
Em Rio Claro, casos de dengue confirmados até agosto se aproxima do total de 2019
Rio Claro (SP) registrou, até agosto deste ano, 1.059 casos de dengue. São 138 confirmações a mais em relação a 2019 inteiro, que terminou com 1.197 casos.
Para eliminar criadouros do mosquito Aedes Aegypti, equipes de combate à endemias estão realizando ações para conscientizar a população sobre a importância de manter os locais sem acúmulo de água e sobre o perigo da doença.
“Graças a Deus hoje estou recuperada e espero não pegar mais, porque é uma doença muito triste, muito dolorosa. Não desejo para ninguém, porque não é só a Covid que mata, a dengue também mata”, disse a diarista Cláudia Aparecida Fernandes, que já pegou dengue três vezes.
Moradores do grupo de risco para a Covid-19 são orientados sobre a dengue com distanciamento em Rio Claro (SP) — Foto: Reprodução EPTV/Paulo Chiari
Moradores do grupo de risco para a Covid-19 são orientados sobre a dengue com distanciamento em Rio Claro (SP) — Foto: Reprodução EPTV/Paulo Chiari
Segundo o chefe da divisão de Zoonozes, Diego Reis, por conta da pandemia os agentes questionam os moradores antes das vistorias para saber se tem alguém contaminado com a Covid-19 ou se há alguma pessoa com comorbidades na casa.
“Nas residências onde há idosos acima de 60 anos, estamos evitando entrar para não ter um problema maior. Então a gente passa todas as orientações para o morador pelo portão e, caso seja possível, a gente entra na casa e faz a vistoria de forma completa”, explicou Reis.
Imóveis fechados podem ter criadouros do mosquito da dengue, segundo professor de Rio Claro (SP) — Foto: Reprodução EPTV/Paulo Chiari
Imóveis fechados podem ter criadouros do mosquito da dengue, segundo professor de Rio Claro (SP) — Foto: Reprodução EPTV/Paulo Chiari
O professor especialista em entomologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) Cláudio José Von Zuben também alerta que, como alguns estabelecimentos ficaram fechados durante esses meses, pode haver a presença de focos invisíveis de dengue.
“Não somente lojas, mas domicílios fechados podem permitir o acúmulo de água em vasos sanitários, ralos de banheiro, de cozinha. Em áreas entupidas, pelo menos uma vez por semana alguém deve vistoriar esse imóvel para detectar a possibilidade de água parada”, informou Zuben.
Fatores que preocupam
De acordo com o chefe da Zoonoses, o Ministério da Saúde apontou que em 2020 haveria uma alta no casos no município, sendo que um dos fatores que podem ter colaborado para isso foi a falta, em 2019, do inseticida utilizado no combate ao mosquito.
Além disso, o período de chuvas e o tempo quente que se aproximam podem agravar a situação.
Rio Claro (SP) contabiliza mais de mil casos de dengue em 2020 — Foto: Reprodução EPTV/Paulo Chiari
Rio Claro (SP) contabiliza mais de mil casos de dengue em 2020 — Foto: Reprodução EPTV/Paulo Chiari
Segundo o professor de entomologia, os invernos não são mais tão rigorosos como há algumas décadas, então há alguns poucos dias mais frios, mas logo a temperatura volta a subir, o que é favorável para a proliferação do mosquito.
“Por exemplo, se tivermos um recipiente que esteja vazio e houver ovos nas bordas, quando esse recipiente voltar a encher de água, isso vai estimular a eclosão das larvas e a complementação do ciclo até o estágio adulto”, explicou.
Por isso, a colaboração dos moradores é fundamental. A decoradora Tância Corrêa Bueno da Cruz, conta que faz a parte dela. “Se eu vejo uma latinha já procuro pegar para não deixar na rua. Essa semana choveu e a água acumula. Eu tive dengue duas vezes e sei como é”.
