Cobra da espécie naja no Zoológico de Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução
Cobra da espécie naja no Zoológico de Brasília — Foto: TV Globo/Reprodução
O Instituto Butantan, em São Paulo, recebeu nesta quarta-feira (12) a cobra da espécie naja que picou o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Krambeck Lehmkuhl, de 22 anos, em Brasília, e mais outras seis serpentes exóticas que foram aprendidas na capital federal. Os animais estavam no Zoológico de Brasília.
Segundo a assessoria de imprensa do Instituto Butantan, além da naja kaouthia e uma víbora-verde-voguel (que são espécies peçonhentas), mais cinco cobras-do-milho (corn snake, que não são peçonhentas) chegaram a São Paulo.
As serpentes serão registradas, passarão por exames clínicos gerais e entrarão em quarentena por um período de 30 a 40 dias. Somente após isso é que será definido se esses animais poderão ser destinados para exposição no Museu Biológico ou para atividades científicas e de educação ambiental.
“O Butantan tem um papel atuante em casos como este. Não somos uma entidade fiscalizadora, mas sim de apoio aos órgãos responsáveis. Isso se dá por conta do nosso trabalho histórico com animais peçonhentos e venenosos. Há muitos anos que o Instituto trabalha junto ao IBAMA e Policia Ambiental no recebimento de animais apreendidos, tanto da fauna brasileira, como da fauna exótica”, disse Giuseppe Puorto, diretor do Museu Biológico.
Atualmente o Butantan mantém uma outra naja kaouthia em exposição no Museu, transferida em 2017 após ser encontrada em Balneário Camboriú (SC). Na época, o envio foi viabilizado junto ao Complexo Ambiental Cyro Gevaerd (Zoo Santur).
Na última terça (4), o Zoológico de Brasília informou que não pretendia ficar com os animais, porque a fundação prioriza espécies da fauna local e bichos contemplados por programas de conservação nacionais e internacionais.

Naja e víbora-verde-de-voguel sendo colocadas em caixas no Zoológico de Brasília
Os animais foram transportados de avião, em caixas lacradas, forradas com papel e com furos para entrada de ar. O voo saiu do Aeroporto de Brasília em direção a Guarulhos.
Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, foi picada por uma cobra da espécie Naja, no DF — Foto: Arquivo pessoal
Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, foi picada por uma cobra da espécie Naja, no DF — Foto: Arquivo pessoal
O estudante Pedro Henrique Krambeck foi picado pela naja no dia 7 de julho. A cobra é considerada uma das mais venenosas do mundo e não havia soro antiofídico da espécie no Distrito Federal.
Os médicos e a família do estudante precisaram pedir o antídoto para o Instituto Butantan – único local que tinha o soro no país, para pesquisa. Pedro ficou seis dias internado em um hospital particular no Gama, sendo cinco em uma Unidade de Terapia Intensiva.
De acordo com a Polícia Civil do DF, o jovem criava a cobra em casa ilegalmente e tinha, pelo menos, 18 serpentes. Ele foi preso em 29 de julho, por suspeita de tentar atrapalhar as investigações. Dois dias depois, no entanto, foi solto após conseguir um habeas corpus.
Um amigo de Pedro também chegou a ficar dez dias preso, suspeito de obstrução das investigações. Em depoimento, a mãe e o padrasto do estudante disseram que sabiam da criação ilegal dos animais.
Estudante de veterinária Pedro Henrique Krambeck é levado à delegacia para depoimento, no DF — Foto: Afonso Ferreira/G1
Estudante de veterinária Pedro Henrique Krambeck é levado à delegacia para depoimento, no DF — Foto: Afonso Ferreira/G1
Após o incidente com a naja, a polícia intensificou as investigações sobre a criação ilegal de espécies exóticas na capital. Segundo a corporação, o caso revelou um esquema de tráfico de animais com prováveis ramificações internacionais.
A Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Dema) afirma que os animais têm origem da Ásia e da África e entram no Brasil clandestinamente, por portos e aeroportos. Segundo os policiais, eles costumam ser trazidos ainda filhotes, o que facilita a ocultação das espécies. Depois, se reproduzem no país.
No mês passado, o Ibama afastou um servidor do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) suspeito de envolvimento no caso. De acordo com o instituto, foi instaurado um processo administrativo disciplinar interno para investigar a suposta participação.
No dia 23 de julho, a Justiça Federal de Brasília mandou o instituto afastar uma servidora, suspeita de envolvimento no esquema. De acordo com a investigação, Adriana da Silva Mascarenhas expediu uma licença de “coleta, captura e transporte” de serpentes que não pertencem à fauna brasileira.
Na última quarta-feira (5), a Polícia Militar do DF informou que afastou o comandante do Batalhão Ambiental, Joaquim Elias Costa Paulino, e o capitão Cristiano Dosualdo Rocha, que também pertence ao batalhão. Segundo a PM, eles são suspeitos de atrapalhar as investigações sobre tráfico de animais.
Víbora-verde-de-vogel
Víbora-verde-de-vogel no Zoológico de Brasília — Foto: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília
Víbora-verde-de-vogel no Zoológico de Brasília — Foto: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília
Ao contrário da naja, a víbora-verde-de-voguel foi entregue ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por uma pessoa que a criava de forma irregular. Como o animal foi disponibilizado voluntariamente, o responsável não foi punido.
A serpente é originária da Ásia e também tem um veneno poderoso. Já que não há antídoto disponível no Brasil, ela era mantida na caixa para evitar que atacasse algum dos servidores do Zoológico de Brasília.
COBRA NAJA ENCONTRADA NO DF
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