1 de 4Projeto Juntos para o Bem doa alimentos, cobertores, agasalhos, máscaras e produtos de higiene pessoal a moradores de rua — Foto: Arquivo Pessoal
Projeto Juntos para o Bem doa alimentos, cobertores, agasalhos, máscaras e produtos de higiene pessoal a moradores de rua — Foto: Arquivo Pessoal
Completou 100 dias em Limeira (SP) uma iniciativa na qual voluntários penduram lanches em um varal para que moradores de rua possam se alimentar durante a pandemia do novo coronavírus. Neste período, o grupo de voluntários Juntos Para o Bem chegou à marca de cerca de 5 mil doações realizadas.
Hoje, a iniciativa, que é mantida com a ajuda dos voluntários e colaboradores, também já distribui cobertores, agasalhos, máscaras e produtos de higiene pessoal.
“Nós fomos contaminados pelo vírus do amor”, brinca a comerciante Gislaine Honorato, idealizadora do projeto.
“Nosso maior objetivo desde o início era despertar nas pessoas o desejo de fazer o bem sem olhar a quem. Nós conseguimos atingir pessoas de outras cidades que também elaboraram o varal do bem e isso foi muito gratificante”, revela a voluntária.

Voluntários penduram lanches em varal para ajudar moradores de rua de Limeira
Ela teve a ideia do projeto ao avaliar que essas pessoas, que já são “invisíveis para a sociedade”, ficaram ainda mais vulneráveis em meio à pandemia do novo coronavírus. Então, passou a pendurar os lanches em uma avenida de Limeira.
Essa foi a alternativa encontrada por ela e outros voluntários para manter um projeto social que integram há seis anos e que, durante a pandemia, teve de suspender a entrega de sopas diretamente às pessoas auxiliadas, como prevenção à propagação da Covid-19.
Gislaine destaca que o maior objetivo é multiplicar o número de pessoas solidárias com o próximo.
“A lição que nós tiramos de tudo isso, de todo esse aprendizado, é que você também pode fazer o bem para o próximo sem julgar, sem esperar nada em troca, em qualquer época do ano. Esse é o maior objetivo do nosso projeto: despertar nas pessoas o desejo de ajudar o próximo”.
2 de 4Em Limeira, voluntários penduram lanches em varal para moradores de rua durante pandemia — Foto: Arquivo Pessoal
Em Limeira, voluntários penduram lanches em varal para moradores de rua durante pandemia — Foto: Arquivo Pessoal
O “Juntos Para o Bem” tem hoje 30 voluntários, entre colaboradores e atuantes, e trabalha em duas frentes: além do auxílio a pessoas sem casa, levam mantimentos a famílias de baixa renda.
“Além de ajuda com uma cesta básica todo mês, a gente orienta no que for preciso, para um médico, para alguma coisa relacionada à prefeitura. A gente dá a direção para eles”, explica Gislaine.
Em meio ao isolamento social, no entanto, ela vê a situação dos moradores de rua ainda mais em evidência. “Eles reclamam que as pessoas querem ainda mais distância deles agora”.
3 de 4Preparação de varal com lanches para moradores de rua, em Limeira: ação voluntária — Foto: Arquivo Pessoal
Preparação de varal com lanches para moradores de rua, em Limeira: ação voluntária — Foto: Arquivo Pessoal
O varal foi criado a partir de uma outra ação desenvolvida pelos voluntários, na qual roupas de frio foram penduradas em uma árvore para que fossem retiradas por quem precisava.
Já o ponto de retirada de lanches foi instalado na Avenida Rio Claro, em frente ao número 173, onde funciona uma loja de Gislaine. Diariamente, entre 30 e 35 unidades são disponibilizadas às 19h. Em alguns dias, há até fila de espera pelos alimentos.
“Para alguns, é a primeira alimentação que vão ter durante o dia. Um vai avisando o outro e aí eles vêm para comer. A necessidade maior é essa: fome, né. Só quem sentiu fome sabe o que é isso”, reflete a comerciante.
Além do alimento, a pessoa auxiliada recebe uma mensagem de esperança. Nos saquinhos dos lanches, são escritas frases como “tenha fé”, “tudo vai passar” e “confie em Deus”.
Algumas entregas do projeto são acompanhadas com live em rede social e um bate-papo com os auxiliados, mas que também teve de ser interrompido durante a pandemia. “Às vezes, eles nem querem comer. Por estar em situação de rua, às vezes querem conversar”, revela a comerciante.
4 de 4Mensagens de esperança são escritas em lanches distribuídos a moradores de rua, em Limeira — Foto: Arquivo Pessoal
Mensagens de esperança são escritas em lanches distribuídos a moradores de rua, em Limeira — Foto: Arquivo Pessoal
Vivendo ‘na pele’
Para buscar entender as dificuldades de não ter um abrigo, Gislaine decidiu realizar uma imersão: se passou por uma pessoa em situação de rua por um dia e seguiu a rotina de quem costuma auxiliar.
“Pude estar do outro lado da fila para receber. E confesso que foi uma experiência muito marcante na minha vida. Naquele caminho para receber doação eu senti alegria, tristeza, medo, angústia, sabendo que estava feliz por estar me alimentando naquele momento, mas imaginar o que iria vir depois, longe da família, longe das pessoas que a gente gosta… Então, foi uma experiência bem marcante na minha vida e que fez mudar muito os meus valores”, relata.
O projeto continua com as entregas, segundo a voluntária, graças a ajuda de quem colabora com doações e aos que estão na “linha de frente”. “Deixaram suas casas, suas famílias, para estar ali se arriscando para fazer o bem para o próximo”, enaltece.
Pessoas interessadas em colaborar podem contatar Gislaine pelo telefone (19) 99204-8479.

Entenda algumas das expressões mais usadas na pandemia do covid-19
