Polícia liberta casal que seria executado por facção durante “tribunal do crime” na Zona Sul de São Paulo — Foto: Divulgação/Polícia Civil de SP
Polícia liberta casal que seria executado por facção durante “tribunal do crime” na Zona Sul de São Paulo — Foto: Divulgação/Polícia Civil de SP
A Polícia Civil libertou na terça-feira (18) um casal que seria executado a tiros por uma facção durante um “tribunal do crime”, na Zona Sul de São Paulo.
Um homem de 52 anos foi preso em flagrante no local, numa casa no Parque Cocaia, por suspeita de manter as vítimas sequestradas e amarradas no cativeiro. Ele se identificou como pedreiro.
Policiais do 85º Distrito Policial (DP), no Jardim Mirna, chegaram ao lugar após um telefonema anônimo. A denúncia era de que um rapaz de 26 anos e uma jovem de 23, usuários de drogas, seriam mortos por criminosos. O motivo seria o fato de que eles teriam roubado moradores da comunidade.
Com a libertação das vítimas e a prisão de um suspeito, a investigação tentar identificar e prender os demais integrantes da fação criminosa. Não há informações se alguma arma foi encontrada no local.
Local do cativeiro onde rapaz e garota ficaram sequestrados na Zona Sul de São Paulo — Foto: Divulgação/Polícia Civil de SP
Local do cativeiro onde rapaz e garota ficaram sequestrados na Zona Sul de São Paulo — Foto: Divulgação/Polícia Civil de SP
O que é um ‘tribunal do crime’
“Tribunal do crime” é o termo usado na crônica policial para nomear os julgamentos clandestinos realizados por membros de facções criminosas contra outras pessoas.
No geral, as suas vítimas são membros das próprias quadrilhas ou de grupos rivais e até mesmo moradores das comunidades dominadas pelo tráfico de drogas. Ditando suas próprias regras, os criminosos julgam quem comete infrações ou suspeitos de outros crimes dentro das comunidades.
Quem estupra ou mata alguém da região controlada pelas facções, por exemplo, é punido com a morte. Para quem bate em mulher ou rouba dentro do bairro, o castigo pode ser um membro quebrado ou espancamento.
Os tribunais ilegais ou do crime têm quase a mesma dinâmica de um julgamento comum, com “réu”, “acusador”, “vítima” e “julgadores”.
Quem é acusado, no entanto, é sequestrado e levado para uma casa, um terreno baldio ou até mesmo cemitério clandestino. A pessoa que será julgada tem o direito de se defender da acusação. Se convencer os criminosos, pode ser absolvido e “ganhar” mais uma chance de viver.
Do contrário, é obrigado a confessar o delito. Alguns condenados à morte são executados por asfixia, outros são queimados, esfaqueados ou baleados.
Em 2017, levantamento do G1 mostrou que a Polícia Civil investigava ao menos 42 mortes suspeitas de serem execuções cometidas por facções em “tribunais do crime” naquele ano no estado de São Paulo.
Infográfico mostra como é realizado o julgamento feito por criminosos — Foto: Betta Jaworski/Editoria de Arte G1
Infográfico mostra como é realizado o julgamento feito por criminosos — Foto: Betta Jaworski/Editoria de Arte G1
