
Motoboys fazem ato após morte de colega em trecho de obras do BRT em Campinas
Placas caídas ou mal posicionadas, telas que não refletem à noite e falhas no asfalto são realidade em pontos de avenidas de Campinas (SP) por onde passam as obras do BRT. A produção da EPTV, afiliada da TV Globo, percorreu cinco ruas durante a noite de quarta-feira (9) e constatou os problemas que podem colocar em risco a segurança de motoristas e motociclistas. Veja o que disse a Emdec ao fim da matéria.
Na terça-feira (8), o motociclista Antônio de Souza Vieira morreu após invadir um corredor de ônibus em obra e bater em um bloco de concreto. Um especialista em segurança de trânsito ouvido pela EPTV afirmou que a colocação das telas e cones estava inadequada. Nesta quinta, motoboys protestaram após a morte do colega.
A produção esteve nas avenidas João Jorge, Amoreiras, Ruy Rodrigues, Camucim e John Boyd Dunlop.
Em uma quadra da João Jorge não há placa que sinaliza o início das obras e a interdição de um faixa. A única placa encontrada está virada para os motoristas do sentido contrário e, apesar de informar o início das obras, foi colocada onde elas terminam.
Mais à frente, já no trecho em obra, a tela colocada não reflete durante a noite e fica difícil de ser vista pelo motorista. Além disso, há outra placa mal colocada. A sinalização está virada para o sentido oposto e caída.
1 de 3Placa caída foi deixada no sentido contrário da Avenida João Jorge para sinalizar obra do BRT — Foto: Johnny Inselsperger/EPTV
Placa caída foi deixada no sentido contrário da Avenida João Jorge para sinalizar obra do BRT — Foto: Johnny Inselsperger/EPTV
O motorista Ricardo Godoy reclama que, além da falta de sinalização, não há agentes de trânsito para orientar. “Deveria ser melhor sinalizado, e os agentes de trânsito de mobilidade urbana não estão presentes”.
Já o técnico de enfermagem Paulo Roberto Junior afirma que teve prejuízo de R$ 300 por conta de danos na motocicleta dele ao passar por obras do BRT. “Entortou os dois aros da minha moto e isso eu estava a 60 km/h”.
Iluminação e asfalto
Na Avenida das Amoreiras, postes apagados no viaduto que leva ao Piçarrão dificultam a visibilidade. No trecho com obras, um bloco de concreto não reflete durante a noite e, com isso, deixar de ser sinalização para virar um risco.
A pouca iluminação também é um problema na Avenida Ruy Rodrigues. Além disso, uma placa colocada no pé de um poste tem pouca visibilidade. Ela deveria sinalizar a interdição de um das três faixas da avenida.
Na Avenida Camucim o problema também é a visibilidade e falta de placas, mas se soma às falhas no esfalto. “Os motoqueiros passar nos buracos direto e quase caem, todos os dias”, relata um morador.
2 de 3Falta de iluminação em trecho com obra do BRT na Avenida Camucim prejudica motoristas — Foto: Johnny Inselsperger/EPTV
Falta de iluminação em trecho com obra do BRT na Avenida Camucim prejudica motoristas — Foto: Johnny Inselsperger/EPTV
Falta sinalização para informar sobre uma valeta da John Boyd Dunlop. “Faz tempo que está assim, acho que faz um três meses. Passa o pessoal da Emdec e não fala nada”, afirma o segurança Paulo de Oliveira.
Em nota, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano de Campinas (Emdec) afirma que a sinalização dos locais em obras de implantação dos três corredores BRT – Campo Grande, Ouro Verde e Perimetral – compete às empresas responsáveis pelos lotes. Acrescentou que notificou as empresas sobre os todos problemas de sinalização relatados e pediu providências na solução deles.
“A Emdec fiscaliza, constantemente, as obras. Muitas vezes, a sinalização das obras sofre atos de vandalismo. Sobre os buracos nas vias e a iluminação pública, a gestão, nos dois casos, não é da Emdec. Os corredores BRT, que são exclusivos para ônibus, quando entregues, contarão com piso rígido de concreto e iluminação em LED, de alta qualidade de luminescência, em toda a sua extensão.
Também é importante frisar que os motoristas dirijam com atenção, respeitando a sinalização viária e o limite de velocidade estipulado para a via. Nos locais com obras, a velocidade máxima é reduzida para 40 km/h. Alguns trechos, para 30 km/h. É dever de todo motorista redobrar a atenção em locais com obras e respeitar a sinalização viária”.
3 de 3Placa colocada em trecho escuro avisa sobre obra do BRT em Campinas — Foto: Johnny Inselsperger/EPTV
Placa colocada em trecho escuro avisa sobre obra do BRT em Campinas — Foto: Johnny Inselsperger/EPTV
