupo continua atrás de novas descobertas e novos estudos com o objetivo de promover a conservação desses incríveis insetos. Afinal, como o próprio integrante Phillip comentou: “Como vamos proteger algo que a gente não conhece?”.
O Projeto Phasma se dedica a estudar os bichos-pau do Brasil desde 2015. — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
O Projeto Phasma se dedica a estudar os bichos-pau do Brasil desde 2015. — Foto: Divulgação Projeto Phasma/Arquivo Pessoal
