1 de 1Material de realização de teste RT-PCR, que detecta o novo coronavírus — Foto: Breno Esaki/Agência Saúde
Material de realização de teste RT-PCR, que detecta o novo coronavírus — Foto: Breno Esaki/Agência Saúde
O estado de São Paulo registrou 391 novas mortes por coronavírus nas últimas 24 horas nesta quarta-feira (9), chegando ao total de 31.821 desde o início da pandemia. Após um período em estabilidade, a média diária de mortes voltou a ter tendência de queda na terça-feira (8), segundo critério de especialistas (leia mais abaixo).
Os registros foram menores nos últimos dias desta semana, mas isso pode ser reflexo do feriado prolongado de 7 de setembro. Os registros em 24 horas costumam ser menores aos finais de semana e feriados devido ao atraso nas notificações no sistema, já que as equipes trabalham em esquema de plantão.
A média móvel de mortes, que leva em consideração os registros dos últimos 7 dias e minimiza as diferenças das notificações, é de 164 óbitos por dia nesta quarta. A variação foi de -24% em comparação ao valor registrado há 14 dias, o que para os especialistas indica tendência de queda. Como o cálculo da média móvel leva em conta um período maior, é possível medir de forma mais fidedigna a tendência da pandemia.
Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde, também foram registrados 7.793 novos casos confirmados de Covid-19 nesta quarta-feira, levando o total para 866.576. A média móvel de casos diários é de 5.749.
O número de casos inclui todos os resultados positivos em exames laboratoriais, tanto os do tipo sorológico, que verifica apenas a presença de anticorpos, quanto os que analisam a presença do vírus no organismo no momento – o chamado exame RT-PCR.
Veja os novos registros no estado de SP nas últimas 24 horas:
- 391 novas mortes
- 7.793 novos casos
Veja o total no estado de SP desde o início da pandemia:
- 31.821 mortes
- 866.576 casos confirmados
Evolução da epidemia
O estado de São Paulo permaneceu por mais de três meses com a média diária de novas mortes em patamar acima de 200, o chamado platô no ponto alto da curva epidemiológica.
No dia 27 de agosto, após o longo período de estabilidade ininterrupto nos novos registros, a média diária de mortes apresentou tendência de queda pela primeira vez, com variação de -20% em comparação ao valor registrado nos 14 dias anteriores. Mas no dia 28 de agosto, a tendência voltou à estabilidade. Nesta terça (8), a tendência de queda voltou a ser verificada.
Para a gestão estadual, o estado já passou o pior momento da pandemia. Embora os novos registram venham sendo menores, os especialistas alertam que para confirmar a saída do platô é preciso que exista uma queda sustentada de novos casos e mortes.
“São Paulo caminha para a quinta semana consecutiva na redução de óbitos. As internações também estão caindo, pela 8° semana seguida. São bons indicadores que reconfirmam que a pandemia em São Paulo está recuando. Isso não significa afrouxamento da quarentena, em hipótese nenhuma o afrouxamento de medidas de resguardo, medidas sanitárias e preventivas que o governo do estado vem orientando e deliberando a prefeitas e prefeitos, e principalmente à população”, disse o governador João Doria (PSDB) nesta quarta-feira.
Durante o feriado, milhares de banhistas lotaram lotaram as praias no litoral paulista. Diversas aglomerações também foram registradas em outras cidades, incluindo a capital. A diminuição do isolamento social ainda pode refletir nos registros futuros de casos e mortes.
“Uma recomendação do comitê de saúde para pessoas que se expuseram em situações de risco em aglomerações durante o feriado são cuidados para minimizar possíveis danos. Primeiro o cuidado para transmissão para familiares. Nessa situação é necessário usar máscara facial em casa e distanciamento consciente. E a segunda recomendação, nesses dias dessa semana que as pessoas começam a desenvolver algum sintoma, devem procurar uma unidade básica de saúde ou um atendimento médico para que possa fazer o teste do PCR”, disse José Medida, coordenador do Centro de Contingência.

São Paulo registra mais 391 mortes pela Covid-19 em 24 horas
Mortes por Síndrome Respiratória
O registro de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) sem causa especificada no estado de São Paulo em 2020 foi 23 vezes maior do que o registrado em 2019, segundo dados do Infogripe, plataforma da Fiocruz que analisa os dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe.
Entre janeiro e julho de 2019 foram 932 as pessoas que morreram no estado por causa da Síndrome Respiratória Aguda Grave, sendo 660 mortes sem identificação do agente etiológico. No mesmo período em 2020, o estado de São Paulo já somava mais de 44 mil mortes por SRAG, sendo 27.833 mortes confirmadas pelo coronavírus, e 16.549 mortes sem diagnóstico.
Neste ano, dos 16.549 óbitos que não foram confirmados como Covid-19, 140 já tiveram a causa confirmada por outros vírus, como da Influenza; 769 estão sob investigação, e nos demais 15.649 casos, a causa não foi e não será especificada.Considerando apenas as mortes com causa não especificada entre um ano e outro – 660 contra 15.640, há um aumento de 2369,7% ou um número 23 vezes maior.
Os dados dão uma dimensão da subnotificação das mortes na pandemia. Para o especialista em saúde pública, Marcelo Gomes, pesquisador da Fiocruz, o principal problema está na falta de testagem.
“Existe uma série de fatores que influenciam na capacidade de detecção: como foi feita a coleta, o tipo de coleta que foi feita, como foi armazenada, onde, como foi transportada para o laboratório… Isso nos permite estimar que mesmo nos resultados negativos para o coronavírus devem ter, sim, uma parcela importante que são falsos negativos associados ao coronavírus. Ou seja, pessoas que se infectaram com o coronavírus, tiveram um quadro de SRAG, vieram à óbito, mas o exame laboratorial infelizmente não foi capaz de identificaram o vírus”, disse ele.
“O coronavírus provavelmente é realmente a principal causa desse aumento expressivo de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) observadas esse ano”, aponta Paulo Menezes, coordenador do Controle de Doenças do estado de São Paulo.
Internações e UTI
O número de pacientes internados com suspeita ou confirmação de Covid-19 no estado nesta quarta (9) se manteve estável em 10.584, sendo 6.059 em enfermaria e 4.525 em UTI. Na terça, eram 10.584, sendo 5.937 em enfermaria e 4.647 em UTI.
A taxa de ocupação dos leitos das UTIs está estável, com índice de 53,1% no estado e 52,6% na Grande São Paulo. Na terça, os índices eram de 53,5% no estado e 52,8% na Grande São Paulo.
Ainda segundo a Secretaria Estadual da Saúde, 704.530 pessoas estão recuperadas da Covid-19, sendo que 95.543 foram internadas e tiveram alta hospitalar.
