Manifestantes fazem ato em frente à Prefeitura de São Paulo contra a morte de moradores de rua por causa do frio


Neste final de semana, ao menos dois sem-teto foram encontrados mortos nas ruas de São Paulo e a suspeita é de que as mortes tenham ocorrido por conta do frio intenso que atingiu a cidade. Manifestantes fizeram nesta segunda-feira (24) um ato de protesto contra a morte de moradores de rua pelo frio dos últimos dias na capital paulista. Os manifestantes se reuniram em frente a Prefeitura de São Paulo, no viaduto do Chá, no Centro, com cartazes reivindicando moradia para a população de rua e mais vagas em hotéis prometidas pela gestão municipal durante a pandemia.
Neste final de semana, ao menos dois sem-teto foram encontrados mortos nas ruas da capital paulista, de acordo com a SSP. A Polícia Militar encontrou os dois corpos no centro de São Paulo na manhã do sábado (22).
Entidades como a Pastoral do Povo de Rua dizem que receberam o relato de ao menos cinco mortes, sendo quatro no Centro de SP e a outra na região do Terminal Tietê, na Zona Norte. Todas teriam sido vítimas do frio intenso, que no sábado chegou a 8,2°C, sendo o dia mais frio do ano até o momento.
Ato de vigília pelos moradores de rua em frente a prefeitura de São Paulo
Arquivo Pessoal
Segundo o Movimento Nacional da População de Rua de São Paulo, uma carta com reivindicações do grupo foi protocolada na prefeitura nesta segunda (24), endereçada ao prefeito Bruno Covas. Na carta, o grupo pede que agilidade da prefeitura em ações de acolhimento das pessoas que vive atualmente nas ruas da cidade, além de investigação do Ministério Público sobre as mortes ocorridas no fim de semana.
“O frio é a segunda pandemia enfrentada pela povo de rua em São Palo. Ele mata mais rápido do que o coronavírus. Se ações não forem feitas com urgência, mais gente vai morrer nos próximos dias na capital. A prefeitura precisa agilizar as ações e abrir as vagas que tinha prometido em hotéis no início da pandemia. Até agora, só 150 foram abertas, das 500 prometidas pelo prefeito”, afirma Anderson Miranda, coordenador do Movimento Nacional da População de Rua.
Na carta entregue na prefeitura, o grupo também pede que seja criado um fundo de emergência para apoiar as ações de acolhida das pessoas na rua e a “suspensão imediatamente da ação da zeladoria, que confisca os pertences das pessoas em situação de rua”.
O G1 procurou a secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social sobre o assunto, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.
Moradores de rua sofrem com frio durante as madrugadas em SP
Mortos pelo frio
Segundo a PM, um homem de 39 anos foi encontrado morto na altura do número 38 da Rua 25 de Março, próximo a um viaduto, por volta das 9h45 do sábado (22). Amigos pediram ajuda a uma enfermeira, que chamou a polícia. Os policiais constataram o óbito.
A SSP afirma que os dois casos foram registrados como morte suspeita pelo 8º DP (Brás) e encaminhados ao 1º DP (Sé), área dos fatos.
Colegas do morador de Rua da 25 de Março dizem que ele estava passando mal e que ofereceram mantas e cobertores para o homem durante a madrugada.
“Não é de coronavírus, é de fome e de frio que está morrendo gente”, diz Alecsandra, que vive em uma barraca na região central.
Em nota, a a prefeitura informa que “na madrugada de hoje (22), 150 pessoas foram acolhidas, houve 82 recusas e foram distribuídos 182 cobertores” (veja a nota na íntegra abaixo).
Recorde
A cidade de São Paulo registrou a temperatura mais baixa no ano na manhã deste sábado. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os termômetros registraram 8,2ºC na estação meteorológica do Mirante de Santana, na Zona Norte da capital paulista, às 9h.
O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura de São Paulo, diz que a frente fria se afasta do litoral paulista, mas os ventos úmidos que sopram do oceano ainda podem causar nebulosidade e chuviscos nos próximos dias. A forte massa de ar polar passa a predominar sobre o estado de São Paulo, causando frio intenso principalmente durante as madrugadas.
Duas pessoas em situação de rua foram encontradas mortas em São Paulo
Veja a íntegra da nota da Prefeitura de São Paulo:
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), intensifica as abordagens quando a temperatura atinge o patamar igual ou inferior a 13°C, ou sensação térmica equivalente. Caso a pessoa não aceite o acolhimento, é oferecido um kit lanche e cobertor. A SMADS informa que na madrugada de hoje (22), 150 pessoas foram acolhidas, houve 82 recusas e foram distribuídos 182 cobertores. Desde o início do Plano de Contingência para situações de Baixas Temperaturas 2020, em 6 de maio, a rede socioassistencial realizou 1.081.504 acolhimentos. No período de plantão (noite/madrugada) da Coordenação de Pronto Atendimento Social (CPAS) foram realizados 10.029 acolhimentos, 896 recusas, 5.485 cobertores e 6.100 lanches foram distribuídos na cidade. É importante destacar que uma pessoa pode ser acolhida mais de uma vez. A operação estará em vigor até 20 de setembro deste ano. Durante o dia, os orientadores socioeducativos que atuam nos Serviços Especializados de Abordagem Social (SEAS) fazem as abordagens em pontos estratégicos da cidade, ofertando encaminhamentos à rede de acolhimento e outros serviços da rede pública. Nos serviços de acolhimento, os conviventes recebem kit de higiene, acesso a banho e a refeições (café da manhã, almoço e jantar) e podem ser encaminhados para outras políticas públicas de acordo com a demanda. Na madrugada, a abordagem realizada pela CPAS deve ser acionada via Central 156, mas as pessoas em situação de rua também podem procurar os serviços espontaneamente. Caso o local procurado já tenha a sua ocupação total preenchida, os profissionais que atuam nos serviços deverão prestar o primeiro atendimento, protegendo-os do frio enquanto articulam uma vaga na rede de acolhimento do município. A pasta dispõe de 101 centros de acolhida para pessoas em situação de rua e durante a situação de emergência e criou 1.222 novas vagas de acolhimento, sendo 672 em oito equipamentos emergenciais em centros esportivos, outras 400 em quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) utilizados durante a Operação Baixas Temperaturas e 150 vagas para hospedagem de idosos em situação de rua já acolhidos na rede socioassistencial, em três hotéis na região central da cidade. Os equipamentos funcionam 24 horas e são voltados a diversos público”.
Veja vídeos sobre a onda de frio pelo Brasil
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By Tribuna ABC

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