
Polícia civil faz operação em parque aquático de Santa Bárbara
Durante a Operação River of Money contra lavagem de dinheiro no Parque Aquático River Park, em Santa Bárbara, na Região Central de Minas Gerais, vários depoimentos de pessoas físicas e sócios de empresas de fachada que, na verdade, são laranja do esquema criminoso, foram colhidos nesta quinta-feira (20). Dois deles confessaram que venderam os dados para movimentação de milhões de reais. Segundo a Policia Civil, o valor da fraude ultrapassa R$ 100 milhões.
“Há oitivas nas quais alguns desses sócios confirmaram que venderam seus nomes por R$ 1 mil por mês para que movimentações na casa de dezenas de milhões de reais fossem realizadas”, explica o delegado Domiciano Monteiro, da Divisão de Combate à Corrupção e Investigação de Fraudes de Belo Horizonte.
As pessoas envolvidas no esquema, que vendiam os nomes eram próximas ou até mesmo parentes.
“O esquema é complexo e a relação costuma ser inicialmente entre as pessoas mais próximas do elo, mas ela não abrange todo o esquema. Por exemplo, alguns desses sócios que venderam seus nomes, fizeram pedido para algum parente ou alguma pessoa mais próxima, mas eles não conhecem o elo final da cadeia de movimentação de recursos”, detalha o delegado.
A investigação começou em 2018, tendo como foco o clube em Santa Bárbara. Várias diligências e quebras de sigilo foram realizadas e outras pessoas foram ouvidas. Ao longo do processo, foram encontradas diversas pessoas físicas e outras empresas de fachada, no ramo de agenciamento de cargas, envolvidos na fraude.
De acordo com o delegado, muitas das empresas não têm sequer funcionários e nem atividade efetiva no ramo que são cadastradas. E muitos dos sócios não recebiam sequer um salário mínimo, enquanto movimentavam milhões de reais.
Monteiro reitera que a movimentação não era feita apenas pelas empresas, mas também por pessoas físicas. “Há inclusive movimentações na casa dos milhões em espécie realizadas não só pelas empresas investigadas, mas também por pessoas físicas sem renda declarada, como por exemplo estudantes e camelôs, que remeteram dinheiro diretamente para os investigados através de caixa eletrônico”.
Apesar de estar com as obras em estágio avançado, o parque aquático nunca funcionou. Mas já vendeu várias cotas.
Durante a investigação, a Policia Civil teve a colaboração do FBI, que investigou as movimentações de recursos no exterior, além de compra de imóveis fora do país. Monteiro explicou que a grande movimentação financeira começou quando dois dos principais suspeitos mudaram dos Estados Unidos para o Brasil, em 2015.
Nessa fase, foram destacadas empresas que possuem movimentação de recursos com o parque aquático. A operação desta quinta-feira (20) foi realizada em Garças, São Paulo, Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais e em Belo Horizonte. Foram apreendidos celulares, computadores, máquinas de cartão e documentos. Em todas as cidades foram ouvidos suspeitos do esquema. Todos foram liberados
Segundo a Policia Civil, há indicio de crimes como falsidade ideológica, sonegação fiscal e organização criminosa. Ninguém foi preso nessa fase da investigação.
A TV Globo tenta contato com responsáveis do Parque Aquático River Park.
Parque Aquático River Park, em Santa Bárbara, na Região Central de Minas Gerais — Foto: Reprodução/TV Globo
Parque Aquático River Park, em Santa Bárbara, na Região Central de Minas Gerais — Foto: Reprodução/TV Globo
