
Animais encontrados na região são vítimas de atropelamentos e foram recuperados pela equipe de pesquisadores; soltura ocorreu em Serra Negra (SP). Veja vídeo da soltura do gato-do-mato-pequeno e da corujinha-do-mato em Serra Negra (SP)
Na tarde de ontem, 13/08, um gato-do-mato-pequeno e uma corujinha-do-mato puderam voltar à natureza após um período de reabilitação. Os dois animais, que tinham se ferido em rodovias do interior de São Paulo, foram reabilitados e soltos em uma área de preservação de Serra Negra (SP) pela equipe da ONG Associação Mata Ciliar, de Jundiaí (SP), e membros da Polícia Ambiental de Campinas (SP).
O gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus) já estava sob os cuidados dos especialistas há um mês e, segundo informações dos pesquisadores, o felino teria sido encontrado na beira da Rodovia Engenheiro Geraldo Mantovani, entre as cidades de Lindóia e Serra Negra, vítima de um atropelamento. Já a corujinha-do-mato (Megascops choliba), foi resgatada na sexta-feira da semana passada na SP-95 pelo Corpo de Bombeiros de Pedreira aparentando estar atordoada e desorientada. Os especialistas acreditam que a ave possa ter colidido com veículos.
Corujinha-do-mato foi monitorada e medicada após o atropelamento e seguiu sob os cuidados da equipe da ONG
Associação Mata Ciliar/Divulgação
Avaliações diagnósticas, exercícios físicos, testes de comportamento e processos de reabilitação tomaram a vida dos animais durante esse período de passagem pela ONG. “A coruja foi solta em um recinto grande onde comprovamos que ela estava conseguindo voar bem. Antes disso, ela recebeu alguns medicamentos complementares para ganhar força. Já o gato-do-mato foi destinado a um recinto onde ganhou estímulos para exercitar-se”, explica Vanessa Aparecida de Souza, bióloga da Associação Mata Ciliar.
Identificar que a corujinha-do-mato já era capaz de voar bem e que o gato-do-mato caminhava, corria e pulava normalmente foi o primeiro passo para poder definir um momento de soltura. No caso do felino, o fato de ser vítima de atropelamento acrescentava outras preocupações. “Era importante comprovar, além dos exames da radiografia, que não havia nenhum trauma que o impediria de viver normalmente na natureza, caçando e fugindo de ameaças”, esclarece a bióloga.
Proteger este animal se torna ainda mais determinante já que é uma espécie rara e vive comumente restrita à zona de transição entre o Pampa e a Mata Atlântica, na região central do Rio Grande do Sul
Gato-do-mato é considerado o menor dos felinos silvestres brasileiros e recebeu cuidados da equipe da ONG até a reintrodução
Associação Mata Ciliar/Divulgação
Vítimas não apenas do trânsito
Animais vítimas do tráfico estavam em situação de maus tratos quando foram encontradas em Vargem (SP)
Associação Mata Ciliar/Divulgação
Recentemente, a ONG Mata Ciliar também auxiliou no resgate e reintrodução à natureza de centenas de animais vítimas do tráfico. Aves, iguanas e jabutis resgatados pela equipe no começo de julho na cidade de Vargem (SP) eram nativos da Bahia e apresentavam sinais de maus tratos, já que estavam em abrigos inadequados, sem higiene e escassos de alimentos e água.
A reintrodução dessas espécies demandou uma viagem até a área de origem delas. Para isso, um avião fretado permitiu que a equipe da ONG encaminhasse os 384 animais silvestres para casa.
Mais de 300 indivíduos, entre eles muitas aves, foram retirados de traficantes de animais e lavados à reabilitação
Associação Mata Ciliar/Divulgação
O tráfico de animais é a terceira maior atividade ilícita do mundo, gera pelo menos 10 bilhões de dólares por ano e retira 38 milhões de animais da natureza brasileira, anualmente
Animais vítimas do tráfico no interior paulista foram devolvidos à natureza da Bahia
