Dano provocado em área de extração ilegal de areia no Rio Capivari pode causar transbordamento, diz especialista


Local do crime em Campinas foi encontrado pela Guarda Municipal após denúncia anônima. Caminhão e draga foram apreendidos, quatro pessoas foram presas e caso é investigado pela Polícia Federal. Guarda detém grupo suspeito de extração ilegal de areia às margens de rio em Campinas
A área prejudicada pela extração ilegal de areia no fundo do Rio Capivari, em Campinas (SP), pode se tornar um ponto de transbordamento devido aos danos. O risco foi alertado por um engenheiro ambiental nesta terça-feira (8) após quatro pessoas serem presas pela Guarda Municipal no local nesta segunda (7). A Polícia Federal investiga o caso, enquadrado como crimes financeiro e ambiental.
A mata ciliar nativa está devastada e há bancos de areia no ponto onde ocorria a ação de criminosos.
“Isso proporciona o assoreamento do rio. Nós temos bancos de areia causados por essa extração. Esses bancos de areia alteram o curso do rio, que, por sua vez, aumentam a erosão nas calhas, alargando o rio, proporcionando assim enchentes. Facilita alagamentos no local.”, explica o engenheiro ambiental Allan Duarte.
Os prejuízos também incluem vazamentos de óleo e graxa, causados pelos equipamentos usados na atividade não licenciada. O problema também se intensifica pelo lixo deixado nas margens e no rio.
“A lâmina de água aqui está muito baixa. Então, qualquer chuva mais intensa, nós vamos ter um transbordamento. Com esse transbordamento, essa quantidade enorme de lixo acaba […] indo para as casas, prejudicando os moradores próximos.”, completa.
De acordo com a Guarda, três dos quatro homens detidos confessaram que praticavam o crime há pelo menos um mês e meio e que a areia era vendida para o setor da construção civil no mesmo bairro do local da extração, Jardim Uruguai.
A Polícia Federal vai investigar, também, os donos do caminhão e da draga apreendidos. Entre os suspeitos, três já tinham passagem por tráfico de drogas e crime ambiental.
Área do Rio Capivari, em Campinas, onde extração ilegal de areia foi descoberta pela Guarda Municipal
Reprodução/EPTV
Prática ilegal
A Prefeitura de Campinas disse, em nota, que a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) é responsável por fiscalizar e aplicar as penalidades no caso de extração irregular de areia do fundo de rio. A Lei de Crimes Ambientais é federal, e a pena vai desde multa de até R$ 3 mil por hectare até detenção.
Na metrópole, foram seis ocorrências desse tipo atendidas pela Guarda este ano.
“Em Campinas, a prática ilegal acontece em áreas menos urbanizadas, em especial na bacia do Rio Capivari e vai desde o método mais simples, com a extração manual com peneiras e até o uso de dragas. Esta areia geralmente é comercializada para fins de construção civil. A Secretaria Municipal do Verde recebe poucas denúncias com este tipo de infração”, informou a administração municipal.
Além de fiscalizar, a Cetesb é o órgão competente para determinar as áreas onde a atividade pode acontecer, de forma legal.
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus
Arte/G1
Initial plugin text
Veja mais notícias da região no G1 Campinas

By Tribuna ABC

Veja Também!