
Preços de roupas subiram pouco em setembro
Apesar da pandemia, o movimento atrás das roupas mais baratas nas rua do bairro do Brás, na região central de São Paulo, aos poucos vai voltando. Os últimos dias de calor insuportável esquentaram a vontade dos paulistanos de sair de casa atrás de peças levinhas, segundo os lojistas da região.
“Comecei pra mim, aí, depois, algumas amigas pedindo pra trazer, comecei a levar também”, diz a funcionária pública Evelin Rocha Freire.
“Nós viemos comprar uma roupinha pra mim, né, blusa, calça… E pra ela também, moda infantil, de verão. Nossa, como [tava com saudade de comprar], menina”, afirmou a auxiliar de saúde Eliana Mamote.
Mas se, no ano passado, o cliente gastava em média R$ 120 em um dia no bairro, agora – com a pandemia e todas as dificuldades que ela trouxe – tá gastando R$ 90 e apertando as contas para pagar.
“[O preço] subiu um pouco. Tá razoável. Eu gostaria mil reais, mas não dá”, afirma a dona de casa Marcia Célia Santos.
Os comerciantes do bairro já sentiram a melhora no movimento nos últimos dias, mas afirmam que ainda não chegou ao patamar registrado antes da pandemia do coronavírus, que fechou o comércio por vários meses em toda a capital paulista.
Nas lojas, se acha cropped – aquelas blusas mais curtinhas, por R$ 10, em dinheiro. Dois a menos que no cartão, porque o lojista precisa fazer caixa como nunca.
“O lojista precisa ser equilibrista agora. Porque a gente tá num momento que não pode repassar o preço pro consumidor final, porque o consumidor final tá com o ticket médio mais difícil, tá com o ticket médio reduzido por causa de toda essa pandemia e a recuperação econômica que não chegou de maneira ampla. E, ao mesmo tempo, do outro lado da cadeia, tá tendo uma alta muito considerável. A matéria-prima tá muito escassa”, disse o comerciante Lauro Pimenta.
“O movimento, agora, a gente sente uma pequena melhora, mas não é significativa. Precisa melhorar muito ainda”, afirma a também comerciante Nádia Iunes.
Apesar das vitrines estarem exibindo vestidos e alcinhas, tem gente que vem em busca dos precinhos das peças de inverno.
“Agora, a gente vem buscar de inverno que acaba saindo mais barato, né. A gente encontra roupas até 70% aí de desconto, viu”, diz a vendedora Joice Ramos.
Cuidados e uso de máscara
A Gabriele veio do Maranhão pra renovar o guarda-roupa e estava entusiasmada com os preços. O vestido de tricô custou R$ 50, seis vezes menos do que ela pagaria lá na cidade dela.
“Tava com receio, era uma viagem que já tava agendada e fique muito preocupada em não encontrar, né, nada. E tô feliz: as lojas reabertas, os preços ótimos. Acho que por conta da pandemia e de todo mundo querer vender, tem muita promoção. Me preparei pra gastar uns dois mil de roupa, por aí”, afirma a funcionária pública Gabriele Soeiro.
O que não tá legal no Brás é o descuido de muita gente no uso da máscara. Os poucos que usam, é de maneira errada. E com a aglomeração crescendo a cada dia, o risco e o medo acabam encurtando a bateção de perna de quem veio comprar.
“Pela situação, ainda, da pandemia, eu acho que tem bastante gente, né, então a gente tá um pouco com medo, meio assustada ainda. – Comprar e sair? – Comprar e sair, rapidinho. Uma por causa da situação financeira, que não tá ainda tão boa, e outra pela multidão de gente”, afirma a contadora Mônica Lazinski.
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