Hospital Maternidade de Campinas — Foto: Patrícia Teixeira/G1
Hospital Maternidade de Campinas — Foto: Patrícia Teixeira/G1
O Hospital Maternidade de Campinas (SP) viu o orçamento despencar 44% com a suspensão das cirurgias eletivas (não emergenciais) por conta da pandemia do novo coronavírus. Apesar da permissão para retomada dos procedimentos em 30 de julho, a entidade prevê voltar ao patamar pré-pandemia, de até 90 cirurgias diárias, entre seis meses e um ano, o que mantém a preocupação financeira.
A partir da retomada, a Maternidade passou a realizar cerca de 35 cirurgias por dia. Presidente da entidade, Carlos Eduardo Martins Ferraz avalia que pandemia afetou o pagamento de convênios particulares e que os moradores ainda sentem receio em voltar aos hospitais para operar.
“O medo da população em operar de novo, a própria perda de poder aquisitivo, deixando de pagar o seguro saúde, o convênio. O fato do trabalho, de não poder se ausentar no trabalho. Então, com tudo isso, acho que vai demorar, com boa vontade, de seis meses a um ano para retomar o que era”.
Além disso, os agendamentos são feitos de forma cuidadosa, com indicação e registro em prontuários médicos, e com a preocupação de garantir as medidas de combate ao novo coronavírus.
O hospital realiza, principalmente, procedimentos de endometriose e endoscopia ginecológica, de oncológica abdominal, além de cirurgia bariátrica, metabólica, de urológica e patologias masculinas. As cirurgias eletivas não incluem os partos.
Impacto financeiro
O presidente explica que a verba proveniente das cirurgias eletivas realizadas por meio dos planos de saúde e pagamentos particulares representa percentual significativo do orçamento do hospital. A suspensão fez com que os recursos caíssem de R$ 7,9 milhões para R$ 4,4 milhões mensais, rombo de R$ 3,5 milhões.
Além da queda na arrecadação, o hospital passou a lidar com um problema comum entre as unidades de saúde na pandemia, que é a alta no valor gasto com equipamentos de proteção individual dos trabalhadores e insumos de higiene. Só o volume de máscaras usadas passou de 30 mil para 125 mil por mês.
Com a situação, o hospital fundado em 1913 e responsável por 900 partos por mês passou a receber doações de máscaras, luvas, aventais, álcool em gel, fraldas e equipamentos como termômetros digitais, além de campanhas de arrecadação de dinheiro.
O diretor-presidente da Maternidade de Campinas, Carlos Ferraz — Foto: Marcelo Andriotti/G1 Campinas
O diretor-presidente da Maternidade de Campinas, Carlos Ferraz — Foto: Marcelo Andriotti/G1 Campinas
Corte de gasto sem demissões
A partir da previsão da retomada, Ferraz afirma que o cenário é preocupante. Por isso, o hospital mantém a prática de tentar “ser mais eficiente em todos os seus processos, principalmente em gastos e custos”, com revisão de contratos, por exemplo.
O presidente afasta, por ora, a possibilidade de cortar funcionários. Segundo ele, há uma “questão de responsabilidade social” e também preocupação em afetar a qualidade do atendimento. O hospital tem 992 trabalhadores.
“Até por que não adianta fazer corte de pessoal, porque se retomar o movimento até você recontratar, qualificar esse colaborador, demora. O treinamento demora ”, afirma o presidente, que também aponta a experiência dos profissionais como fator importante.
Assim como outros hospitais de Campinas e região, a Maternidade recorreu às campanhas de doações e captação de recursos durante a pandemia. Prática que gerou efeito, segundo o presidente, também porque os moradores compreenderam que a ajuda retorna para a sociedade.
A entidade possui programa de título de capitalização e utiliza o próprio site para divulgar campanhas e a forma de doação por depósito bancário. Prática que Ferraz afirma que será mantida.
“Vai sempre continuar. É muito importante essa relação com a sociedade, porque reverte para ela mesma”.
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